sábado, 20 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXVIII)

Como prometido, as noites de sábado são sempre preenchidas com memórias bem românticas.
Esta semana trago-vos um dueto e uma canção inesquecíveis. Peabo Bryson e Roberta Flack  cantam " Tonight I celebrate My love".
Celebrem e aproveitem a noite o melhor possível.

"O Coelho Mau"



Na sequência do post anterior, recordo os leitores que ao contrário de outros anos, em 2017 não há nenhum filme português na Selecção Oficial de Cannes, mas serão apresentados três na Quinzena dos Realizadores e um na Semana da Critica.
Nesta paralela, será exibida a curta metragem “O  Coelho Mau”. 
O título é de meter medo ao susto e a sinopse adverte que "muitas vezes é preciso um intermediário para nos mostrar as coisas com clareza".  
Quanto à história, centra-se na relação conflituosa entre dois irmãos, uma mãe ausente e o seu amante. Felizmente não há referência a um pai  saudoso do fascismo.

Em Cannes com a Brites





Começou esta semana mais uma edição do Festival de Cinema de Cannes. 
Longe vão os tempos em que o  festival marcava o início de uma boa temporada em França. Terminado o festival seguia para o GP do Mónaco e, semanas mais tarde,  rumava a Paris para fazer a cobertura de Roland Garros.  Houve um ano em que cheguei a fazer uma “perninha” no Tour de France,  durante uns dias, para substituir um  camarada  sul americano que adoecera.
Já estava cansado de automóveis e de ténis, mas Cannes é ainda hoje  uma saudade. Gostaria de lá estar  este  ano. Não sendo possível, tenho  esperança de lá estar no próximo,  por minha conta e risco.
Por agora limito-me a recordar um dos apontamentos que a Brites  escreveu em 2010, sobre a minha presença na Meca do cinema europeu.
Aqui vai:
Cannes, 20 de Maio de 2010
Olá ! 

Aqui estou eu na Croisette, esvoaçando de um lado para o outro, a ver as celebridades que por cá vão passando.
Nunca vi tanto jet set junto e ao vivo! Depois destes dias aqui em Cannes, ler as revistas não vai ser a mesma coisa. Espero aparecer em algumas, porque tirei fotografias com tudo quanto é finaço… Ainda há bocado estive quase a poisar nos braços do Javier Bardem, mas um segurança veio furioso em direcção a mim, com tanta energia, que me pisguei num bater de asas.
O Carlos está a fazer uma entrevista à Penélope Cruz. Nem imaginam como o coração dele bate desde ontem de manhã. Até parece que nunca veio a Cannes! Hoje de manhã, enquanto eu tomava o pequeno almoço, vi-o a apinocar-se. Parecia que ia para um encontro amoroso. Pôs tanto perfume, que creio que a pobre da Penélope vai fugir assustada quando ele se aproximar dela. Coitado, não se enxerga. Quanto mais velho, mais trolaró fica, mas parece que isso acontece com todos os homens e é por isso que alguns, quando as mulheres chegam aos 50 anos, a trocam por duas de 25.
Parece que há dias houve aqui um temporal tão grande, que fez “O Pesadelo em Elm Street” parecer um musical da Broadway, mas acho isto muito bonito, apesar de uma cotovia espanhola que encontrei ontem à tarde me ter dito que só vale a pena cá vir durante o Festival. Sabem o que é que a marada me disse? Que fora desta época Cannes parece a Quarteira! Deve ser parva…
Voltando ao Festival, devo dizer-vos que nos bastidores se discute mais política do que cinema. Desde um ministro italiano a tentar proibir a exibição de um filme, até à greve de fome que o realizador iraniano Jafar Panahi decidiu fazer depois de ter sido preso em Teerão, tudo é motivo de conversa . O Godard também resolveu meter a colherada. Depois de ter defendido que a Suiça devia desaparecer como País, deixou os jornalistas pendurados e não apareceu na sala de imprensa, após a exibição do seu filme “Socialism”. Mas como é que ele podia aparecer se decidiu não vir a Cannes? Mandou um fax ( ele tem 79 anos, se calhar ainda não sabe que existem e-mails e telemóveis) a dizer que “problemas do tipo grego” o impediam de estar presente porque, embora para estar em Cannes estivesse disposto a ir até à morte, não queria dar nem um passo mais para além disso. Não perde o humor este magano!
Eu consegui ver o filme escondida nas penas do chapéu de uma velhota muito pintada, mas cheia de glamour, que deve ter entrado de penetra . Gostei muito. Aqueles dois papagaios de cabeleira vermelha que entram no filme, são umas brasas, só vos digo! As pessoas riram-se muito durante o filme, mas eu não consegui perceber onde estava a graça. Até me pareceu um filme bastante triste, devo confessar, porque também entravam dois gatos e eu estive sempre à espera do momento em que eles iam filar os papagaios. Quando contei isto ao Carlos ele riu-se e disse que eu não tinha percebido nada do filme, mas eu não liguei, porque ele tem a mania que só ele é que é inteligente.
Só para terminar, quero dizer-vos que ouvi umas conversas sobre o filme do Manoel Oliveira que foi aplaudido de pé, mas quem deixou a população masculina cheia de torcicolos foi a nossa ministra da cultura. No restaurante do Majestic, ouvi dizer que este ano não passou por lá ninguém com tanto glamour como Gabriela Canavilhas. Com uma ministra assim, ninguém de perfeito juízo se atreve a propor o fim do ministério da cultura!
Agora tenho de me ir embora, porque a Internet está cara e já gastei parte dos créditos do Carlos. Espero que ele não repare, senão lá me vai ameaçar mais uma vez, de que um dia acabo no tacho. Mas quem é que gosta de carne de cotovia? Bem , vou-me pirar, porque vem ali um laverca em voo picado e eu hoje não estou para essas coisas. Passem bem, até ao meu regresso, e não estranhem se o Carlos não vos visitar nos próximos dias, porque ele anda muito entusiasmado com o jet set. Ontem garantia que tinha visto a Angelina Jolie. Só quando o vi a ler “O Monge Negro” do Tchekov é que percebi que estava com alucinações.