quarta-feira, 17 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXV)


Este enorme sucesso de  George Michael não poderia ser esquecido nestas memórias.
Boa noite

À mesa com... Salvador Sobral



Aviso prévio: o título deste post é um embuste. Não almocei com Salvador Sobral, como o título pode sugerir.

Hoje almocei sozinho num restaurante do Monte Estoril. Como acontece sempre que estou sozinho levo alguns jornais para fazer uma leitura mais atenta e criteriosa do que aquela que faço on line.
Minutos depois de me sentar chegaram dois funcionários de um banco, acompanhados de uma terceira pessoa que - mais tarde viria a saber- trabalha numa imobiliária.  
Sentaram-se na mesa ao meu lado. Os funcionários do banco, meus conhecidos, cumprimentaram-me. Retribuí e continuei a ler os jornais.
A determinada altura ouvi  um dos bancários dizer: 
- Aqui o doutor, que é jornalista, é que deve saber tudo. Não é, doutor?
Estava completamente alheado da conversa que se travava ao meu lado e perguntei:
- Não é o quê?
Entreolharam-se os três - perplexos ou incrédulos por eu não saber de que estavam a falar?- até que um, finalmente, pareceu ganhar coragem para quebrar o embaraçoso silêncio.
- Estávamos aqui a falar sobre o tipo que ganhou o Festival. Parece que ontem disse numa entrevista que gosta de seres humanos, sejam eles homens ou mulheres e aqui o F... ( o funcionário da imobiliária) diz que ele é gay. O doutor  que é jornalista é que deve saber.
- Sou jornalista mas não escrevo para revistas de mexericos- respondi secamente. Mas já agora, porque é que dizem que ele é gay?
- O doutor desculpe, mas um tipo que  ninguém conhecia, ganha a eurovisão e  depois dá entrevistas a dizer que o que mais lhe interessa é analisar os seres humanos, sejam homens ou mulheres está mesmo a querer dizer que é maricas. Ou pelo menos dá para os dois lados,  não lhe parece? - retorquiu o da imobiliária.
- Não, não me parece- respondi de cenho fechado. Eu também gosto de analisar os seres humanos independentemente dos sexos. Para mim, o importante, são as conversas que   têm.
( Quando acabaram de almoçar um dos funionários bancários , gestor da minha conta, ficou deliberadamente para trás e , em surdina,abordou-me  pedindo desculpa pela conversa do amigo que rotulou de machista. Sinceramente não sei o que desprezar mais. Pessoas  que não  assumem as suas posições, sendo capazes de trair os amigos, ou gente mesquinha para quem, mais importante do que a vitória de um português, é saber a sua orientação sexual).
Pois é, Salvador. Tu ganhaste para as pessoas que  te foram esperar ao aeroporto com um entusiasmo que me fez lembrar a recepção à Simone, umas décadas atrás, mas também para este povinho de merda que lá fora é capaz dizer , orgulhoso, " sou português, da terra do Cristiano Ronaldo, do Eusébio, do Carlos Lopes ou da Rosa Mota" mas em Portugal, quando fala dos seus ídolos tem o especial gozo de expressar  a sua inveja pelo seu sucesso, apelidando-os de" bichas e fufas".

Um terrorista na sala de brinquedos



Anda o mundo inteiro em sobressalto por causa do terrorismo e  eis que o povo americano elege como inquilino da Casa Branca, Donald Trump.
Eu já sabia que o  homem pode fazer mais mal ao mundo do que um milhão de atentados terroristas, mas ele faz  questão de o provar quase diariamente. Seja pressionando os tribunais ou demitindo altos dirigentes que se recusam a  violar os seus deveres para lhe agradar, seja  ainda a mostrar a sua faceta xenófoba e homofóbica, ou convidando ditadores para a Casa Branca, Trump faz gala de demonstrar ao mundo que faz o que lhe apetece, incluindo ignorar as regras da democracia que ele quer impor ao mundo.
A última aberração do presidente que olha para a Casa Branca como a sua Sala de Brinquedos, foi compartilhar com o ministro dos negócios estrangeiros russo, Sergei Lavrov, informação de alta segurança que nem os aliados da NATO conhecem. 
No Twitter o terrorista americano, eleito presidente, diz que tem todo o direito em fazê-lo. Pois... ESSE é que é o problema!

Em tempo: Confirma-se que o director do FBI foi demitido por Trump, porque recusou suspender a investigação sobre as ligações de Flynn à Rússia.
Num país civilizado e democrático, o processo de impeachment de Trump ter-se-ia iniciado hoje mesmo, por proposta do partido que o apoia- o Republicano.
Infelizmente, é cada vez mais perceptível que os EUA estão num processo civilizacional regressivo, que adultera, ou mesmo elide, a palavra democracia do léxico político.