segunda-feira, 29 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXLV)


Tive uma verdadeira paixão ( musical, entenda-se) por Rita Lee. 
Tenho quase todos os seus discos ( só de Françoise Hardy tenho a discografia completa) e passei este fim de semana a ouvi-los. 
Tal como acontece com Françoise Hardy, também as melhores canções de Rita Lee  estão ligadas a momentos marcantes da minha vida. Tive grande dificuldade em escolher uma canção. Por isso, escolhi duas.

"Desculpe o auê"...


E o mais cantado e reproduzido " Banho de Espuma" do Planeta



Tenham uma boa noite e excelente semana!

Madonna at Parolândia


Nos últimos dias sucederam-se os avistamentos de Madonna em Lisboa e arredores.
A notícia deixou os fãs eufóricos, pois Madonna ainda não tinha aparecido em público desde que anunciou, em dezembro de 2016 que iria entrar em hibernação, recusando-se a divulgar a data  do regresso.
É um orgulho para Portugal que Madonna tenha escolhido Lisboa para o seu regresso e o tenha divulgado profusamente no Twitter.
Quero porém  informar Inês Pedrosa,Raquel Varela, Joaquim Vieira e Rodrigo Moita de Deus que o avistamento do encerramento dos Jerónimos para que Madonna pudesse visitar tranquilamente o mosteiro foi apenas uma visão. Quiçá similar à dos pastorinhos em Fátima. Efectivamente, Madona visitou o mosteiro sem ter de se misturar com o povo (que ela adora, à distância, desde que esgote os concertos) mas a visita foi depois de encerrarem as portas e a guia foi a própria directora. Gostaria de saber de quem foi ideia tão parola, mas não consegui apurar ( apesar de ter uma ideia)...
Mais parola e embasbacada, demonstrativa do deslumbramento pacóvio transversal à sociedade tuga, foi o pedido de audiência de Fernando Medina que se deslocou ao Ritz para um encontro com a Diva. E não colhe o argumento de que a publicidade gratuita junto dos 9 milhões de seguidores de Madonna valeu a atitude pacóvia e subserviente do presidente da câmara de Lisboa.
ADENDA: Eu sei que Israel também mandou cortar centenas de amendoeiras e devastar um parque de estacionamento, para que Trump aterrasse com a sua comitiva, mas o Presidente dos EUA visitou Israel para manifestar aos israelitas que estava disposto a ajudá-los a exterminar os palestinianos.

A greve da Função Pública


A greve da função pública da última sexta-feira saldou-se no fracasso habitual. 
Apesar de ser sexta-feira e convidar ao prolongamento do fim de semana, apenas nos hospitais, escolas e tribunais a greve teve uma adesão significativa.
Apesar de terem sido dos trabalhadores mais sacrificados do país, nem durante o período da crise, quando o governo dos piolhosos, digo, pafiosos, os usava como bodes expiatórios da despesa do Estado, os funcionários públicos foram capazes de se unir, fazer greve e sair à rua para mostrar aos portugueses que o governo os andava a enganar.
Já aqui escalpelizei, diversas vezes, as razões da fraca adesão dos funcionários públicos às greves, mesmo quando elas são motivadas por causas justas, como foi o caso desta. Não vou, por isso, voltar a abordar o assunto. 
Importa no entanto dizer que tanto funcionários públicos, como sindicatos, sabem que os problemas da função pública não se resolvem com aumentos de salários. O problema é profundo e, um dia, alguém vai ter de o encarar de frente. 
Longe vão os  tempos em que ser funcionário público era um orgulho e quem trabalhava nos serviços públicos sentia que estava a trabalhar para a comunidade e a ajudar o desenvolvimento do país. Foi nesse período, pós 25 de Abril, que entrei para a função pública e durante alguns anos trabalhei arduamente, sem reclamar fins de semana nem horas extraordinárias. 
Depois a função pública começou a engordar para os lados. Que quero dizer com isto? Que, fruto da pressão de grupos de interesse foram criados organismos, comissões e outras aberrações, apenas para agradar a uns, dar emprego a outros, ou mostrar ao país e à Comissão Europeia, que o Estado se preocupava com todos os aspectos da vida quotidiana.
 Esta “peocupação” , não raras vezes, tinha como retorno subsídios europeus ( provenientes de fundos comunitários e de instituições europeias)  bastante apetecíveis. O problema é que muitas  vezes eram subsídios apenas de incentivo, para instalação dos organismos.  Quando começavam a desempenhar o seu papel havia sempre lugar para mais um amigo ou filiado ( normalmente no Centrão)  mesmo que não houvesse trabalho para lhe dar.
Estes microrganismos  são o grande cancro da função pública. Impedem-na de crescer no sentido correcto, isto é, de dotar com pessoal especializado as áreas onde são necessários mais recursos para satisfazer as necessidades da população ( ex: educação, saúde, segurança social, justiça ou finanças)  e arregimentam uma parafernália de “indiferenciados” cuja mais valia para a população é praticamente nula.

Enquanto existirem organismos que não têm qualquer razão de existir e só servem para ficar na fotografia, dir-se-á sempre que o Estado está demasiado gordo e precisa de emagrecer. É mentira. Há muitos organismos que  não podem desempenhar em pleno as suas funções por falta de pessoal. Infelizmente, não é possível reafectar a esses organismos mais úteis à população, a maioria dos funcionários que gastam o tempo nesses microrganismos e comissõezecas imprestáveis, porque muitos deles são funcionários políticos encapotados que nunca se habituarão a trabalhar em prol da sociedade. 
A reforma do Estado, de que tanto se fala, obrigaria ao despedimentos de muitos milhares de funcionários públicos imprestáveis.  Ora nem  esses funcionários públicos querem colocar em risco a sua renda vitalícia fazendo greve, nem os governos  têm coragem de fazer uma reforma profunda, porque não querem comprar uma guerra com os sindicatos.
E assim, nesta paz podre, todos ficam satisfeitos.  Os que  apenas  querem uma vida regalada e manter o seu emprego, os sindicatos que mostram a sua força e os governos que embolsam umas boas maquias por cada dia de greve.
Os únicos insatisfeitos são os que trabalham em organismos vitais que precisam de mais gente para cumprir a sua tarefa e as pessoas a quem  as greves atrapalham a vida porque nesse dia tinham uma consulta marcada, eram intervenientes num qualquer processo ou, simplesmente, tiveram de tomar conta do filho, porque a escola não abriu.