quarta-feira, 10 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXIX)


Em 1983 o vencedor  do Festival da RTP foi Armando Gama com "Esta Balada que te dou". 
O Festival foi apresentado por Valentina Torres e ficou marcado pela paixão tórrida entre a apresentadora e o cantor autor, que culminaria num casamento então muito badalado.
No Euro festival, que em 1983 se realizou em Munique, confirmou-se a tendência de as canções vencedoras não ficarem para a história. A vida pode ser um presente, mas alguém se recorda de Corinne Hermès que interpretou a canção vencedora- "Si la vie est un cadeau"- em representação do Luxemburgo?




Assunção Cristas e a síndrome da pe(s)cadora

Lá em casa tenho uma deste tamanho!

Há dias  governo anunciou a abertura de meia dúzia de estações de metro em Lisboa, até 2022. 
Quando li a notícia torci o nariz. Apesar de considerar as novas estações essenciais para uma nova mobilidade em Lisboa, parece-me demasiado ambicioso  conseguir atingir o objectivo nos prazos anunciados.
Estava enganado. Ontem, durante o debate na AR, Assunção Cristas reclamou a abertura de 20 novas estações de metro.
Se o ridículo matasse, Assunção Cristas tinha morrido ontem. 
Se tivesse vergonha na cara, teria saído do plenário de cabeça baixa e a pedir desculpa aos lisboetas, quando António Costa lhe lembrou que, enquanto foi ministra, o metropolitano de Lisboa perdeu 100 milhões de passageiros.
Haja pachorra para os constantes exageros desta mulher que sofre de síndroma da pe(s)cadora. Além de exagerar no tamanho das pescarias, confunde as estações de metro com as do comboio eléctrico que tem lá em casa.
Eu já tinha avisado Cristas que Passos Coelho não era boa companhia e devia arranjar novos amigos que não tivessem comportamentos excêntricos.  Avisei-a, ainda, que começar a snifar aos 40, com aquela numerosa prole para criar, não era boa ideia, mas Cristas não me ouviu e agora dá estes tristes espectáculos.
"É ambição e rasgo"- diz ela.

A morte saiu à rua

" (...)o jornalismo, que devia ser, e já foi, uma referência em forma de caução, é a miséria que por aí se vê. Mais cedo do que tarde terá de proceder a um mea culpa; mas nem assim arredará as gravíssimas responsabilidades que lhe cabem no desrespeito geral.
Viver em conjunto precisa de conflito, de polémica, de emoção. E da construção de um elo plural, com valores que desenvolvam o sentimento de pertença e de diferença. Todos estes padrões têm sido desprezados, com proficiência, por políticos manifestamente de segunda ordem e por jornalistas de adiantada mediocridade, agigantado ego e gramática fugaz.
O escabroso espectáculo no Parlamento, fornecido por Mário Crespo, José Manuel Fernandes e Felícia Cabrita, tidos como apreciáveis jornalistas (enfim: a estimativa não é generalizada, bem pelo contrário) desacreditou, ainda mais, o já azarento ambiente em que vive a Imprensa(...)"
(Misérias portuguesas: Baptista Bastos, DN, 24 de Fevereiro de 2010)


Foi um dos maiores vultos do jornalismo do século XX e um escritor notável, que tratava as palavras com invulgar mestria.
Mestre da escrita, servidor do jornalismo, sem nunca se servir dele,muito me ensinou quando tive a honra de trabalhar com ele no semanário " O Ponto"
Tal como muitos outros jornalistas da "velha guarda" e rija têmpera, andava desiludido com o jornalismo e as suas relações espúrias com a política. Muitas vezes manifestou o seu desagrado em crónicas incisivas e mesmo truculentas. Como o demonstra o extracto que acima publico.
Nos últimos anos assumiu-se claramente mais com escritor, do que jornalista. Deixou-nos magníficos livros que, infelizmente, não tiveram a repercussão e divulgação merecida. 
Não só pela fina qualidade da escrita, mas também pelas histórias que narrava, Baptista Bastos tem um lugar reservado na História da Literatura Portuguesa.
 Foi  com o BB escritor que "conheci" uma certa  Lisboa e é com ele que frequentemente a percorro. Contada pelos seus dedos. Um  magnífico livro de crónicas mas apenas um dos muitos que nos deixou, com a escrita burilada a que nos habituou.
Que descanses em paz,  Mestre, Amigo e Camarada.