terça-feira, 20 de junho de 2017

Memórias em vinil (CLXIV)



E porque o Verão chega hoje, aqui fica um duo de respeito para lhe dar as boas vindas.
Boa noite!

Os imbecis

Ao longo da vida habituei-me a ver tantos casos como este, que já nem me espanto. 
De qualquer modo, parece-me muito oportuno dar a ler este texto a quem adora apontar culpados, mas nunca se vê ao espelho.
Por isso aqui fica o link, para que os meus leitores o possam divulgar.
E por falar em imbecis, permitam-me que recorde a notícia da queda de um avião em Pedrógão, a que todos os canais de televisão deram grande destaque.
Um deles até conseguiu a ixoproeza de identificar o piloto. Para todos os que andam a brincar ao jornalismo e às televisões, de  este notável texto de António Guerreiro sobre os vampiros que vivem à custa da desgraça alheia,

Não sou camaleão. Nem daltónico!

Embora possa mudar de opinião quando me provam que estou errado, nunca fui camaleão nem vira casacas.
Como jornalista, também nunca escrevi para agradar a qualquer governo ou governante. 
Por isso, o que escrevi aqui no domingo a propósito dos incêndios de Pedrógão Grande e indignou a Janita, não foi diferente do que escrevi em dezembro de 2003, na revista Cooperativas e Desenvolvimento do Instituto António Sérgio, em introdução a uma entrevista que então fiz ao presidente da FENAFLORESTAS:


"Quando a temperatura sobe e os incêndios começam a deflagrar por todo o País, a floresta salta para as primeiras páginas dos jornais, torna-se notícia de abertura  de noticiários e assume o papel de protagonista em programas de televisão preparados à pressa. Depois, com a chegada do Outono e o aparecimento das primeiras chuvas, a floresta volta ao anonimato, refugiada num canto esconso dos camarins dos serviços informativos. É assim há anos. Há demasiados anos...
Os devastadores incêndios do último Verão, pela sua violência e extensão,  não deixaram ninguém indiferente. Vimos um País - de súbito apiedado e atónito  perante os cenários dantescos que as televisões lhes ofereciam em exaustivos directos- responder de forma solidária aos incansáveis apelos da comunicação social, para apoiarem as vítimas que, no curto espaço de umas horas, viram destruído o labor de muitos anos.
Terminada “oficialmente” a época dos fogos, não vale a pena  perder-nos em querelas inúteis, tentando apontar a dedo os responsáveis, ou discutindo a forma como tudo poderia ter sido evitado.
O importante, nesta fase de rescaldo das consciências, é não deixar apagar das nossas memórias o rasto de desolação que se estende pelo País . O que vale a pena é tudo fazermos para evitar que no próximo Verão o cenário se repita, pensando na floresta como um bem comum e cuja destruição a todos afecta".
 Já agora, para quem estiver interessado, deixo  o resto do artigo onde se dão algumas dicas sobre a forma de preservar as florestas


" E se as cooperativas forem a solução?"

FENAFLORESTAS QUER MAIS SENSIBILIZAÇÃO...
Sabemos que em Portugal 8 por cento da área florestal é constituída por  baldios na posse do Estado e mais de 90 por cento está nas mãos de proprietários individuais ( são cerca de 500 mil!), muitos dos quais não têm qualquer interesse na sua exploração. Foi precisamente esta situação que serviu de ponto de partida para a conversa que travámos com o Presidente da  FENAFLORESTAS, estrutura que agrega três cooperativas florestais e cerca de 19 mil produtores individuais.
Defensor acérrimo do cooperativismo como forma de ajudar a resolver os problemas com que se debate a floresta portuguesa, Ricardo Ferreira Dias preconiza “ uma intervenção do Estado, no intuito de sensibilizar os proprietários a associarem-se. Neste momento as cooperativas florestais são mal tratadas pelo Poder e ignoradas pelas populações, porque  falta formação e informação aos proprietários sobre o cooperativismo e as formas como as cooperativas podem contribuir para a resolução dos problemas da floresta. Há parcelas tão pequenas, que a sua exploração pelos proprietários não é rentável, mas se um conjunto de pequenos proprietários se organizar ou entregar a gestão das suas parcelas às cooperativas, há maior racionalidade e rentabilidade, porque se reduzem os custos de exploração e manutenção ”.
Mas não esbarrará essa pretensão no individualismo dos portugueses? Embora reconhecendo essa nossa característica ancestral , o presidente da FENAFLORESTAS  acredita que “ uma boa campanha de sensibilização pode levar muitos pequenos proprietários a organizarem-se em cooperativas, em vez de deixarem as suas parcelas ao abandono”. E para os mais renitentes, aponta uma receita: “ devem ser obrigados a ceder os seus terrenos para o domínio público, ou a entregar a sua gestão a cooperativas. Neste caso, manteriam a posse dos terrenos, mas  a  gestão seria assegurada pela cooperativa. Cada associado ficaria com uma conta corrente  com a cooperativa e poderia pagar a prazo as despesas efectuadas, através da venda dos produtos. Isso, porém, exigiria que o Estado garantisse às cooperativas o financiamento necessário. No caso de o Estado optar por ficar com a posse administrativa dos terrenos, entregaria a sua gestão às cooperativas e seria ele a pagar as despesas...”

... E APOSTA NA GESTÃO DA FLORESTA
A opção do Estado Novo pelo pinheiro bravo foi um erro, porque é uma resinosa altamente combustível e com a emigração dos anos 50, 60 e 70, essas áreas ficaram ao abandono e o risco de incêndios aumentou. Há também quem questione as vastas áreas de eucaliptal Em que medida é que a cooperativização da floresta, poderia contribuir para uma racionalização da produção florestal, pondo as coisas na ordem?
“ Em primeiro lugar, as cooperativas poderiam fazer ordenamento por regiões, que é algo que não existe, de modo a podermos criar uma gestão sustentada das florestas o que significa, entre outras coisas, adequar a floresta à necessidades do País e aos interesses da indústria nacional, tendo sempre em atenção as características de cada região. Isto só pode ser feito a nível local e não a partir de Lisboa, por pessoas que desconhecem as realidades locais. Eu não sou contra o eucalipto, mas defendo que em vez de extensas áreas de monocultura deveria haver explorações mistas, de várias espécies, porque isso ajuda a controlar os incêndios. E que ninguém duvide que se for decidido avançar já para o ordenamento regional, tem que ser dada às cooperativas uma maior capacidade de intervenção a nível de gestão da floresta. Por outro lado, as cooperativas podem ajudar a criar um conceito novo de cidadania perante a floresta, incutindo nas pessoas a noção de que todos têm obrigação de a defender, porque todos beneficiamos dela”.
Mas adequar a floresta aos interesses da indústria não pode ser um risco, nomeadamente em termos ambientais?
“ O ambiente é muito importante, mas a floresta não se pode subordinar exageradamente aos interesses ambientais. Temos de ser inovadores e criar novos conceitos de floresta para fins industriais, ambientais, cinegéticos, paisagísticos ou de lazer, mas sempre numa perspectiva  de melhoria dos  recursos económicos, que beneficiem o País.”
Todos os anos, em época de fogos, é inevitável falar-se muito na necessidade de prevenção. Quisemos, por isso, saber quais as medidas que a FENAFLORESTAS preconiza.
“ Mais do que preconizar, nós sabemos como agir”- começa por referir Ricardo Ferreira Dias. “ A prevenção deve ter início no Inverno , criando condições para que não haja fogos e não seja necessária a intervenção dos bombeiros no seu combate. Nós sabemos que a prevenção sai muito cara, mas se fossem criadas condições para isso, nomeadamente a nível financeiro, as cooperativas podiam rentabilizar melhor os investimentos que o Estado faz em termos de prevenção. Com  condições para fazer uma boa gestão, as cooperativas podem aproveitar o Inverno para fazer a desmatação e limpeza, criar acessibilidades, aceiros naturais e pontos de água para abastecimento dos bombeiros e, no Verão, aproveitar essas pessoas para funções de fiscalização e vigilância.”
Mas a FENAFLORESTAS tem outras propostas para fazer. Como exemplos, Ricardo Dias aponta a necessidade de um Código Florestal  e de um inventário “credível e actualizado para saber o que temos, o que devemos plantar e onde”. O cadastro permanente de todas as explorações ( já foi publicado o diploma que prevê a sua  actualização) é outra medida essencial “ para partirmos para os Planos Regionais de Ordenamento Florestal.” Admitindo que é um dado adquirido que a certificação vai avançar, o Presidente da FENAFLORESTAS deixa no ar um desafio: “ Quando foi feita a certificação das vinhas, foi o Estado a suportar os custos, mas em relação às florestas nada está definido. Porque é que não dão às cooperativas condições para fazer essa certificação?”
Os problemas da floresta não acabam por aqui, mas Ricardo Ferreira Dias sabe onde começam e aponta o dedo ao facto de “estarem dependentes de 5 ou 6 Ministérios. Isso é um erro...  é necessário voltar a criar uma Secretaria de Estado das Florestas que coordene todas as medidas relativas às florestas, porque assim ninguém se entende e quem perde é o País”.
Talvez tenha chegado o momento de repensar o papel a desempenhar pelas cooperativas florestais e de criar condições para que a solidariedade dos portugueses, sempre presente na hora de lamber as feridas, se manifeste também, no momento de pensar em evitar as tragédias. As cooperativas dizem estar preparadas para dar um passo nesse sentido. Quem estará interessado em aderir às suas propostas?"

Caderneta de cromos (60)


Não estou com muita pachorra para escrever sobre imbecis, mas não podia perder a oportunidade de enriquecer a Caderneta de Cromos com esta triste figura.
O homem sempre foi pessoa pouco recomendável mas, com a idade e a aproximação a Seguro, tem-se tornado mais cretino. 
O PS começou por despachá-lo para Bruxelas, para não empestar os ares do Porto, mas o homem tem recaídas e chamou cigana a uma camarada sua, por discordar das opiniões dela.
Xenófobos,  homofóbicos e racistas não podem ser tolerados em partidos democráticos. Espero, por isso, que o PS expulse rapidamente Manuel dos Santos e o deixe a falar sozinho com o Twitter.
Também ficava melhor numa pocilga do que em cadernetas de cromos, mas o energúmeno Manuel dos Santos entrará para esta caderneta com a cara coberta de caca, porque vive na mesma latrina onde se acoitam outros eurodeputados.