terça-feira, 5 de agosto de 2008

Crónica de uma canalhice ...



Mais uma crónica só para adultos, não aconselhável a pessoas sensíveis!

Nasci com todas as condições para vir a ser um adulto machista, impertinente e a cheirar a cavalo, apreciado por muitas mulheres que certamente detestaria.
 Caçula de uma família burguesa do Porto, mantendo tradições que já nos anos 60 cheiravam a mofo, fui “ensinado” a olhar para as mulheres como um objecto decorativo, instrumento de prazer, hábeis na gestão da vida familiar, prendadas para  bordado, lides domésticas e cozinhados, criadas para casar com tipos ricos que perpetuassem a tradição familiar. Aos 14 anos, olhava para as minhas primas como seres cuja única função, terminada a fase dos baptizados das bonecas, seria a de parideiras, boas donas de casa e extremosas esposas e mães.

Se hoje sou solidário com as mulheres e as vejo como iguais, isso não se deve  apenas às leituras que fiz, ao facto de ter abandonado o Porto e o seio familiar aos 17 anos para me tornar independente, ao Maio de 68, ou a uma vivência em vários continentes, durante muitos anos. Quase diariamente, vejo na televisão pessoas com um percurso idêntico ao meu ( com alguns dos quais partilhei momentos da minha juventude) e nem preciso de falar com eles, para perceber que apesar das aparências exteriores, se mantêm iguais ao que eram na juventude.


O que me fez tornar solidário com as mulheres e passar a olhar para elas como companheiras e não meros complementos sexuais foi,  também, este  momento de pura canalhice juvenil.
Era uma tarde de Agosto. Uma amiga deslumbrantemente ruiva, filha  de um médico amigo dos meus pais, fazia anos e deu uma festa. Em casa, como era habitual naquela época. 

Com  a cumplicidade de uma inglesa que veraneava em casa da aniversariante, alguém  conseguiu introduzir um gravador no quarto onde as raparigas deixavam os seus casacos e se iam retocar. 
O objectivo era apenas saber se nas conversas que travavam entre si, uma delas retribuiria os sentimentos que um de nós sentia por uma delas. Estávamos longe de imaginar o que iríamos ouvir...

Terminada a festa, reunimo-nos num quarto para ouvir a gravação. O resultado foi uma surpresa. Foi nesse dia que percebi que as raparigas da minha idade não se interessavam apenas por bordados, culinária e vestidos, pelo Johny Halliday ou pela leitura do “Salut Les Copains”. As raparigas da minha idade partilhavam das mesmas preocupações que os rapazes, tinham conversas sobre as mesmas questões dos rapazes e discutiam problemas sexuais como os rapazes ( com o à vontade possível na época, entenda-se...).
Quando do gravador saiu a voz de uma jovem lisboeta que passava parte das férias no norte, a dizer que um determinado fulano ( de que nenhum de nós gostava e muitos portugueses ainda hoje detestam) lhe fazia um “grande tesão” , caímos das nuvens. Como era possível que as mulheres tivessem uma coisa dessas? Andaríamos a ser enganados pelo professor de Ciências Naturais? Ou seria um coisa só das raparigas de Lisboa? Estávamos incrédulos. Como era possível uma mulher ter “aquilo” e ainda por cima gabar-se diante das amigas?
A partir desse dia a minha forma de olhar para as mulheres mudou radicalmente. O meu percurso de vida fez o resto, mas aquela foi uma data marcante, porque me fez pensar sobre o que ouvira e chegar à conclusão que entre homens e mulheres havia mais semelhanças do que diferenças. As mulheres poderiam ser aquilo que elas quisessem, se lhes fossem dadas as mesmas oportunidades e se libertassem do casulo de uma educação castradora que as queria condenar a tornarem-se dóceis donas de casa, fiéis aos maridos e assistindo, resignadas, às traições dos seus consortes. Percebi, nesse dia, que a orientação das leituras infantis ( com colecções denominadas “ Biblioteca dos Rapazes” e “Biblioteca das Raparigas”), os brinquedos diferenciados “p´ró menino e p´rá menina”, as brincadeiras “próprias de raparigas”, ou o rosa interdito aos rapazes, eram códigos de mentiras que apenas pretendiam manter o domínio do homem sobre as mulheres.
Só por isso, acho que valeu a pena aquele momento de pura canalhice juvenil!

42 comentários:

  1. Carlos
    deixa-me dizer que este foi um dos melhores post que li ultimamente.
    bons banhos...

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  2. Continuas a viver num mundo de ilusões, Carlos. A maioria das mulheres portuguesas só mudou numa coisa, que é continuar a exercer essas funções e ainda por cima ter de trabalhar. E os homens continuam a querer ser machões, mas fata-lhes aquilo que antigamente tinham e que numa expressão lá do norte se traduz por "falta de c...".
    Beijinhos muito rechonchudos
    Sandra

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  3. Curioso como os meninos achavam que só eles é que tinham desejos (ou "ideias") e as meninas eram imunes (?!) às vontades de coiso e tal.
    Só por curiosidade: pensando assim, como faziam os meninos para se libertarem dos desejos? Achavam que só as meninas da má-vida (umas corrompidas, certamente) é que lhes poderiam satisfazer os desejos? Nunca pensavam que as meninas eram iguais a eles?
    Talvez só com umas ideias um bocadinho mais românticas, tipo amor para toda a vida e príncipes encantados em cavalos brancos, mas que desaparecem rapidamente?
    E depois as meninas é que vivem em outro mundo...

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  4. Quando um grupo de mulheres que se conhecem bem e têm à vontade umas com as outras se juntam, e a conversa cai sobre o sexo oposto, é melhor que nenhum homem oiça! Tenho noção do que são homens e mulheres a falar uns dos outros, nas várias idades e penso que nós somos piores... É que as mulheres dizem exactamente o mesmo que os homens e juntam uma dose de raiva que penso não existir no outro lado, se é justificada ou não, não é para aqui chamado, porque daria um grande testamento...

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  5. Erros da juventude, sem dúvida, porque agora cometem-se outros, mais requintados talvez.

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  6. Um post que certamente faz..muitas pessoas recuar no tempo e...descobrir que as meninas e os meninos pensam de igual modo. Talvez as meninas sejam mais foitas que os moços.
    A mim tb me aconteceu e acontece esse sentimento de "espantamento" por não estar à espera de certas atitudes.Mas depois uma pessoa habitua-se....
    Nesta altura da humanidade penso que os papeis se inverteram.
    Parabens pelo post. Está excelente.

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  7. Jasmim: vou ali buscar um guardanapo para limpar a baba. Obrigado pelas tuas palavras. Quanto a banhos é que estamos pior, porque o trabalho é muito.
    Conchinhas

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  8. Sandra:É verdade que ainda há muitas situações como as que descreves. Mais que o desejável, mas as coisas mudaram, não achas?
    Bjkas para ti e para a Sofia

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  9. ângela: eram outros tempos. Talvez com mais romantismo do que agora ( estou-me a lembrar dum post que escreveu há dias), mas com um autêntico "muro social" a separar rapazes e raparigas. Naquela época, adolescentes de 14 ou 15 anos viam o mundo de uma forma muito diferente dos de hoje, por isso a resposta à sua pergunta levaria muito tempo a explicar. Mas acho qu ficaria surpreendida com a resposta...porque as meninas não eram tão ingénuas nem corrompidas quanto possa supôr e acho que o post deixa perceber...

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  10. Fada: Não percbo uma coisa: porquê raiva?
    Quanto ao tipo de conversas, no meu outro post sobre os pontos negros, creio que deixei entrelinhas o que penso.
    Ah! e fico à espera do testamento...

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  11. salvoconduto: estou de acordo consigo. Talvez agora as "canalhices" não sejam tão inocentes. Uma coisa é certa. nunca vi um miúdo a bater na namorada e hoje, é como se sabe...

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  12. Alegria: não digo que se tenham invertido. felizmente as mulhers librtaram a sua sexualidade, deixaram de a ver como tabu e de pensar que tinham de chegar ao casamento virgens. Mas numa coisa lhe dou razão: parece-me que muitos rapazes, hoje em dia, receiam se confrontados com alibertação sexual das raparigas. Não se sentem em posição dominante e assustam-se.

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  13. Muito haveria a dizer sobre este tema.
    O Carlos, tomou a inteligente e sensata opção de 'as' ver como iguais, mas a maioria optará, na maioria da vezes de 'as' ver como inferiores.

    Sem querer nunca generalizar, coisa que detesto e muito menos ofender o sexo oposto de quem muito gosto, os homens têm uma natureza mais cobarde que a das mulheres. Aquilo que não entendem, que não conhecem e que não sabem como enfrentar, preferem 'desligar', não dar importância, relativizar.
    Erro crasso!
    Devido a essa fatal falha de compreensão e de olhar a mulher como uma igual, é que ela evoluiu (com todos os defeitos que uma evolução pode ter)mais em 60 anos, que o homem desde a pré-história até aos nossos dias.

    Conheço até uns, que só mudaram mesmo de meio de transporte: trocaram os galhos das árvores, onde saltavam de ramo em ramo sempre aos berros, pelo carro, martelando buzinas e atirando impropérios pela janela aberta.

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  14. Pois eu, Carlos, tenho encontrado cada troglodita egoísta, de fazer perder a fé.

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  15. Errata: Só agora dei conta de que comentei com a conta de um blogue paralisado...

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  16. Mas era exactamente isso que queria que se dissesse sem "paninhos quentes".
    Eu sei como era há 15/20 anos atrás (quando eu era adolescente), e por isso mesmo gostava muito que me desse a resposta à pergunta que fiz.
    Talvez as surpresas fossem mínimas tanto para si como para mim...
    Se tiver um tempinho, aqui fica o pedido.

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  17. Patti: este assunto levar-nos-ia muito longe, sim. Se reparar nas respostas que eu dou aos comentários do salvo conduto, e do bomdia alegria, verá que partilho parcialmente a sua opinião. Mas estou tb de acordo com o que diz a minha amiga Sandra...
    Além disso, creio que as relações entre homens e mulhers, principalmente na adolescência, não se fortaleceu. Ouço muitas jovens dizer que os rapazes hoje são uns chatos, só pensam em cama e não sabem ter uma conversa. Constato isso com frequência. As raparigas são normalmente mais profundas, mais empenhadas e, acima de tudo, mais realistas em relação ao mundo que as rodeia. por isso, não posso deixar de assinar por baixo o que diz em relação à evolução de homens e mulheres.
    Conheço alguns exemplares dos trogloditas que refere e lamento a sua existência. Mas , como adulto, também lamento que muitas mulhers tenham perdido a feminilidade. Agora vou dizer uma coisa que, se calhar, vai achar uma monstruosidade, mas sabe que me choca quando sou visto como cota, pela simples razão de abrir a porta do carro a uma senhora,a deixar passar à minha frente quando atravesso uma porta ( não as dos retaurantes, claro..) ou procurar sempre dar-lhe a minha direita?
    Havia tanto a dizer sobre isto...
    Um dia publico aqui a "Carta à mulher portuguesa" que publiquei num Dia da Mulher".
    Talvez aí me consiga explicar melhor, sobre o que penso que se perdeu nas relações entre homens e mulheres, apesar de estarem mais próximos e mais iguais.

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  18. Carlos eu li os seus posts no dia internacional da mulher, ou já não se recorda que foi por aí que eu o comecei a comentar, através do post das mulheres de Darfur?

    Se uma mulher não gosta de ter ao seu lado um homem educado e com gestos de cavalheiro, então é porque não distingue boas maneiras de tratamento machista-protector.
    Nesse caso trata-se de uma versão feminina do troglodita que falou.

    Quanto aquelas mulheres que com a conquista da liberdade perderam a feminilidade (e muitas outras coisas), é uma das desvantagens da sua própria evolução e progresso que eu referi.
    Não se pode ter tudo, ganham-se algumas coisas e perdem-se outras. Faz parte.

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  19. Cristina: Tentando fazer um pouco de humor: fuja das árvores, porque como diz a Patti andam muitos homens pendurados nos galhos... e é preciso fugir deles.
    Agora mais a sério:há homens trogloditas, sim, mas há também mulheres que os incitam a sê-lo.
    Principalmente no norte ( vejo pelos meus amigos- não sei se leu um post que escrevi há dias sobre um almoço que tive com dois no Porto) os homens convivem mal com a ascensão das mulheres e recusam-se a aceitar que perderam a posição dominante.
    Os casos de violência de homens sobre mulheres que vêm cada vez mais a lume, são um exmplo de que a relação de forças, em muitas zonas do país, se mantém inalterável. Mas, como sabe, em Espanha não é melhor...

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  20. ângela:não se trata de uma questão de tempo, mas de espaço. Vou tentar ser breve. Quando era miúdo uma amiga minha, com 14 anos, ficou grávida para espanto de toda a gente. Foi um escândalo no Porto. Como é que ela, aluna exemplar, filha de uma das famílias mais emblemáticas da cidade naquele tempo tinha engravidado? O namorado ( com 17) não entrava em casa dela, eles só se viam dentro do nosso grupo de amigos, como era possível?
    Talvez lhe seja difícil imaginar as agruras que a miúda sofreu. Foi expulsa do liceu que frequentava, houve amigos e amigas que deixaram de lhe falar e principalmente as raparigas que continuram aser suas amigas eram igualmente mal vistas por um grande número de pessoas. Era o Porto no final da década de 60, mas era também o País que era assim.
    Personalidade forte, terminou o seu curso exerce uma actividade de destaque ( e mais não digo pois corro o risco de alguém a identificar...) e é uma das minhas maiores amigas. Das poucas amizades que me restam do Porto daquele tempo.
    Quanto ao rapaz, transformou-se num daqueles adultos trogloditas de que fala a Patti.
    Será que respondi agora á sua pergunta?

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  21. Carlos, eu vinha explicar-lhe o que é que pretendia quando lhe falei na componente da "raiva" das conversas que algumas mulheres têm em relação aos homens, mas a Patti pôs o dedo na ferida. Disse tudo aquilo que eu diria.

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  22. Patti: Então acha que eu me ia esquecer? Lembro-me perfeitamente e recordo-me do comentário. De qualquer modo a Carta de que falo foi publicada num jornal de Macau há uns anos e não aqui.
    Em relação às mulheres que não apreciam homns bem educados, claro que subscrevo.
    Mas é possível - e conheço bons exemplos- as mulheres manterem a sua feminilidade ( com tudo o que a palavra encerra de positivo...),sem porem em causa a sua evolução. Não creio que as coisas sejam incompatíveis.

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  23. Cá está...
    As diferenças são mínimas. Generalizando:
    A rapariga é que tinha feito a asneira (e não podia) e o rapaz acabava por ser um herói.
    E elas acabam por dar a volta por cima e eles acabam por se acomodar e serem pouco mais de nada...

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  24. Resolvi aceitar o convite que me endereçou, mas quando cá cheguei, já quase tudo tinha sido dito. Por isso, tentei colocar-me noutro ponto de vista: o de mãe de uma adolescente que gostaria de ouvir a opinião de "outras" na mesma condição. Concretamente, refiro-me aos aspectos que o Carlos realça nos jovens de hoje, quando responde ao "Alegria" e à "Patti", e mais alguns que me preocupam bastante.
    (Os "outros" não serão "mães", mas também podem comentar, claro!!)
    Mesmo arriscando a ser considerada "demodé", pergunto se essa libertação tão saudável e tão arduamente conseguida, não estará agora a cair no exagero, banalizando aquilo que com custo se conquistou; se não haverá um temor irresponsável de não serem "modernos" e se transmita aos mais novos uma educação libertina, ao invés de liberta; se, com isso, não se estenderá uma passadeira vermelha a potenciais predadores com "clubes de amigos virtuais", adicionados pelo "perfil" e por fotos mais ou menos ousadas; e, finalmente, mesmo com toda esta evolução, se não continuarão eternamente as mulheres a ser rotuladas e descartabilizadas, como consequência destas acções....

    Mais uma vez, abusei do espaço e da paciência, tanto do autor deste blog, como dos seus leitores (embora para o primeiro, já não seja novidade a minha falta de capacidade de síntese...); peço perdão pelo facto e se me quiserem "castigar" bastará que não liguem nenhuma às perguntas que deixei no ar....=)=)=)

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  25. Cecília: É sempre muito bem vinda a esta caixa de comentários. Quanto a capacidade de síntese estamos conversados... os meus posts são mais longos do que deviam, mas já me basta ter de me sujeitar ao espaço que me impõem nas revistas e jornais onde escrevo.
    As questões que coloca são pertinentes embora, como diz, sejam mais uma consequência das inovações tecnológicas, do que das relações entre jovens.
    Como não sou pai ( apesar de ter uma série de "netos", mas isso é outra história...) o que lhe poderia responder advém mais da visão que tenho do assunto, do que da experiência. Digo-lhe apenas que considero que oàs vezes os pais também são culpados, porque embora estejam preparados para orientar os filhos nas leituras, não têm a mesma preparação para os orientar na Internet.Admito, sem qualquer rebuço, que esteja a fazer juízos precipitados... de qualquer modo recomendo-lhe a visita a um site que aborda este asunto: "miudossegurosnanet"
    E já agora se a Patti, a Fada e outras que sejam mães ou pais quiserem dar a sua opinião, aqui fica o convite...
    Obrigado pelo comentário e volte mais vezes.

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  26. Carlos,
    embora ainda não tenha parado de rir com a sua maroteira ( e porque me lembra uma malandragem que uma vez fiz...), devo dizer-lhe que este post está fabulástico ( mistura de fabuloso com fantástico:))).
    A única coisa que me irrita na suposta igualdade entre os sexos, é o facto de por causa dela, alguns homens se esquecerem da boa educação e de gestos que nada têm a ver com a dita igualdade.
    Mas isso, meu amigo, nem no Porto nem em Lisboa: quando o chá não se tomou em pequenino, bem pode beber-se agora 5 litros por dia.
    O que o berço não deu, a terra não leva.
    beijinhos e veludinhos

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  27. Blue: mas o esquecimento dos homens, por vezes, é culpa das mulheres.
    Gente mal educada, existe em toda a parte. Não só em Portugal, mas em todo o mundo.
    Fico à espera que nos conte - aqui ou no Bluevelvet- a sua malandragem. Sou muito curioso!!!
    Conchinhas e beijinhos

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  28. Cecília e Carlos:
    Eu sou mãe de uma pré-adolescente de 12 anos.
    Qd falei nas conquistas que nós mulheres conseguimos em tão pouco espaço de anos, referi tb, que essas conquistas traziam muitos erros.
    Acho que são mesmo inevitáveis.
    O bom senso estará depois em aprender com eles e não em alimentá-los.

    Para mim está mais do que claro que a minha filha terá muito mais dificuldades em se afirmar por aquilo que é como mulher, com os valores que encerra dentro dela e por aquilo que vale como ser humano.
    Esta é uma geração da 'pouca coisa'. Tudo lhes é facilitado, antes mesmo de o pedirem: têm televisão e dvd no quarto mal nascem, telemóvel aos 8 anos, computador portátil aos 10, três game-boys, todas as consolas que saem para o mercado, um sem número de actividades extra-curriculares, horas e horas de tv e um acesso descontrolado à internet.
    Pouco se lhes exige, até as notas da escola são médias ou até mesmo medíocres. E o mais espantoso é que isso satisfaz muitos paizinhos, que ainda dizem: 'ao menos não tiveste negativa!'.
    São os próprios pais que colocam as fasquias baixas demais para os seus filhos. Como trabalham ambos e só chegam tarde da noite, a vontade, o interesse e o tempo, não são muitos. E sacrifício é uma palavra ultrapassada. Então é muito mais fácil ocupar os filhos com bens materiais, pedir-lhes que não tenham negativas, pois a nota 3 já é muito boa e dar-lhes uns euros para a mão para irem gastar no centro comercial ao fim-de-semana com os amigos que eles nem sequer conhecem.

    Claro que não somos todos assim, felizmente, mas cada vez somos mais. Para mim é facílimo constatar esta situação através das reuniões de turma, das conversas no MSN, nos nicks que os miúdos lá colocam, nas fotos e nos comentários do HI5, na forma como andam vestidos(despidos?).
    Tudo isto com o total desinteresse e aval dos pais.
    Os miúdos não dão valor a nada, porque tudo lhes é entregue de mão beijada.
    Estão habituados assim, é desta forma que são educados. É muito mais fácil ser permissivo e não iniciar uma discussão com um miúdo intransigente e mimado.

    Educar dá muito trabalho, muito esforço, muita paciência, muito sacrifício, muitas horas de conversa, muitos olhos bem abertos, muita esperteza sa nossa parte, muito fairplay, muito jogo de cintura.
    Hoje em dia, as conversas que os nossos pais tinham connosco aos 15-16 anos, temos de ter com os nossos filhos aos 10. Não, não estou a exagerar!

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  29. Apenas um reparo: não me refiro só às evoluções tecnológicas, mas também aos tais casos de violência entre namorados, de sexo permaturo e com múltiplos parceiros, à cultura da "bebedeira" e da "pastilha"...., tudo aquilo, enfim, que me parece, na actualidade, ser um abuso perpetuado às conquistas árduamente conseguidas, de respeito e igualdade e que sublinham a última questão que deixei no ar......

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  30. Patti: Não imagina a satisfação que me deu ler o seu comentário.

    Todos os dias luto contra os mesmos comportamentos instalados em pais e filhos, todos os dias apregoo, palavra por palavra, a sua frase:"Educar dá muito trabalho, muito esforço, muita paciência, muito sacrifício, muitas horas de conversa, muitos olhos bem abertos, muita esperteza da nossa parte, muito fairplay, muito jogo de cintura."

    Ao olhar em volta, cheguei, muitas vezes, a julgar estar a cometer um erro crasso na educação da minha filha, por me sentir, literalmente, a remar contra a maré...

    Ainda bem que encontro alguém que pensa como eu e que concerteza me permitirá acrescentar à sua frase o seguinte: "mesmo com todo este esforço, teremos sempre ainda que contar com o factor "sorte", "intervenção divina" ou o que lhe queiram chamar, que evite que lhes passe "uma coisinha má pela cabeça"....

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  31. Depois do que a Patti disse, e com que eu concordo em absoluto, não tenho muito a acrescentar, a não ser algumas coisas que penso serem úteis pelos seguintes motivos: os meus filhos têm 17 anos e são gémeos de sexos diferentes, o que me dá uma experiência também diferente. Foram educados com regras, proibições e condicionalismos vários, nunca fizeram, de modo nenhum tudo, o que queriam e nunca tiveram á disposição tudo o que a sociedade de consumo permite aos jovens, apesar de terem tido muito mais do que eu gostaria. Quando nasceram, não foram eles que se adapataram à nossa maneira de viver, fomos eu e o pai deles que nos adaptámos às imensas transformações que eles nos trouxeram, com tudo o que isso acarretou de sacrifício da nossa parte, e não foi pouco... Tiveram da nossa parte, tal como continuam a ter, toda a atenção do mundo, sem no entanto, terem tido todas as vontades satisfeitas, antes pelo contrário, e não foi fácil, sendo netos únicos, combater as ânsias do resto da família de os "encher" de supérfluos. Pela parte que me toca, mantive com eles uma relação muitissimo próxima e quando entraram na adolescência e começaram a fazer perguntas, foi a mim que se dirigiram, um de cada vez. O primeiro preservativo com que o meu filho contactou foi a mim que o veio pedir, assim como veio fazer perguntas muito precisas sobre relações sexuais, às quais eu respondi tão abertamente como ele precisava e com o mesmo à vontade que ele teve em vir falar comigo. Quando a minha filha fez o mesmo, tratei de lhe dizer o que gostaria que a minha mãe me tivesse dito a mim na mesma idade e foi comigo que teve a 1ª consulta de ginecologia para ser vacinada contra o cancro do colo do útero, que chegou tarde para nós, mas a tempo para ela. O mais interessante é que, sendo da mesma idade, recebendo a mesma educação ao segundo exacto, são diametralmente opostos, enquanto um é viviado na internet, tem um hi5 com centenas de contactos, vive no msn e já teve uma namorada arranjada por essa via, a outra nem quer ouvir falar do assunto. Ele, o que é viviado na net, foi por nós pais e pela escola, em que teve a sorte de ter óptimos professores, que foi informado de todos os perigos que lhe são inerentes, e está bem a par deles, o que já lhe foi útil e prova que os jovens nos dão ouvidos quando a mensagem é bem enviada. Com isto não estou, de modo nenhum a dizer que são jovens ideais, muito longe disso, tive e tenho exactamente os mesmos problemas que as outras mães, apenas tenho a noção de que, nos momentos importantes, sou a 1ª pessoa a quem recorrem porque sabem que a minha primeira palavra é de apoio e não de recriminação. E os problemas não têm sido poucos, mas se pudesse voltar atrás, mudaria certamente várias coisas, mas não mudaria todo o tempo que deixei de ter para mim para estar com eles e o ter dado exactamente a mesma educação aos dois. Uma coisa é certa, dá muito, mas muito mais trabalho educar do que deixar crescer à toa. No meu caso teve compensações.
    Há obviamente, o factor sorte e todos os imponderáveis mas, coincidência ou não, quase todos os pais que conheço que educaram com este tipo de regras e que também "remaram contra a maré" e muitas vezes foram gozados por isso, têm filhos bem integrados no mundo e de bem com a vida sem deixarem de ser jovens iguais aos outros. Jovens que sabem divertir-se numa discoteca sem apanharem bebedeiras de cair para o lado ou terem de pedir auxílio a drogas.
    Carlos, desculpe-me o abuso do tempo de antena.

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  32. Já muito foi aqui apresentado, confesso que não li os comentáris anteriores.

    Nasci após o 25 de Abril, e a minha educação foi um misto de educação "antiga" e "moderna".

    O que sei intuitivamente de ser mulher é que entre homens e mulheres havia (há) mais semelhanças do que diferenças (digo "há" porque a abordagem não pode ser de todo linear, não concorre para o assunto apenas a educação ou a cultura) e os homens foram "amestrados" a não o saberem, a não o descobrirem.

    (Caraças, este post está bom, podia ficar aqui a comentar durante horas!!)

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  33. Patti e Fada: Obrigado por terem aceite o desafio e dado o vosso contributo que, como foi notório, em muito contribuiu para aliviar a Cecília e lhe dissipara algumas dúvidas

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  34. Cecília:eu sabia que a Patti e a Fada iriam dar excelentes contributos para satisfazer as suas dúvidas. Não as conheço - a não ser do mundo virtual- mas sou leitor assíduo dos seus blogs. Vá lá dar uma espreitadela e vai ver que fica freguesa!

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  35. Thunderlady. "Caraças!" Faz um esforço e lê os comentários. Vais ver que vale a pena... porque há aqui excelentes contributos.

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  36. Obrigado a todos.
    Quanto às visitas, prometo fazê-las e com gosto.
    (Credo!! Um comentário tão pequenino?? Nem parece meu....)

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  37. Amei, amei, amei! Vou fazer referência no meu blog.

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  38. apple:obrigado pela visita e comentário. Também gostei muito da sua maçã( apesar de envenenada, espro que não me faça mal!)

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  39. Aqui está um post de ler e chorar por mais. Adorei!

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  40. Carlos, interessou-me muito este seu post e depois de tanta coisa dita, apenas lhe quero dizer que adoraria ler a sua "carta à mulher portuguesa" e que gostei muito de o conhecer um pouco mais.
    Realmente há muita coisa que se alterou mas ainda existem mulheres femininas e homens cavalheiros como já percebi que o Carlos é!
    Beijos

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  41. Quando adolescente encontrei respostas para as minhas dúvidas nos livros e tive mais conversas sobre a matéria com amigos do que com amigas.
    Gostei de ler o post e os comentários.

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  42. Uma canalhice que teve bons resultados, Carlos.
    Os meios não justificam os fins.
    Mas podem dar bons resultados, como foi o caso.

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