sexta-feira, 5 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXV)

Para terminar a semana trago-vos uma bela canção e um  excelente filme. 
Tenham um bom fim de semana

A birra do menino Ruizinho



Rui Moreira, candidato "independente" à câmara do Porto com o apoio do CDS e do PS, não gostou que Ana Catarina Mendes, numa entrevista àquela coisa on line chamada Observador, tivesse  dito que uma vitória de Rui Moreira seria também uma vitória do PS. Vai daí, reuniu o seu "staff" e decidiu prescindir do apoio dos socialistas.
À partida a reacção do autarca portuense parece  absolutamente legítima. Ana Catarina Mendes comportou-se como uma "novata" da política ao reclamar os louros de uma vitória de Rui Moreira.
Só que nem sempre o que parece é. 
Rui Moreira andava, há muito, incomodado com o apoio do PS, pois temia que lhe estivesse a retirar votos  no seio da sua verdadeira família política- o CDS- e em  franjas do eleitorado do PSD descontentes com a escolha do partido.
 A  entrevista de Ana Catarina  Mendes caiu, assim, como "sopa no mel". Armou-se em duro - o que muito agrada à sua base de apoio-  fingiu uma birra e demarcou-se do PS, mas manteve as pontes com o seu nº2 na autarquia, Manuel Pizarro. Com este jogo de cintura, Rui Moreira  continua a piscar o olho aos eleitores socialistas, mantendo apenas equidistância em relação ao aparelho do Rato.
O futuro dirá se  foi uma boa jogada de Rui Moreira, ou se com esta fictícia "birra" de menino mimado, terá hipotecado o seu futuro político, pautado de ambições que vão muito além da câmara do Porto.
No imediato, tudo dependerá da reacção do PS. Se os socialistas reagirem prontamente, Manuel Pizarro  lhe retirar o apoio  e o PS apresentar um candidato forte, capaz de impedir uma maioria PSD/CDS,  Rui Moreira  ficará em maus lençóis. 
O presidente da câmara do Porto terá sobrevalorizado a sua imagem e não terá percebido que  este ano será muito mais fácil ao PS apresentar um candidato mobilizador no Porto, do que foi em 2013 quando o partido estava enfraquecido. Além disso, as suas ambições políticas só serão concretizáveis com o apoio do PS, pelo que este arrufo lhe poderá custar caro no futuro.
Como acontece sempre nos divórcios, o PS também tem as suas culpas ( e não são poucas) neste i imbróglio. Ana Catarina Mendes foi  desajeitada na entrevista ao "Observador" mas, verdade seja dita, as suas palavras reflectiram aquilo que o "aparelho" do PS pensa. 
Na verdade, o apoio do PS a Rui Moreira foi um acto oportunista do qual o partido sempre pensou tirar dividendos. As candidaturas independentes  só interessam nessa perspectiva.  
No largo do Rato ( como na Santana à Lapa  ou no Caldas) continua a olhar-se para o país, como se Lisboa fosse o seu cérebro e o resto um conjunto de ramificações que lhe devem obediência. Este centralismo retrógrado também está a contribuir para descredibilizar a democracia e a classe política.
É altura de todos perceberem que o país quer emancipar-se de Lisboa, porque está farto do centralismo (pouco) democrático que emana da capital.

O pesadelo do dia seguinte

 
Foto Sapo 24



Melenchon era o meu candidato ao Eliseu. O candidato da esquerda era o único que poderia renovar a política francesa. Apesar de uma ascensão significativa nas sondagens, não teve "pedalada" suficiente na ponta final, para bater Le Pen e Fillon.
Dois dias depois da primeira volta, percebi que Melenchon é apenas mais um daqueles dinossauros da esquerda que não merece confiança. Ao recusar o apoio a Macron, correndo assim o risco de colocar Le Pen no Eliseu, Melenchon pretendeu fidelizar uma parte significativa do seu eleitorado que reclama a abstenção, o voto nulo ou em branco. Nem o facto de o partido comunista apelar ao voto contra Le Pen, fez Melenchon parar para reflectir. 
É verdade que Macron não é de esquerda e ninguém sabe, concretamente, qual será a  sua política se chegar ao Eliseu, mas  defender que  não se deve votar Macron, porque é passar um cheque em branco a um tipo que defende os bancos e a alta finança, é  de uma idiotice e de uma tacanhez mental inqualificáveis.
A extrema-esquerda francesa ainda não percebeu que os seus fundamentalismos estão a abrir a porta a uma fascista. 
Melenchon e os seus apoiantes da "França Insubmissa" podiam ter aprendido alguma coisa com o nosso BE para evitar que, no dia seguinte às eleições, estejam a carpir lágrimas de crocodilo e tenham a desfaçatez de sair para a rua a protestar contra o fascismo.
Chega de idiotice!