quinta-feira, 27 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXCVI)

 Nesta matéria que comece quem quiser. Desde que seja com o/a parceiro/a certo/a...
Boa noite

Saudades do Outono




Adoro o Verão mas devo confessar que, pela primeira vez na vida, estou ansioso que acabe.  Passo a explicar a contradição.
Quando trabalhava, raras vezes tirei férias no Verão.  Principalmente nos anos em que vivia em Portugal e morava na Linha, o meu maior prazer no Verão era chegar a Lisboa sem ter de enfrentar os transportes a abarrotar.
Quando regressava a casa,  se ainda tivesse tempo, dava um mergulho na piscina e à noite adorava passear à beira mar e beber um copo com amigos, antes de regressar a casa.
Agora que estou reformado e vivo quase permanentemente aqui no Estoril, confirmo aquilo que desconfiava, mas  não me apercebia quando trabalhava: no Verão a vida por aqui é um inferno, com as praias atulhadas de gente, o paredão a abarrotar de ciclistas de ocasião, cães sem trela, camionetas a fazer cargas e descargas  e  toda uma parafernália de incómodos.
Em plena época balnear levanto-me por volta das sete para  poder  fazer a minha caminhada diária de 8 a 10 kms sem sobressaltos, porque a partir das 10/11 da manhã, deixa de ser possível.
Tenho saudades dos dias de Outono e Primavera, em que posso passear à vontade, porque há pouca gente na praia, o paredão está livre de cargas e descargas, os cães não se atropelam uns aos outros e os seus donos são suficientemente civilizados para limparem os cocós que eles fazem.
Não fosse o privilégio de ter um mar imenso à minha porta e o prazer que ainda me dá passear à noite à beira mar, ficar sentado a olhar as estrelas e os “bis” que cruzam constantemente o céu e me levam nas suas asas até Península Valdez, já me teria mudado para Lisboa e só voltaria em Setembro.  


Da falta de coragem de Cristas à falta de rigor do jornalismo




Ninguém negará que a dimensão dos incêndios que têm lavrado em Portugal é deveras preocupante e que urge tomar medidas drásticas para, no mínimo, atenuar os seus efeitos.
Para o conseguir, não basta fazer uma reforma florestal. Será necessário lançar uma campanha de educação cívica que altere os comportamentos quotidianos dos cidadãos, tornando-os mais conscientes e responsáveis. Esse é o papel que cabe ao(s) governo(s) ,aos partidos e a cada um de nós..
Não é possível, no entanto, escamotear a importância que a comunicação social tem nesta matéria. 
Lembro-me bem de há uns anos, as televisões terem acordado não dar grandes notícias sobre incêndios, porque a exibição de imagens de incêndios estimulariam os incendiários.Na altura critiquei essa decisão e mantenho-a.Seria escandaloso ignorar, ou mesmo desvalorizar, a alarmante vaga de incêndios que está a devastar o país. 
No entanto, noticiar os incêndios, não significa que um jornalista se comporte como um incendiário. Ora, infelizmente, é isso que se está a acontecer.
Os jornalistas têm o dever de noticiar. Aumentar o alarme público e criar instabilidade social, não é jornalismo. Divulgar notícias falsas ( como a queda de um Canadair) ou que carecem de confirmação ( como aconteceu com a lista da empresária que trabalha(va?) para a SIC) não é jornalismo: é jogo sujo. Lamentavelmente, não raras vezes, as notícias falsas servem o interesse dos partidos políticos a que alguns jornalistas estão ligados. E os partidos aproveitam a onda para tentar ganhar votos em vez de defender os interesses do país.
É natural que um náufrago, como PPC, se agarre a tudo o que possa para se salvar e, beneficiando da simpatia do militante nº1, proprietário do Expresso, invente suicídios, aumente o número de vítimas mortais e aponte culpas exclusivamente ao governo, para que o semanário de Balsemão noticie as suas fantasias como verdades irrefutáveis .Infelizmente, mesmo no (outrora confiável) Expresso, há jornalistas dispostos a tudo.
Já quanto a Assunção Cristas, ainda à procura de afirmação no CDS, a estratégia de acusar o governo e pedir a demissão da ministra parece-me suicidária. 
Cristas foi ministra do Ambiente e sabe muito bem que esta vaga de incêndios era expectável e, pior ainda, tenderá a agravar-se nos próximos anos. Estudos com 30 anos apontam a Península Ibérica, o Chile, a Califórnia e a Austrália como algumas das regiões mais sujeitas a ser devastadas por incêndios. Cristas não ignora o que se está a passar no Chile:

E como não ignora, em vez de abrir a boca e debitar frases incendiárias quando um jornalista lhe põe um microfone à frente, deveria dar o seu contributo para minorar o sofrimento das vítimas dos incêndios, em vez de procura r dividendos políticos com a desgraça alheia. Ela até sabe o que deve fazer, o problema é não ter coragem.

E ainda há quem se irrite...

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXCV)


Grande sucesso do Verão de 1962, incluido na minha discoteca, esta canção pareceu-me bem oportuna para hoje. Boa noite

Falta-lhes o colinho, não é?




O comportamento vergonhoso de PSD e CDS perante os incêndios,  não se deve apenas ao desnorte provocado pelos sucessivos êxitos do actual governo. Denunciam também a indiferença da direita face  à tragédia que afectou dezenas de famílias
Tampouco a ira  contida de Assunção Cristas, mas sempre mal disfarçada por Passo Coelho e  evidenciada à saciedade no ar tresloucado com que apareceu no Chão de Lagoa ( não, ele não estava bêbado, nem tinha chutado na veia, aquilo é mesmo o estado natural do líder do PSD) se deve a qualquer genuína preocupação com  a situação no país. O que os preocupa é verem as sondagens e concluírem que os portugueses já  não embarcam no discurso miserabilista com que a direita os andou a enganar durante cinco anos. Agora temem os resultados eleitorais.
Noutros tempos, Passos Coelho correria para Belém a pedir colinho a Cavaco e o títere de Boliqueime, com o apoio dos assessores e da comunicação social amiga engendrava imediatamente uma qualquer história que minasse a credibilidade do governo. Como tantas vezes fez ao longo de 30 anos  Cavaco abriria os braços a PPC, far-lhe-ia uma festinha na cabeça e diria:
- Lindo menino! Contigo sinto-me outra vez no tempo do Estado Novo, quando eu era tão feliz!. 
Na eventualidade de Cavaco falhar, a direita podia recorrer ao colinho de Durão Barroso, do sr. Schaueble,  da tia Ângela,do sempiterno Relvas, do amigo Seguro ou até de respeitáveis e impolutos amigos de Cavaco, como os que se vêem na foto.


Agora esses colinhos ou sairam de cena, ou já não estão para desmamar biltres e, com Marcelo em Belém, Passos e Cristas não têm no poder um colinho que os proteja. Bem arrependido deve estar o lider do PSD por ter tentado minar a candidatura do actual PR. 
Bem se esforça, com a ajuda de gente sem coluna vertebral, nem ética jornalística, como David Dinis ( Público)  José Manuel  Fernandes e Helena Matos (Observador),  Gomes Ferreira (SIC)  João Miguel Tavares (TVI/Público)  Francisco José Viegas (CM e CMTV) - só para citar alguns exemplos -por arrasar a credibilidade do governo e de MRS.  Em vão. O PR não só resiste, como vai mandando algumas alfinetadas à direita.
Bem se podem lamentar, Cristas e Passos, por não receberem os afectos de Marcelo. Logo dele, que distribui afectos por todo o lado. 
Reagem, por isso, com o ódio próprio dos filhos enjeitados. Por agora estão na fase da delinquência juvenil. Arrasam tudo o que vêem à frente mas sem provocarem grandes estragos. Se, porventura, têm problemas, refugiam-se no colo de alguns jornalistas que tratam de desvalorizar e justificar as suas tropelias.
Um mal nunca vem só
Temo, porém, que numa fase mais adiantada ( lá para 2019, ano de legislativas) esse colinho não seja suficiente e, desesperadamente, tentem encontrar um colinho à imagem de Cavaco: com poder, poucos escrúpulos e que reúna à sua volta um grupo de gente pouco recomendável, a contas com a justiça.
Sabe-se que PPC tenta, a todo o custo, que Francisco Pinto Balsemão lhe ofereça o seu colinho e  que Ângelo Correia volte a assumir-se como seu padrinho.
Não acredito que Balsemão deixe o Expresso resvalar de folha de couve para pasquim. Ainda tem dignidade e a saúde da Impresa não permite tais desvarios.
Resta pouco tempo para a direita encontrar um colinho que  substitua o regaço de Cavaco. Não o conseguindo, os agora delinquentes podem tornar-se criminosos de alta perigosidade. Como o demonstra o escolha  do racista Ventura,  para presidir à CM Loures.

O juiz decide

A PJ deteve uma mulher suspeita de ter ateado o fogo que ontem começou a lavrar em Vale de Coelheiro ( distrito de Castelo Branco) propagou-se a VV do Ródão e Nisa e, esta noite atravessou o Tejo.
A Natureza  ajudou o incêndio. A PJ cumpriu o seu dever. 
Resta saber se a justiça cumpre o seu, ou opta por mandar a incendiária em paz, confiando na sua regeneração

Caridosa mas... poucochinho!

Isabel Monteiro diz que foi uma acção de solidariedade que a levou a descobrir que o governo andava a esconder mortos no incêndio de Pedrógão.
Para que conste, aqui fica a nota curricular desta empresária. 
Atesta bem o teor da sua solidariedade e responde à primeira pergunta que ontem fiz aqui.
Pelo menos lata não lhe falta!

O CURRÍCULO DA EMPRESÁRIA ISABEL MONTEIRO 🤣
Trabalhadores da Dialectus exigem pagamento de salários e subsídios em atraso. O CENA - Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espetáculo e do Audiovisual - denunciou publicamente, numa acção de protesto em frente à sede da Dialectus, o não pagamento de salários e subsídios a dezenas de ex-trabalhadores.
A empresa é conhecida pela produção portuguesa de diversos programa televisivos estrangeiros como "Toda a verdade", "60 minutos", "Masterchef”, "Kitchen Nightmares", "No Reservations", "Doctor Phill", "Naruto", entre outros. A Dialectus teve como principal cliente o canal SIC em simultâneo com AXN, Lusomundo, MEO Kids, Canal Panda, BBC Brasil e Fox. A empresa chegou inclusivamente a ser inspeccionada e sancionada pela ACT - Autoridade das Condições de Trabalho. 
Os ex-trabalhadores, vários deles com muitos anos de casa, recorreram inicialmente ao diálogo com a sócia-gerente da empresa, Isabel Monteiro, procurando chegar a acordos de pagamento que evitassem processos judiciais. Mas a Dialectus não cumpriu acordos, nem prestou quaisquer esclarecimentos ou satisfações aos ex-trabalhadores que não tiveram outra alternativa senão recorrer a tribunal. Nenhum representante da empresa compareceu às convocatórias do Tribunal do Trabalho. Nesse seguimento, “ao tomar conhecimento da situação, e a pedido de vários sócios e não sócios do Sindicato, o CENA viu-se obrigado a realizar uma acção pública. Alguns ex-trabalhadores desta empresa, após terem rompido os contratos de trabalho, vieram a descobrir, mais tarde, que ainda estavam a ser declarados pela empresa nas finanças e na segurança social, significando enormes benefícios fiscais para a figura do empregador. 
A Dialectus teve a cargo traduções e dobragens de séries bem conhecidas do grande público. Teve como principal cliente o canal SIC em simultâneo com AXN, Lusomundo, MEO Kids, Canal Panda, BBC Brasil e Fox. 
A maioria destes ex-trabalhadores da Dialectus - tradutores, dobradores, técnicos de som, etc - encontra-se no desemprego e continua sem receber o que lhes é devido. A empresa lucrou com o trabalho por eles efectuado, uma vez que chegaram a ser emitidos muitos programas.
( Com os meus agradecimentos ao António Ribeiro a quem "rapinei" este texto no FB)

terça-feira, 25 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXCIV)

Lembrei-me desta por causa de "Despacito"

13 perguntas aos jornalistas sobre a morte

Nota prévia: escrevi este post no FB e não tencionava reproduzi-lo aqui. 
Quando há pouco fui ao FB, constatei que nunca um post meu tinha sido tão partilhado, pelo que deduzi ter sido relevante para as muitas  dezenas de leitores que o partilharam. Pensei, então, que talvez os leitores do CR o considerem igualmente importante para esclarecer algumas questões e decidi publicá-lo também aqui.

1- O que leva uma empresária a divulgar uma lista de mortos, vitimas do incêndio de Pedrógão, utilizando nomes  de algumas vítimas , combinados de diversas formas, para que pareçam diferentes?
 Exemplo: António Maria Pinheiro Sachola  ( escolhi um nome fictício para exemplificar)  aparece como António Sachola, mas também como António Maria Pinheiro, contabilizando assim dois mortos quando, na realidade, se trata apenas de um.

2- O que leva um jornal (o Expresso) aparentemente baseado nesta lista, a dar a  notícia de que o governo está a manipular o número de mortos?

3- Os jornalistas do "Expresso" não sabem que não é o governo que contabiliza o número de mortos?

4- Os jornalistas  desconhecem  o significado  de "vítimas de efeitos colaterais" e os critérios da contabilização de mortos?

5- As seguradoras justificam o não pagamento de indemnizações, com o facto de as listas das vítimas não serem tornadas públicas. Independentemente da credibilidade deste argumento, o que justifica que a comunicação social difunda a notícia, atribuindo a ocultação dos nomes ao governo? 

6-Não sabem os jornalistas que foi o MP que decidiu colocar a lista sobre segredo de justiça? 

7- Os jornalistas não sabem que as seguradoras podem pedir ao MP a lista de nomes, invocando a necessidade de pagar indemnizações? 

8- A que propósito é que o MP  incluiu a lista dos mortos sob segredo de justiça? 

9- A empresária que divulgou a lista não devia ser responsabilizada e investigada pelo MP, para que se conheçam  as suas intenções?

10- Apesar de os presidentes das câmaras de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos terem manifestado a sua perplexidade e desconfiança quanto à(s) lista(s) divulgada(s) a comunicação social continuou a insistir que o governo estava a ocultar o número de mortos tendo chegado a "informar" que poderiam atingir os 3 dígitos.O jornalistas devem dar informação fidedigna aos leitores. Então por que raio estão a fazer política?

11- Desmontada a "cabala", por que razão Judite de Sousa entrevistou a empresária como  se a sua credibilidade se mantivesse intocável?

12- Sendo "o Expresso" propriedade do militante nº1 do PSD, pode deduzir-se que a notícia que deu origem a todo este imbróglio foi lançada com má fé e o intuito de  conseguir proveitos políticos para o PSD?

13- Ninguém, na plena posse das suas faculdades mentais, acredita que o governo esteja a esconder um ,repito UM, morto. Alguns jornalistas, porém, insistem nas responsabilidades do governo. Algum jornalista digno desse nome é capaz de me explicar qual é o interesse do governo em ocultar UMA vítima mortal? 

Má fé, manipulação, incompetência jornalística, ou seja o que for, a  verdade é que são casos como este que descredibilizam a comunicação social. 
A promiscuidade entre jornalistas e jagunços com carteira de jornalista ao serviço de interesses partidários, torna cada vez mais difícil separar o trigo do joio.
Para que não sejam confundidos com a escumalha, os bons jornalistas ( ainda os há em elevado número) deveriam denunciar estas situações. A bem do jornalismo.   

Mensagem para os ambientalistas cépticos

Em Janeiro, pleno Verão no hemisfério sul, um inusitado número de incêndios devastadores avassalou o Chile, devido a uma onda de calor sem precedentes
Seis meses depois, em pleno Inverno, o Chile está a sofrer os maiores nevões da História ( ainda há dias as televisões mostravam imagens de Santiago coberta de neve) e as temperaturas a descerem a valores nunca antes registados..
Eu sei  que, apesar de estes fenómenos estarem previstos por cientistas há 30 anos, terem sido amplamente divulgados durante  e após a cimeira do Rio em 1992 ( eu próprio escrevi dezenas de artigos sobre o assunto, alertando para o facto de Portugal estar incluído nas zonas de maior risco)  os ambientalistas cépticos continuarão a negar qualquer relação entre os fenómenos atmosféricos e as alterações climáticas. 
Já quanto a Assunção Cristas, ex-ministra do Ambiente, é lamentável que continue a ignorar o óbvio e a fazer aproveitamento político de um incêndio (aparentemente) provocado por uma situação atmosférica nunca antes vista e usando as mortes registadas em Pedrógão  como arma de arremesso contra o governo.
Mesmo  que a senhora ao domingo vá à Missa e durante a semana cumpra as penitências do confessor pela sua falta de pudor e de vergonha, travestidos de compaixão, isso não lhe dá o direito de utilizar mortos como arma de arremesso político.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXCIII)

Boa noite e uma boa semana. 

Boa sorte, sr. Hulot





Lá por estarmos em férias, isso não quer dizer que este post seja sobre o superfamoso senhor Hulot, que Jacques Tati imortalizou nas telas.
O senhor Hulot a que me refiro é bem menos famoso (pelo menos por enquanto...) mas arrisca-se a ficar para a História se conseguir concretizar as suas ideias.
Refiro-me a Nicolas Hulot, o ministro do ambiente do governo de Macron.
Ex jornalista e activista das causas ambientais, tornou-se um caso sério de popularidade em França, graças a uma série de televisão dos anos 80 e 90 dedicada às questões do ambiente
Foi graças a ele que Sarkozy foi obrigado a assinar o Pacto Ecológico e terá sido ele quem inspirou  Macron naquela farpa a Trump  " Voltar a tornar o planeta grande"
As medidas anunciadas por  Nicolas Hulot são um manifesto a favor da protecção ambiental:
- fechar todas as centrais a carvão até 2022;
- encerrar 17 reactores nucleares, reduzindo 50% a electricidade produzida por fontes nucleares;
- não conceder novas licenças de exploração de hidrocarbonetos;
- proibição, num prazo de 20 anos, de comercializar carros movidos a gasolina ou gasóleo.
As ideias do sr Hulot estão a fazer fervilhar alguns sectores,  especialmente empresas ligadas ao sector energético. Não terá por isso vida fácil mas, enquanto contar com o apoio de Macron, Nicolas Hulot poderá colocar a França no pelotão da frente dos países europeus, em matéria de sustentabilidade.
O grande problema é que Macron já está a cair em desgraça entre os franceses e a sua popularidade sofreu um fortíssimo abalo nas últimas semanas o que pode por em causa as boas ideias do sr. Hulot.

Os jovens e o futuro

Já aqui escrevi várias vezes, mas nunca é demais reforçar a ideia: acredito muito nos jovens e no futuro que eles querem construir.
Foi com muito agrado que li a notícia de que um grupo de estudantes universitários prescindiu de parte das suas férias para ajudar a reconstruir casas degradadas na zona de Sever do Vouga.
É nestes jovens que acredito, não naqueles que vivem da política, consideram os velhos um empecilho e olham para o umbigo como se tivessem a solução para todos os problemas.
Por isso, quando vejo um desses jovens chegar a lider parlamentar do PSD, reforço a convicção de que  na Santana à Lapa há um execrável cheiro a mofo.

domingo, 23 de julho de 2017

À sombra de uma azinheira




Um casal de alentejanos estava a jantar partilhando uma garrafa de vinho de Pias, quando a certa altura ele diz:
- Maria, aposto que não és capaz de dizer alguma babosêra, que me ponha sastefêto e apoquentado ao mesmo tempo...
Responde a mulher de imediato:
​- A TUA "GAITA" É A MAIOR CÁ DA ALDÊA!
( Via FB)

Dia do Bilhete Postal ilustrado (63)



Em tempos, assim que se aproximava o Verão, lançava desafios aos leitores do CR. Em 2010, por exemplo, pedi aos leitores que me enviassem postais dos locais onde estivessem a passar férias ou onde tivessem passado umas férias inesquecíveis.
Nos dois últimos anos, por razões relacionadas com o meu estado de saúde, mas também por falta de paciência e por não querer maçar mais os leitores, não lancei nenhum desafio de Verão.
Decidi, no entanto, a propósito desta rubrica "Dia do Bilhete Postal Ilustrado", suspender durante umas semanas a publicação dos meus posts e republicar os posts que então me foram enviados pelos leitores do CR, respeitando a ordem de publicação no Verão de 2010.
O primeiro veio da Alemanha e foi enviado pela Teresa. Um belíssimo exemplar  onde se fala de Dresden, conhecida como Florença do Elba.

sábado, 22 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXCII)


Julio Iglésias não era a minha praia, mas ninguém ousará negar que nunca dançou ao som de pelo menos uma das suas canções. Eu não nego!
Boa noite e bom fim de semana.

Leituras de Verão (6)





Autor: Arundhaty Roy
Editora: Asa
Primeira edição: Junho 2017
Número de páginas: 463


 Há livros que nunca se esquecem. "O Deus das Pequenas Coisas" de Arundhaty Roy é um desses livros. 

Desde que o li, no final dos anos 90, fiquei à espera de um segundo livro da autora. 
Esperei 20 anos e ainda não vos posso dizer se valeu a pena, porque só esta semana chegou às minhas mãos e ainda não tive oportunidade de o ler. 
Arrisco, no entanto, escolhê-lo para recomendação da semana, porque se Arundhaty Roy escreveu. um livro tão belo como " O Deus das Pequenas Coisas" ( e com ele venceu o Boooker Prize) este " Ministério da Felicidade Suprema" não pode ser um livro mau.
Se me tiver enganado, peço-vos desculpa e prometo vir aqui penitenciar-me.

Lição da semana

Nas últimas semanas aprendi que, mesmo após a reforma, as férias continuam a ser a coisa melhor do mundo.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXCI)


Esta não faz parte da minha discoteca, mas foi efectivamente um grande sucesso dos tempos do vinil. Daí que de bom grado tenha aceite a sugestão de duas leitoras do CR. Boa noite e bom fim de semana.

Amizade é...

 Depois de uma noite em branco atender o telefone e, do outro lado, ouvir a voz de uma amiga que esta em ferias com a família a milhares de quilómetros de distancia, mas "pressentiu" que eu estava a precisar de sentir uma palavra de alguem que  seja meu amigo desde os anos 60 e tenha tido um percurso de vida similar ao meu.
Nestas alturas apetece-me sempre dizer que já não existem amizades assim mas, melhor ainda, foi sentir que aquele telefonema foi o melhor remédio para que o meu dia fosse mais sereno.


Em casa de ferreiro...

- Então tu andas sempre metido na política e foste casar com uma mulher que detesta política?
- Pois é, meu caro. As mulheres na política são demasiado parecidas com os homens para eu me apaixonar por elas...

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Memórias em vinil (CXC)

Deixo-vos com Claude François.
Boa noite!

Homofobias



Gentil Martins deu uma entrevista ao "Expresso" em que classificou a homossexualidade como anomalia.
Não foi o primeiro médico/ cientista a dizê-lo, nem será o último, pelo que os soundbytes que a sua afirmação provocou nas redes sociais  me soaram a dejà vu.
Espanto maior provocou-me a  decisão do metro de Londres  substituir  o  tradicional "  Ladies and Gentlemen" por um assexuado , perdão, inclusivo, " Hello everyone".
O Metro londrino justifica a decisão, com o pedido feito pelas associações LGBT para acabar com a alusão a senhoras e senhores que consideram discriminatórias e violadora dos direitos de lésbicas, gays, homossexuais e transexuais.
Espero, sinceramente, que a LGBT portuguesa não faça igual pedido aos metros de Lisboa e Porto pois, em português, não existe uma palavra/expressão neutra que abranja "todos os géneros".
E sinceramente, não me parece muito prático,nem eficaz, que os maquinistas tenham de dizer:
"Atenção senhoras, senhores, lésbicas, gays, homossexuais e transexuais, agradecemos que abandonem rapidamente  a composição, porque deflagrou um incêndio na última carruagem".
O mais provável é que, no final do aviso, o incêndio já tenha alastrado a metade da composição.
Agora a sério: esta mania da linguagem de género politicamente correcta é supimpamente cretina. E, já agora, absolutamente nada inclusiva.

O nosso Le Pen

Já ouvi e li muitos lamentos por não termos em Portugal um homólogo de Le Pen.
Chegou finalmente a hora de esses saudosistas festejarem a entrada em cena do seu redentor. 
É comentador desportivo, veste a camisola do SLB, escreveu um livro em co-autoria com a taróloga Maya, é professor universitário e, ao contrário do que seria de esperar, não chegou à política pela mão do PNR, mas sim do PSD, cujo lider o escolheu para candidato à CM Loures. 
Não foi uma escolha acidental, obviamente. Ventura assenta como uma luva na estratégia do PSD: 
Uma vitória de André Ventura em Loures, pode servir de rastilho para despoletar a xenobobia e o racismo que existe na mentalidade portuguesa, especialmente no seio dos retornados, saudosos dos tempos colonialistas que transformou pobres diabos em grandes senhores, graças à exploração dos pretos e são a sua grande base de apoio.
Vivemos num país livre, o  senhor Ventura tem direito à sua opinião  e a dizer as alarvidades que lhe apetecer.
A extrema direita agradece e rejubila com o candidato Ventura. Às cavalitas de um partido que se reclama "democrático" consegue apresentar um candidato com possibilidade de vencer uma eleição democrática.
O PSD tem sido barriga de aluguer de muitas alarvidades. Não me espanta que também sirva de porta de entrada à extrema-direita.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Memórias em vinil (CLXXXIX)

Vá lá, dêem uma oportunidade ao rapaz e ofereçam a vós próprios a oportunidade de serem felizes. Boa noite!

CDS em maus lençóis

Depois de retirar o apoio à candidatura de André Ventura, o CDS está em maus lençóis para encontrar um candidato que rivalize com o do PSD. 
Atrevo-me a sugerir a Assunção Cristas que convide  Pedro Guerra.  Face às semelhanças histriónicas e história de vida, com o senhor Ventura, seria um excelente trunfo : 
Tal como o candidato do PSD, Pedro Guerrra é comentador desportivo, veste a camisola do SLB, diz alarvidades sem fim, tem ar de pegador de touros e só perde no confronto com o sr Ventura, porque ainda não escreveu um livro em co-autoria com a Maya.Mas ainda vai a tempo...

Aristides de Sousa Mendes




Faz hoje 132 anos nascia em Cabanas do Viriato,  distrito de Viseu, Aristides de Sousa Mendes.
Todos conhecem a sua história de vida, o seu exemplo de humanismo e o importante papel que desempenhou  durante a II Guerra Mundial, pelo que me abstenho de aqui recordar o seu exemplo ímpar no auxílio a milhares de refugiados.  Desobedeceu ao Estado, foi proscrito, mas salvou da morte muitos milhares de refugiados.
A razão que me leva a evocar hoje Aristides de Sousa Mendes, um exemplo raro de  defesa dos direitos humanos, é uma triste coincidência  Neste mesmo dia, um tal senhor Ventura, candidato do PSD a Loures, rejubila com o facto de o país inteiro apoiar o seu discurso xenófobo e racista contra a comunidade cigana. E Pedro Passos Coelho, líder do PSD, não só mantém o seu apoio ao sr Ventura, como apoia as suas palavras. Sintomático.
Não aprendemos nada com portugueses  dignos, como Aristides de Sousa Mendes, que nos deviam servir de guia e exemplo.Pelo contrário. A realidade mostra que a alma tuga  mais facilmente se deixa inebriar pelo discurso xenófobo, populista e racista, do que pelo discurso tolerante da democracia.
.

Corbyn, Melenchon e os jovens

"Os velhos são uns egoístas". "Os jovens votam bem". Os velhos, além de serem "uma despesa e um estorvo" ( Hugo Soares)  "votam mal"  ( Rui Tavares Guedes). Pensei que esta discussão geracional lançada pela JSD, sufragada por Passos e aplaudida por Marilú e mais uns quantos indigentes do PSD tivesse acabado. Enganei-me.
Acontecimentos recentes  demonstram, porém,  que a direita está mais uma vez enganada.
As candidaturas de Melenchon em França e de Jeremy Corbyn no Reino Unido, demonstram à saciedade  que a direita está  enganada. Mais uma vez.
Apesar de terem 66 e 68 anos, respectivamente, ambos tiveram resultados surpreendentes, tendo sido os jovens a sua base de apoio.
Outro mito que as eleições francesas e britânicas destruíram, foi o de a esquerda ter deixado de seduzir os jovens. Ambos os candidatos são de esquerda e conseguiram congregar em torno das suas propostas uma juventude sistematicamente acusada de se marimbar para a política, que se envolveu nas suas campanhas como há muitos anos não se via.
É óbvio que em Portugal ( e na generalidade dos países do sul)  o envelhecimento das populações e a emigração dos jovens, provocada pela crise económica que abalou estes países, é um abono de família para a direita.
Tenho, porém, esperança em que as coisas mudem. Enquanto nos partidos tradicionais portugueses se acentua o envelhecimento dos seus militantes, à esquerda( PCP e BE) há cada vez mais jovens envolvidos na miltância política. São jovens que nada esperam dos partidos do sistema e acreditam que está nas suas mãos construir o futuro. 
Só lhes falta um Melenchon, ou um Corbyn, que garanta consistência aos seus anseios. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Memórias em vinil (CLXXXVIII)

Boa noite com "Blood, Sweat and Tears"

Carta aberta a Assunção Cristas


 Senhora Dona Assunção:

Durante o último  fim de semana, sondagens revelaram que os portugueses não querem a demissão de Constança Urbano de Sousa, nem de Azeredo Lopes,que insistentemente reclama há um mês.
Durante um comício de promoção da sua candidatura a vereadora da câmara municipal de Lisboa, foi bem visível que a notícia a abalou e deixou atónita. Provavelmente, cara Assunção,  ainda não percebeu o que há de errado na sua estratégia de reclamar a cabeça da ministra. Decidi, por isso, dar-lhe uma ajuda.
Podia começar por lhe dizer que uma pessoa que apoia um candidato racista e xenófobo, com o argumento de que é fiel aos seus compromissos, não tem legitimidade para exigir a demissão de uma ministra. Não fora a distrital de Lisboa tê-la obrigado a retirar o apoio a André Ventura, contra sua vontade, e neste momento teríamos o CDS a apoiar um racista e a senhora a bater no peito clamando a fidelidade à coligação com o PSD. 
Podia também lembrar-lhe que o seu partido votou favoravelmente uma comissão de inquérito independente para apurar as responsabilidades do incêndio de Pedrógão por isso, é sua obrigação aceitar as regras da democracia e esperar pelos resultados do trabalho dessa comissão. 
Eu sei que lembrar-lhe as regras da democracia é uma tarefa tão inútil, como tentar  prender em casa uma gata com cio. Talvez seja por isso mais útil recordar-lhe que os portugueses têm muitos defeitos mas não são burros e nem sempre têm a memória curta.
É normal que se lembrem que a senhora foi ministra do ambiente e, perante uma seca, a medida política que anunciou ao país, foi "rezar a Nossa Senhora" para que chovesse.
Também não se esquecem que a senhora confessou ter assinado de cruz, durante as suas férias, um diploma enviado pela então sua colega de governo, Maria Luís Albuquerque, o que imediatamente a desqualifica para exercer um cargo ministerial. 
Também se lembram, muito bem, que a senhora defendeu sempre o ministro Relvas,  apoiou a TSU que motivou a maior manifestação de repúdio das últimas décadas em Portugal e não esquecem a sua actuação enquanto ministra. 
Há outras coisas que a maioria dos portugueses não sabe mas que a senhora, como ex-ministra do ambiente, tinha a obrigação de saber. Vou lembrar-lhe apenas uma:
- É um dado adquirido há muito, na comunidade científica mundial, que em determinadas zonas do globo ( entre as quais a Península Ibérica)  os incêndios, como as inundações,  cada vez mais resultarão de causas naturais imprevisíveis e incontroláveis, pelo que pedir a demissão de uma ministra por causa de um incêndio,  de uma inundação, ou outra qualquer catástrofe natural, como um terramoto, é pura e simples demagogia. Estou a ser brando porque, em boa verdade, penso que a sua exigência é fruto de má fé.
Não arrisco afirmar que essa má fé se deva ao facto de a senhora desconfiar tanto das mulheres, que não escolheu uma única para o seu núcleo duro. 

Estou no entanto tentado a dizer que a senhora  se sente mais confortável rodeada de homens,  quiçá por ter mais confiança nos conselhos que eles lhe podem dar ( como no caso de Loures, por exemplo).  Não quererá a senhora,certamente, repetir a experiência de ser vítima de uma punhalada feminina. Compreendo-a. Como diz o povo, " Gata escaldada de água fria tem medo".
 Constança Urbano de Sousa é uma  mulher com uma dignidade que a senhora tem sobejas razões para invejar. Espero, por isso, que feche a matraca e se centre na sua candidatura a Lisboa. Não é que tenha quaisquer hipóteses de ganhar, mas levar uma abada de Teresa Leal Coelho ficaria nos anais do anedotário político e remete-la-ia novamente à condição de figura de terceiro plano na vida política portuguesa. Pelo menos até que o Melo de Joane  venha ocupar o lugar que lhe cedeu enquanto não se cansar do brinquedo de Bruxelas.
Devo confessar que tenho uma grande esperança em divertir-me durante a sua campanha eleitoral. Estivesse eu no activo e iria acompanhá-la a par e passo.
As suas indumentárias  de frutas tropicais, a chamada ao palco dos pais, filhos e marido, durante os comícios, ou a sua presença em concertos pimba, serão momentos inesquecíveis, mas o que eu mais gostaria era  acompanhar as suas visitas a bairros sociais e às comunidades ciganas. 

 A sua campanha será uma viagem ao passado, com a vantagem de já não haver Salazar. E, para sua sorte, não haver Marcelo Caetano que, muito provavelmente, a teria aconselhado a aprender a cozinhar e coser meias, em vez de andar a estudar direito. A avaliar pela ignorância que a senhora demonstra em matéria jurídica, o velho títere dessa vez não se teria enganado na profecia.
Termino com uma mensagem de esperança.
Como escrevi acima, os portugueses não são burros. Nem mesmo aqueles que se propõem votar em si, se a senhora continuar a prometer-lhes o que eles querem ouvir:
- Mais carros em Lisboa;
- Acabar com o trânsito caótico;
-  Fim dos sem abrigo  e sua reinserção;
- Habitação para todos;
- Revitalização do arrendamento
- IMI 0% em determinadas situações
Estas são, para já, as promessas que me ficaram no ouvido. Suficientes para a propor para Prémio Nobel da Incoerência. Ou para sugerir a Marcelo Rebelo de Sousa que a condecore no 10 de Junho.
Muitos lisboetas  irão votar em si, apesar de não acreditarem numa única das suas promessas.
Eles ainda se lembram que foi a senhora que fez a última  Lei do Arrendamento, que não agradou   a proprietários e inquilinos.
Sabem que a promessa de IMI 0% é apenas mais uma demonstração da sua ignorância, porque seria inconstitucional.
Sabem, enfim,  que acabar com os sem abrigo é utopia, disciplinar o trânsito prometendo mais carros em Lisboa é demagogia, garantir habitação para todos é trafulhice.

Então porque votam em si?
Simples, minha cara senhora:
- Os lisboetas que votam em si esperam um favorzinho para um lugar de estacionamento especial, um desconto no IMI, uma casa barata para arrendar ou comprar ( há tantas habitações sociais de qualidade...) enfim, aquilo que eles sabem que os lisboetas não podem aspirar, mas que com uma cunhazita esperam almejar.
É que em matéria de cunhas, consta que a senhora sabe da poda.
Passe bem. 

Jane Austen







Faz hoje 200 anos que morreu Jane Austen.
Tinha apenas 41 anos, era pobre e a sua morte foi mais ou menos ignorada, mas deixou um vasto legado literário, cujo mérito tardou a ser reconhecido.
Dois séculos depois, Jane Austen é uma das escritoras mais admiradas no mundo ocidental, onde se realça o seu humor e a análise corrosiva dos costumes da época. 
Alguns dos seus livros chegaram aos cinemas em longas metragens  de grande sucesso ( Sensibilidade e Bom Senso ou Emma) e aos pequenos ecrãs em miniséries como Orgulho e Preconceito.
Dois séculos depois, a data da sua morte é assinalada com a reedição de vários dos seus livros e algumas cerimónias evocativas. 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Memórias em vinil (CLXXXVII)

Continuamos com ritmos latinos, agora na voz de Nat King Cole.
Boa noite e boa semana

Passos Coelho: de porteiro a corrupto...!


Passos Coelho passou o fim de semana a defender a Altice e a atacar António Costa por ter criticado a empresa. 
Para o líder do PSD, criticar as empresas é intolerável, mesmo um crime de lesa economia,  mas despedir 3 mil trabalhadores é um problema de gestão.
E convidar um xenófobo  racista, apoiado pelo partido de extrema direita, para se candidatar à CM de Loures é a democracia a funcionar.
Eu sei que Passos Coelho tirou o curso numa universidade da treta, onde teve professores com o calibre intelectual e moral de Maria Luís Albuquerque. Não sei é se isso foi suficiente para Passos Coelho se ter deixado corromper mental e intelectualmente. Creio mesmo que a corrupção mental de Passos Coelho é uma doença incurável que o afecta desde a adolescência.
Face às reacções que se vão conhecendo de todos os quadrantes à aquisição da Media Capital pela Altice (até Marcelo parece estar preocupado) a doença de Passos Coelho pode ter uma explicação. A seu tempo se saberá...
O que já se sabe há muito é que Passos Coelho tem uma especial atracção por relacionamentos pouco claros com empresas. Lembram-se quando ele era "porteiro" Tecnoforma?

Racista, ele? Que ideia tão estúpida!



Não vale a pena fazer como a avestruz e  fingir que a maioria dos  portugueses- particularmente os que têm mais de 40 anos-  não é racista.
É verdade que a maioria dos portugueses não admite ser racista, porque tem um " pretinho amestrado" a trabalhar para ele como escravo dos tempos modernos mas isso, em vez de o ilibar, atesta de forma ainda mais vincada o racismo congénito.
Os portugueses gostam de exibir certificados de civismo, multiculturalismo e solidariedade. Por isso, quando não têm um "pretinho" de estimação, arranjam uma filipina ou uma brasileira para fazer as tarefas domésticas ou servir de "bábá", mostrando assim o seu "multiculturalismo". Que acaba, no dia em que o/a brasileiro/a,  filipino/a ou ucraniano/a estão em condições de lhe disputar o emprego. Nesse dia, passam a olhar para eles como  "os imigrantes que lhes vêm roubar os empregos"
Para mostrar ao mundo que são solidários e caridosos, os portugueses também gostam de "adoptar um pobrezinho", fazer voluntariado no Banco Alimentar Contra a Fome, ou noutra instituição similar, e exibir esse estatuto nos círculos próximos.
Posto isto, quero dizer que apesar de desconfiar cada vez mais das acusações do MP, acredito que haja polícias racistas, bem capazes de fazerem aquilo de que são acusados. É certo que uma esquadra inteira acusada pelo Ministério Público de "tortura, sequestro, ódio racial, ofensa à integridade física, comportamento cruel, degradante e desumano, falsificação de documentos, denúncia caluniosa e injúria agravada" é muita coisa junta. 
Não deve ser pêra doce para aqueles agentes saber que o MP os considera "indignos do cargo que exercem" mas, o que  me deixa perplexo (mas não totalmente incrédulo, ou capaz de rasgar as vestes para sair em defesa dos polícias) é saber que naquela esquadra não existia um único polícia bonzinho!
De qualquer modo, quero salientar que gostaria de ter visto igual empenho do MP e da comunicação social a apontar o dedo aos culpados, nos casos dos quatro polícias mortos na Cova da Moura, nos últimos 12 anos. Ou dos que foram ameaçados, perseguidos e obrigados a fugir do bairro.
É que, tanto quanto me lembro, não houve ninguém condenado por essas mortes... 
Ora eu acredito que, tal como nos divórcios, nestes casos a culpa não é apenas de um lado...

domingo, 16 de julho de 2017

Apitó comboio!





Depois de ter sido ilibado em tribunal no, início da semana, no processo da segurança privada, Pinto da Costa teve ontem  outra razão para sorrir. 
Nove anos depois, o Conselho de Justiça da FPF reconheceu que o processo Apito Final ( que deu origem ao Apito Dourado) foi uma invenção de Ricardo Costa, o juiz benfiquista que aplicou dois anos de suspensão a Pinto da Costa e subtraiu seis pontos ao FC do Porto, por alegada tentativa de corrupção do árbitro Augusto Duarte.gou 
( Lembro aos mais distraídos que a acusação alegava que o FC do Porto tinha corrompido um árbitro para não perder o jogo da última jornada em Aveiro, num campeonato em que chegou à última jornada com 20 pontos de avanço sobre o segundo classificado. Vale a pena recordar este facto para se perceber melhor como funciona a justiça portuguesa)
 É verdade que o FC do Porto e Pinto da Costa já tinham sido ilibados pela justiça civil no processo Apito Dourado mas, como na justiça desportiva quem manda é um bando de traficantes vermelhos, só agora o CD veio reconhecer o erro ( em minha opinião não foi erro, mas sim invenção arquitectada por um juiz benfiquista que agiu de má fé)
É verdade que Pinto da Costa já cumpriu a pena e o FC do Porto não será ressarcido, mas a verdade foi reposta. Porquê nove anos depois?


A resposta parece-me evidente. Perante o caso dos mails que provam como o SLB interferiu na classificação e nomeação de árbitros e sobre eles exerceu coacção, o CJ da FPF quer varrer rapidamente para debaixo do tapete este escândalo gerado na Luz, porque têm medo de Pedro Guerra e Luís Filipe Vieira.
Podem vir para aqui os benfiquistas dizer as inanidades que lhes apetecer. Se os comentários forem civilizados nem os eliminarei mas, se vierem clamar a inocência do SLB e falar em portistas corruptos eu mando-os enfiar os apitos  no fundo das costas.
Sim, sou portista com muito orgulho e completamente intolerante com benfiquistas que se armam em anjos puros, inocentes e justiceiros, apesar de a realidade demonstrar exactamente o contrário.

Dia do Postal Ilustrado (62)

Salvador 1973

sábado, 15 de julho de 2017

Memórias em vinil (CLXXXVI)

Pois, pois, eu sei que esta história de amor  interpretada pelo Júlio Iglésias era muito pirosa.
Já pelos French Latino  a história é outra...
Mas e se for pela Luz Casal? Não é memória em vinil, mas continua a ser um excelente tema, como já era no meu tempo. Só que na altura do vinil eu também a achava pirosa. Uma questão de roupagem e tudo muda, não é?


Boa noite!

Leituras de Verão (5)

Autor: JG Ballard
Editora: Elsinore
Primeira edição: Março 2017
Número de páginas: 352

JG Ballard dispensa apresentações, mas a leitores mais distraídos recordo que é o autor de "Crash" e "O Império do Sol", dois best sellers mundiais, tendo o último dado origem ao filme com o mesmo nome.
"Reino do Amanhã" não será, propriamente, um livro light, mas é imperdível para quem se interessa pelas questões sociais e, muito particularmente, pelo consumismo  e a forma determinante como tem moldado as sociedades.
Um livro que levanta questões muito sérias. Para ser lido e partilhado.

Lição da semana


Se fores primeiro ministro nunca critiques uma empresa de telecomunicações. Arriscas-te a que ela compre um canal de televisão para criar fake news e minar a credibilidade do teu governo.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Memórias em vinil (CLXXXV)

Esta não é bem uma memória em vinil, mas uma excelente versão de Besame Mucho interpretada por Cesária Évora
Já agora, vale a pena ouvir também  a versão original ( em vinil) de Consuelo Velasquez


E já agora...
Sabiam que os Beatles tinham gravado uma versão ( também em vinil) de "Besame Mucho"? Se não sabiam, aproveitem para ouvir

Boa noite e bom fim de semana

E quem não percebe isto ou é tolo...

Com o freio nos dentes



Depois de conhecer melhor os contornos da sentença que condenou  Lula a nove anos e meio de prisão e de constatar a forma cirúrgica como a justiça está a actuar em Portugal, não vou escrever que até nisso somos irmãos. Tenho é muito medo desta justiça que tomou o freio nos dentes, porque se há coisa que ainda receio mais do que uma ditadura, é um estado justicialista travestido de democracia.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Memórias em vinil (CLXXXIV)

E  regressamos à bela música francesa dos anos 60 com Salvatore Adamo.
Tenham uma boa noite!

Já chegámos à Tailândia?

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera anuncia que a temperatura mínima para esta noite em Lisboa e Faro será de 25 graus. Temperaturas nocturnas a que não estou habituado desde que deixei a Ásia.
É hoje que vou dormir no terraço, tendo como teto as estrelas e a ouvir as ondas do mar.

Jornalismo? Não. PUTEDO!



Depois da cena de Vítor Rainho, que relatei no post anterior, hoje deparo com esta capa nos escaparates.  Lamento ver  uma jornalista que muito prezo envolvida nesta badalhoquice, mas não posso conter a minha revolta. Isto não é jornalismo, é PUTEDO!