terça-feira, 16 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXIV)


Ontem recordei aqui Stevie Wonder. 
Hoje recordo outro grande sucesso seu, mas na versão brasileira cantada por Gal Costa. Faz-me pele de galinha.
Boa noite!

Era uma vez em Alexanderplatz...



Estivesse eu a viver na Europa em Novembro de 1989 e teria corrido para Berlim a tempo de ver o desmoronar do muro que dividia a Europa. Teria tirado algumas fotos, improvisado a selfie possível naquela época, com a Yashica recém comprada em Hong Kong e atravessaria o muro  pela porta de Brandenburgo. Depois desceria a vetusta avenida  Unter den Linden e precipitar-me-ia para Alexanderplatz, a praça de Berlim que não me saía da cabeça, desde que lera o belíssimo romance de Alfred Doblin.
Por essa época, porém, eu vivia em Macau e o distanciamento, em vez de me aguçar o desejo de correr para Berlim, permitiu-me racionalizar o que estava a acontecer a 13 mil quilómetros de distância.

Trump e as florzinhas de estufa



Um humorista americano, cansado dos ataques  de Trump à comunicação social que não lhe lambe o rabo, despejou a sua ira insultando o presidente americano.
 O busílis está no facto de Stephen Colbert  ter dito que “ a única utilidade da boca de Trump é servir de coldre ao pénis de Putin”.
Compreendo a reacção indignada dos adeptos de Trump, exigindo de imediato o despedimento do humorista.
Aceito a indignação de alguns que consideram ter  sido um insulto que ultrapassou os limites da decência.
Não posso é aceitar, nem compreender, que a esquerda americana ( seja lá o que isso for) reaja como florzinhas de estufa e se junte aos adeptos de Trump para  exigir à CBS o despedimento de  Colbert, por considerar o insulto... homofóbico!
Então se o coldre do pénis de Putin fosse a boca de uma mulher ( Hillary Cliton, por exemplo) o insulto já era aceitável, porque não era homofóbico?
Estou cansado destas florzinhas de estufa que nos querem impor  um vocabulário  anódino, assexuado  e politicamente correcto.
Estou fartinho desta intelectualite da “guerra dos sexos” que reage com mais veemência a um insulto deste teor, do que às piadas que Trump  fez com um jornalista deficiente.  
Já não suporto esta maralha asséptica, tristonha e infeliz, que reclama liberdade de expressão, mas quer colocar barreiras ao humor.

Apetece-me dizer-lhes “vão bardamerda, c§r*£«o” e regressem aos úteros das vossas mãezinhas, de onde nunca deviam ter saído.