terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Memórias em vinil (62)

Em Dia de S. Valentim, esta deve ser uma das frases mais ouvidas.
Pareceu-me por isso muito apropriado trazer este "Stand by me"  na voz de Ben E King.
Por acaso não tenho este disco, mas isso agora não interessa nada.
Boa noite e..."stand by me" todos os dias neste rochedo.

Sócrates, a Geração S. Valentim e um toque de Al Capone

Hoje* encontrei no metropolitano um par de namorados sub-25 com QI abaixo dos 30.
Não conhecem o género? Então eu explico…
Ele veste jeans coçados e usa o cabelo em pontas, empastelado de gel. Quando se senta no metro, põe os ténis ( ou as botas da tropa do irmão mais velho) sujos de lama, no banco da frente, para desmotivar alguém que pretenda ocupar o lugar.
Ela usa collants de cor garrida e uma pequena tira de pano em volta da cintura a fingir de saia, coloca os pés em cima do colo dele e envolve-lhe o pescoço com os braços, para não o deixar fugir.
Ambos mascam chiclets enquanto falam. Ela começa as frases sempre com “Ó Môreeeee!” em tom de barítono e ele responde-lhe em contralto: “Fala mais baixo C……”
Agora que já identifiquei o género, passo ao relato.
Sentei-me em frente dela, desejando que não tivessem trocado de lugar antes de eu entrar e comecei a ler o Metro, sem prestar atenção à conversa deles. Pouco tempo depois , a voz dela eleva-se e pergunta:
“Ó Môreeee! Quantos SMS envias por dia?”
Percebi logo que estava a ler o meu jornal ( a noticia de capa era “ Cada jovem envia 235 SMS por dia” )e decidira comentá-lo em voz alta. Ele não parecia interessado na réplica, por isso respondeu com ar de enfado:
“Sei lá C……. Não faço contas a essas m….”
Ela mudou de assunto:
“Ó Môreeee!” os Xutos fizeram anos ónte…”
Percebi que tinha acabado de ler a primeira página  do meu jornal e suspirei de alívio. Na estação seguinte, ele saiu. Trocaram um Chuak sonoro e ela disse-lhe em tom de despedida:
“ Môreee, telefona-me quando chegares ao Cól Centre”
Ecoaram-me, sibilinas, as palavras de Sócrates na inauguração de um “call center “ em Santo Tirso: “Trabalhar num call center é um emprego de futuro”.
Pensei para os meus botões:
“Atão num é, Môreee!”

* Na verdade este episódio passou-se em 2009 mas, como não me ocorreu nada imaginativo para partilhar convosco neste dia, fui repescar esta cena. Espero que me perdoem.
 Aproveito também para recordar que apesar de  estarmos a pensar no Dia de S. Valentim e em amor, que foi neste dia, em 1929, que Al Capone matou um grupo de membros do seu rival num sangrento confronto ( para relembrar o episódio, vejam "O Rochedo das Memórias" nº 89)

Deixa-me cheirar teu bacalhau!



Cristas  entusiasmadíssima no concerto de Tony Carreira

A conferência de imprensa de Centeno confirmou aquilo que já todos sabíamos: o ministro das finanças é um zero absoluto em termos de comunicação. E depois?

Bem, depois é melhor avisar Cristas, Coelho e restantes animais de estimação, que os portugueses preferem um ministro das finanças que resolva os problemas do país, a uma oxigenada que fala, fala e só conseguiu afundar Portugal mais do que já estava no tempo de Gaspar. 
Portanto meus queridos líderes oposicionistas, percebam de uma vez por todas que Portugal não é uma latrina, pelo que devem despejar os vossos vómitos de ódio a Centeno e à geringonça nas sedes dos vossos partidos.
Compreendo que deve ser muito chato andar 5 anos a dizer que não havia alternativa e Portugal só poderia crescer se roubassem os rendimentos de trabalhadores e pensionistas e vir um ministro que ninguém conhecia de lado nenhum, demonstrar que afinal é possível crescer sem roubar quem trabalha. MAIS! Não só havia alternativa, como a OCDE e a Comissão Europeia vieram reconhecer o bom trabalho deste governo e dar a mão à palmatória.
Tudo isso dói à oposição mas, o que mais dói, é a CGD não ter ido para as mãos de privados. Isso é que Cristas, Passos e acólitos não perdoam a Centeno e António Costa.
Vai daí Coelho fez-se à estrada e passou o fim de semana a apregoar ao país que nunca viu um ministro que errasse tanto como Centeno
Se tivesse um mínimo de vergonha, pudor e dignidade,depois de ouvir, hoje, os elogios de Moscovici ao governo e o consequente reconhecimento de que a política seguida por Portugal tinha dado bons resultados e superado todas as expectativas, Passos Coelho remeter-se-ia ao silêncio.
Só que Passos é um papagaio vaidoso por isso, amanhã já andará outra vez na estrada a dizer aquelas frases que habitam o seu mundo esquizofrénico e ele repete como se fossem verdades inabaláveis. 
É uma benção para a geringonça ter um líder da oposição como Passos, mas também faz muito jeito que a líder do CDS não se canse de nos fazer lembrar a primeira medida que anunciou ao país quando foi empossada ministra da agricultura: rezar a Nossa Senhora para que chova. Depois, foi dançar ao concerto do Tony Carreira.
Ainda não perdi a esperança de ver Cristas num concerto de Quim Barreiros a cantar "Deixa-me cheirar teu bacalhau" 

Um "artista" atrás do espelho




A  dicotomia entre bom e mau jornalismo é falaciosa. Existe é jornalismo sério e  jornalismo enfeudado. Até o jornalismo de causas pode ser sério, mas o jornalismo enfeudado nunca o será.
Vem isto a propósito da confusão que se vai fazendo entre jornalismo, comentário político. Uma confusão perigosa e muitas vezes deliberada, como a do caso que se segue:
Um comentador avençado faz uma afirmação/acusação colocando em causa a seriedade de alguém.

O jornalista sério vai confirmar se a afirmação/ acusação é verdadeira. Enquanto não tiver certezas, nada diz ou escreve sobre o assunto.

Domingo à noite, na SIC, marques mendes ( o nome vai em minúsculas para não conflituar com a estatura física e moral do comentador) acusou o governo de reserva mental por manipular a data de publicação de um diploma no DR, com o intuito de fugir ao controlo parlamentar.
marques mendes não apresentou provas da sua acusação. O diploma foi sujeito a análise no Parlamento, a pedido de PCP e BE. 
Sem pestanejar, a SIC e o Expresso on line abrem todos os noticiários e newsletters electrónicas reproduzindo a acusação de marques mendes e apresentando-a como verdadeira.
A SIC viola de uma assentada várias regras básicas do jornalismo. Mas não passa nada. Afinal, a SIC e o Expresso há muito tempo que deixaram de fazer jornalismo e passaram a ser correia de transmissão do partido do militante nº 1. Compreende-se... Afinal é o militante nº 1 que lhes garante o sustento mensal...