quarta-feira, 24 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXLI)

Só quando fui para os EUA conheci esta banda familiar que à época tinha enorme sucesso.
Não terão tido idêntico sucesso em Portuga, mas decidi incluí-los nestas memórias, porque a coreografia deste "Neither One of us (wants to be the first to say goodbye)" é divertidíssima e imperdível.
Gladyys Knight é considerada nos EUA uma das mais emblemáticas vozes do soul. Teve uma carreira a solo com grande destaque e teve entusiasmantes duetos com BB KING ou Etta James. Mas é uma interpretação a solo, no Chile, que vos deixo esta noite.  (...) Try to remember
Boa noite!

Vem aí o fim do mundo!



Depois de ter criticado de forma vil e soez o governo de António Costa, acusando-o de estar a desbaratar o bom trabalho feito pelo governo Passos/Portas;
Depois de ter garantido que Portugal não escaparia a um novo resgate;
Depois de ter mandado o holandês presidente do Eurogrupo afirmar numa entrevista a um jornal alemão que os portugueses são uns malandros que  gastam o dinheiro todo em p.... e vinho.
Depois de tudo isto, o ignominioso fascista  Schaueble,  ministro das finanças do país dos "milagres económicos" foi ao ECOFIN e comparou Mário Centeno a Cristiano Ronaldo
Ver  um alemão arrogante e fascista dar o braço a torcer e admitir que um reles tuga afinal tinha razão, é caso para temer que venha aí o fim do mundo. Tivesse esta comparação  sido feita no dia 13 de Maio e toda a gente teria falado em milagre. Proferida hoje, o significado é diferente e tem dois destinatários. A nível interno é uma mensagem aos eleitores alemães. 
" Não vale a pena bater mais no governo português, porque os tipos são teimosos, têm fibra e, o pior de tudo é que tinham razão. Afinal havia mesmo alternativa. Será que o Centeno descobriu a fórmula da poção mágica dos irredutíveis gauleses e a aplicou às finanças?"
A nível externo foi um recado a Passos Coelho e Marilú:
" Lamento, mas não contem mais com o meu colinho. Perante as evidências, a única coisa que vos posso dizer é que mudem de táctica e reconheçam que o Centeno é um grande ministro das finanças".

A globalização do medo

Pintura de Ljuba Adanja (2002)


 Será o século XXI o século do medo?  Poderá estar o medo a ser utilizado para nos restringirem a liberdade, diminuir os direitos?  Será o medo capaz de  transformar  as democracias tradicionais em sociedades esclavagistas legitimadas pelo voto popular?
Uma retrospectiva dos 12 primeiros anos deste século justifica todas as interrogações.
Tudo começou em 2001 com o ataque às Torres Gémeas. Desde esse dia Bush bramiu  o papão do terrorismo e aumentaram as medidas securitárias.
 Viajar de avião passou a ser um tormento porque os aeroportos,  além de nos reterem muito para lá do que seria normal  numa época em que todos andam obcecados  com o tempo, se transformaram em  espiões dos nossos corpos e dos nossos passos.
Em terra, a Al Qaeda  passou  a estar  presente em toda a parte, qualquer sítio poderia ser alvo  dos atentados suicidas dos homens de Bin Laden. Os atentados de 11 de Março em Madrid e 7 de Julho em Londres fizeram com que o medo alastrasse e, quando parecia que as coisas poderiam acalmar, uma ameaça de pandemia  provocada por um vírus da gripe encontrado no México, deixou os cidadãos de todo o mundo em pânico.
 A gripe  A não fez mais vítimas do que uma gripe normal, mas venderam-se  milhões de  vacinas. Os beneficiários dessa  histeria colectiva, foram os laboratórios. Os cidadãos encontraram mais um motivo para o pânico nesta sociedade higienista que, curiosamente, é uma das mais letais da História.
Bin Laden, o inimigo número 1, apesar de não ser visto em público,  tinha um rosto. O vírus da gripe A não, mas era reproduzido na imprensa e nas televisões em fotogramas acompanhados de complicados esquemas analisados por especialistas, que explicavam a forma de reprodução do inimigo.
Desde 2007 – e mais acentuadamente desde 2009- um novo inimigo começou a ameaçar  o mundo, particularmente a parte ocidental do hemisfério Norte. Ninguém lhe viu o rosto, não há especialistas nas televisões  a explicarem com esquemas complicados como ele ataca, mas sabemos o seu nome: MERCADOS .
 A utilização do plural   indicia que, desta vez, o mundo está a ser atacado por um inimigo invisível que se reproduz com grande facilidade, podendo  as suas células mãe ser localizadas em Wall Street, na City, quiçá em Singapura, e as ramificações em paraísos fiscais que dão pelo nome de off-shores.  Sabido é que o vírus dos mercados ataca nas Bolsas e nos negócios ilícitos,24 horas por dia, mas ninguém o consegue apanhar. Ou melhor: não sabemos, ainda, se alguém estará interessado em apanhá-lo!
Os especialistas  da área económica e financeira desdobram-se em análises complexas, a maioria diz que a melhor forma de o extirpar é dar-lhe vitaminas de crescimento, mas a direita  não está  para aí virada e contrapõe com vitaminas de austeridade, cuja aplicação massiva definha as vítimas. Quanto aos mercados, estão cada vez mais gordos, mas ninguém parece interessado em obrigá-los a uma cura de emagrecimento.

O medo provocado por esse ser misógeno que é a crise, criada pelos mercados em reputados laboratórios financeiros, começou a ser retratado no cinema.  O primeiro filme – que acabou de estrear em Lisboa- tem por título “Procurem Abrigo”  e analisa a crise financeira a partir da visão de um paranóico. Em Cannes, Brad Pitt acaba de apresentar outro filme que aborda a mesma temática. Sob a capa de filme de gangsters, “ Killing them softly” é, ao que dizem os críticos, uma parábola sobre a crise e a incapacidade de defesa perante um criminoso que ataca à distância.
Se não for através da política e da acção cívica, que seja ao menos através do cinema que os cidadãos se consciencializem que podem fazer algo para combater o inimigo sem rosto que nos prometeu uma globalização capaz de tornar o mundo mais justo, mas nos deu apenas o aumento da miséria e das desigualdades. Porque nós deixámos que assim fosse!
Já não há tempo para termos medo! A hora é de agir.

Texto publicado a 24 de Maio de 2012
( Desde então,  os ataques terroristas multiplicaram-se: Só para falar na Europa, recordo Paris (Charlie Hebdo e Bataclan), Nice, Berlim, Istambul, Londres ou mais recentemente Manchester. O medo tornou-se mais global e mais presente nas nossas vidas. Uma boa razão para o recordar 5 anos depois )


terça-feira, 23 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXL)

 O sucesso dos ABBA que escolhi para esta noite tem muito a ver com o post desta manhã. 
Tenham uma boa noite, com RICOS sonhos.

Leva lá a bicicleta, Pedro!




Marcelo Rebelo de Sousa percebeu, finalmente, que Passos Coelho estava a precisar de colinho.
 No dia em que Bruxelas anunciou a saída de Portugal do procedimento por défice excessivo, deu os parabéns ao governo e a Passos Coelho pelo sucesso alcançado. 
A pedagogia da intervenção de MRS fez-me lembrar a do tipo que, já farto da choraminguice e lamentações do amigo, por ser incompreendido por toda a gente e ninguém lhe dar razão nem reconhecer os seus méritos, um dia desabafa:
- Está bem, tens toda a razão, leva lá a bicicleta!
Ao ouvir as palavras de Marcelo, Passos Coelho abriu a boca de orelha a orelha, num sorriso que já não se lhe  via há muito.
Caso para dizer:
-   Leva lá a bicicleta Pedro, mas tem cuidado. Não te estampes.

Gato escondido...



Os bancos portugueses ficaram  escaldados com os incumprimentos do crédito à habitação.  Agora, que a recuperação económica  é  visível e os portugueses parecem querer voltar a endividar-se como se não houvesse amanhã, é natural  e saudável que  não queiram cometer o mesmo erro de anos anteriores e se tornem mais exigentes e cautelosos na concessão de crédito.
Alguns bancos estrangeiros viram na prudência dos bancos portugueses uma oportunidade de negócio e decidiram entrar nesse apetecível mercado, outrora "reservado" aos bancos nacionais .
É óbvio que esses bancos não concedem créditos a quem queira comprar um T0 na Reboleira. Os clientes que lhes interessam são os que têm mais olhos que barriga e pretendem empréstimos para adquirir casas  em locais considerados de alta rentabilidade.
É que os bancos olham para estes clientes como potenciais incumpridores e o aliciante de poderem vir a ficar com as casas e (re)vendê-las por um preço interessante a clientes estrangeiros que pretendam investir em imobiliário em Portugal é visto como uma boa oportunidade de negócio.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXIX)

Começo a semana como terminei a última: com um dueto. Muito especial. Diria mesmo que "Unforgettable"
Boa noite e votos de uma excelente semana.

A II Revolução Francesa En Marche?


Ainda é muito cedo para prever o futuro  da  França de Macron, mas há uma coisa que parece inquestionável: a aceitação do seu governo a nível interno está em grande parte dependente da relação que estabelecer com Merkel.
 Nas vésperas da segunda volta das presidenciais, Marine Le Pen disse  num comício: “a França será sempre governada por uma mulher. Ou por mim, ou por Merkel".
Face ao comportamento dos dois últimos presidentes franceses, Marine Le Pen tem razão. Sarkozy e Hollande  desbarataram a popularidade granjeada antes das eleições, por se terem deixado dominar por Merkel. Sendo quase certo que Merkel ganhará as eleições de Setembro e que a relação com Macron parece ser bastante empática, se o jovem presidente francês quiser sobreviver, tem de mostrar aos franceses que Le Pen estava enganada. Para isso não pode cometer os mesmos erros dos antecessores.
  A nível interno pode   dizer-se que as escolhas de Macron para o  governo,  se não dinamitaram os dois principais partidos, debilitaram-nos fortemente. As escolhas foram cirúrgicas e provocaram fortes rombos  nas hostes republicanas e soialistas
Muitos analistas prevêem  a possibilidade de o partido fundado à pressa por  Macron poder ter a maioria absoluta nas legislativas de Junho e dar-se ao luxo de prescindir do apoio dos partidos tradicionais. Neste cenário, a pedra na engrenagem será uma extrema esquerda mais buliçosa e com mais forte apoio popular.
A confirmar-se esta previsão, será o fim da V República e uma  revolução  programática  com forte influência no sistema  partidário francês, cujo exemplo  poderá contagiar outras geografias europeias. 
Se Macron não conseguir eleger a maioria dos deputados, mas estabelecer com sucesso acordos à direita e à esquerda que permitam estabilidade, assistiremos então a uma revolução mais “douce” e menos programática, mas ainda com ingredientes inovadores suficientes para se expandir no espaço europeu.  
Seja qual for o cenário, não se pode esquecer a força dos sindicatos em França. Esse é um outro desafio à capacidade negocial de Macron.
Perdida a esperança de construir uma Europa solidária e  dado  como adquirido que o mercado de trabalho e o perfil da  empregabilidade  estão em profunda transformação, Macron terá de conseguir sensibilizar os sindicatos para essa nova realidade global. Mais do que discutir salários e regalias é importante estabelecer novas regras para o mercado de  emprego  que dignifiquem e valorizem o trabalho.
Sendo Macron um liberal, não se pode esperar que preconize medidas muito favoráveis aos trabalhadores, mas se conseguir um entendimento com os sindicatos que permita reduzir substancialmente a taxa de desemprego ( a redução do horário de trabalho e o aumento das férias poderá ser colocado na mesa das negociações) poderá amaciar a contestação nas ruas.
Macron tem dado provas de ser inteligente e sagaz. Quero acreditar que conseguirá levar a bom porto a revolução que preconiza e poderá influenciar o futuro não só dos franceses, mas também da Europa.
Não são muito claras as posições de Macron face à imigração e aos refugiados, mas não poderá deixar de interligar estes temas  com as questões laborais. E só terá sucesso, se apresentar propostas inovadoras.
Neste momento pode dizer-se que há uma revolução En Marche em França.  Se irá abortar ou ter sucesso, é impossível prever, mas uma coisa é certa. O falhanço do projecto Macron terá como consequência imediata a vitória de Marine Le Pen em 2022.

Esperemos que todos os intervenientes neste processo tenham em mente o risco de um falhanço. Inclusivamente actores externos, pois o que se passar em França nos próximos dois ou três anos, será determinante também para o futuro da Europa.

Impeachment? I don't believe!

Começa a espalhar-se a convicção de que, mais tarde ou mais cedo, será aberto um processo de impeachment para afastar Trump da Casa Branca.
Sinceramente, não acredito que tal venha a acontecer. Pelas mesmas razões que não acreditei quando se colocou a hipótese em relação a Nixon  e Bill Clinton. Poder-se-á dizer que o processo de impeachment contra Nixon só não avançou, porque ele se demitiu. É verdade, mas com Trump a  situação é diferente: os próprios democratas vêem com alguma relutância a concretização de um processo de impeachment, porque a concretizar-se  o lugar seria ocupado pelo vice-presidente Mike Pence.
Ora, por incrível que pareça, Pence é 10 vezes pior do que Trump. Além de Criacionista e homofóbico, xenófobo e acérrimo defensor da retirada de direitos cívicos aos homossexuais, Pence é a encarnação do macaco Adriano. As sua posições homofóbicas posicionam-no como um aliado de Putin  e da extrema direita europeia.
Mike Pence tem, pois os mesmos defeitos de Trump, mas é ainda menos inteligente e os interesses que o movem são ainda mais sinistros, podendo contribuir para um retrocesso civilizacional sem paralelo na sociedade americana.
Acresce que as eleições de 2018 poderão alterar a relação de forças no Senado e na Câmara de Representantes, dando maioria aos democratas, mas um processo de impeachment poderá ser-lhes prejudicial

domingo, 21 de maio de 2017

Those were the days (44)




Terminou hoje a 50ª edição do Rali de Portugal.
Confesso que a prova me passou ao lado mas hoje, quando ouvi anunciar  o nome do vencedor, recordei com alguma nostalgia a primeira edição, realizada em outubro de 1967.
Nas primeiras edições o Rali durava quase uma semana, começava  em 10 ou 12 cidades europeias até os concorrentes se juntarem num ponto comum. Era então que o Rali começava “a doer”. As classificativas começavam  no norte e  terminavam na louca noite de Sintra, depois de várias etapas que chegavam a ter 1000 quilómetros!
Eu não era grande apreciador do desporto automóvel, mas lembro-me  perfeitamente da loucura que foi aquela primeira edição.
Estava nas vésperas de me emancipar do colo familiar (viria nesse mesmo ano para Lisboa mas, por aqueles dias, estava a aguardar a transferência de Coimbra, onde inicialmente me inscrevera por pressão dos meus pais, que me queriam mais perto de casa) e o Rali de Portugal foi uma prova de fogo. Com um grupo de amigos fanáticos por automóveis, acompanhei a prova do primeiro ao último minuto. Quase não íamos à cama, comíamos mal e quase sempre em restaurantes apinhados de adeptos absolutamente fanáticos.
Nos dois anos seguintes  apenas fui à noite de Sintra, mas o entusiasmo diminuiu consideravelmente.
Lembro-me, no entanto, que o Rali terminava na madrugada de domingo nas arcadas do Estoril ( onde actualmente tem início o Rali de Portugal Histórico) mas, naquela época, estava longe de imaginar que 50 anos depois haveria de morar nessas arcadas.

Dia Bilhete Postal (54)


Mais um postal  enviado pela minha irmã em 1958

sábado, 20 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXVIII)

Como prometido, as noites de sábado são sempre preenchidas com memórias bem românticas.
Esta semana trago-vos um dueto e uma canção inesquecíveis. Peabo Bryson e Roberta Flack  cantam " Tonight I celebrate My love".
Celebrem e aproveitem a noite o melhor possível.

"O Coelho Mau"



Na sequência do post anterior, recordo os leitores que ao contrário de outros anos, em 2017 não há nenhum filme português na Selecção Oficial de Cannes, mas serão apresentados três na Quinzena dos Realizadores e um na Semana da Critica.
Nesta paralela, será exibida a curta metragem “O  Coelho Mau”. 
O título é de meter medo ao susto e a sinopse adverte que "muitas vezes é preciso um intermediário para nos mostrar as coisas com clareza".  
Quanto à história, centra-se na relação conflituosa entre dois irmãos, uma mãe ausente e o seu amante. Felizmente não há referência a um pai  saudoso do fascismo.

Em Cannes com a Brites





Começou esta semana mais uma edição do Festival de Cinema de Cannes. 
Longe vão os tempos em que o  festival marcava o início de uma boa temporada em França. Terminado o festival seguia para o GP do Mónaco e, semanas mais tarde,  rumava a Paris para fazer a cobertura de Roland Garros.  Houve um ano em que cheguei a fazer uma “perninha” no Tour de France,  durante uns dias, para substituir um  camarada  sul americano que adoecera.
Já estava cansado de automóveis e de ténis, mas Cannes é ainda hoje  uma saudade. Gostaria de lá estar  este  ano. Não sendo possível, tenho  esperança de lá estar no próximo,  por minha conta e risco.
Por agora limito-me a recordar um dos apontamentos que a Brites  escreveu em 2010, sobre a minha presença na Meca do cinema europeu.
Aqui vai:
Cannes, 20 de Maio de 2010
Olá ! 

Aqui estou eu na Croisette, esvoaçando de um lado para o outro, a ver as celebridades que por cá vão passando.
Nunca vi tanto jet set junto e ao vivo! Depois destes dias aqui em Cannes, ler as revistas não vai ser a mesma coisa. Espero aparecer em algumas, porque tirei fotografias com tudo quanto é finaço… Ainda há bocado estive quase a poisar nos braços do Javier Bardem, mas um segurança veio furioso em direcção a mim, com tanta energia, que me pisguei num bater de asas.
O Carlos está a fazer uma entrevista à Penélope Cruz. Nem imaginam como o coração dele bate desde ontem de manhã. Até parece que nunca veio a Cannes! Hoje de manhã, enquanto eu tomava o pequeno almoço, vi-o a apinocar-se. Parecia que ia para um encontro amoroso. Pôs tanto perfume, que creio que a pobre da Penélope vai fugir assustada quando ele se aproximar dela. Coitado, não se enxerga. Quanto mais velho, mais trolaró fica, mas parece que isso acontece com todos os homens e é por isso que alguns, quando as mulheres chegam aos 50 anos, a trocam por duas de 25.
Parece que há dias houve aqui um temporal tão grande, que fez “O Pesadelo em Elm Street” parecer um musical da Broadway, mas acho isto muito bonito, apesar de uma cotovia espanhola que encontrei ontem à tarde me ter dito que só vale a pena cá vir durante o Festival. Sabem o que é que a marada me disse? Que fora desta época Cannes parece a Quarteira! Deve ser parva…
Voltando ao Festival, devo dizer-vos que nos bastidores se discute mais política do que cinema. Desde um ministro italiano a tentar proibir a exibição de um filme, até à greve de fome que o realizador iraniano Jafar Panahi decidiu fazer depois de ter sido preso em Teerão, tudo é motivo de conversa . O Godard também resolveu meter a colherada. Depois de ter defendido que a Suiça devia desaparecer como País, deixou os jornalistas pendurados e não apareceu na sala de imprensa, após a exibição do seu filme “Socialism”. Mas como é que ele podia aparecer se decidiu não vir a Cannes? Mandou um fax ( ele tem 79 anos, se calhar ainda não sabe que existem e-mails e telemóveis) a dizer que “problemas do tipo grego” o impediam de estar presente porque, embora para estar em Cannes estivesse disposto a ir até à morte, não queria dar nem um passo mais para além disso. Não perde o humor este magano!
Eu consegui ver o filme escondida nas penas do chapéu de uma velhota muito pintada, mas cheia de glamour, que deve ter entrado de penetra . Gostei muito. Aqueles dois papagaios de cabeleira vermelha que entram no filme, são umas brasas, só vos digo! As pessoas riram-se muito durante o filme, mas eu não consegui perceber onde estava a graça. Até me pareceu um filme bastante triste, devo confessar, porque também entravam dois gatos e eu estive sempre à espera do momento em que eles iam filar os papagaios. Quando contei isto ao Carlos ele riu-se e disse que eu não tinha percebido nada do filme, mas eu não liguei, porque ele tem a mania que só ele é que é inteligente.
Só para terminar, quero dizer-vos que ouvi umas conversas sobre o filme do Manoel Oliveira que foi aplaudido de pé, mas quem deixou a população masculina cheia de torcicolos foi a nossa ministra da cultura. No restaurante do Majestic, ouvi dizer que este ano não passou por lá ninguém com tanto glamour como Gabriela Canavilhas. Com uma ministra assim, ninguém de perfeito juízo se atreve a propor o fim do ministério da cultura!
Agora tenho de me ir embora, porque a Internet está cara e já gastei parte dos créditos do Carlos. Espero que ele não repare, senão lá me vai ameaçar mais uma vez, de que um dia acabo no tacho. Mas quem é que gosta de carne de cotovia? Bem , vou-me pirar, porque vem ali um laverca em voo picado e eu hoje não estou para essas coisas. Passem bem, até ao meu regresso, e não estranhem se o Carlos não vos visitar nos próximos dias, porque ele anda muito entusiasmado com o jet set. Ontem garantia que tinha visto a Angelina Jolie. Só quando o vi a ler “O Monge Negro” do Tchekov é que percebi que estava com alucinações.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXVII)


Estamos a chegar ao fim de semana e o amor anda no ar. Em jeito de aquecimento, aqui fica Sinead O' Connor.
Tenham uma boa noite e um excelente fim de semana.
E obrigado por continuarem desse lado.

Obrigado, RTP!

Hoje dei por mim a pensar que se os Pafiosos que venderam o país ao desbarato tivessem  privatizado a RTP, como era vontade de Relvas e Passos Coelho,  não teríamos  festejado a vitória no Eurofestival.
Senti necessidade de dizer isto, porque a SIC tentou passar mensagem de que o facto de Salvador Sobral ter  participado nos "Ídolos" foi determinante para o seu sucesso.
Essa tentativa de colagem é injusta para a RTP , mas sobretudo para o Salvador.
Antes do Festival da Canção ( o próprio o disse em entrevista)  Salvador continuava a ser um desconhecido com imensas dificuldades para divulgar a sua música e o seu trabalho “Excuse Me”, porque a maioria dos “empresários(?) musicais” dizia-lhe que este ano já tinham as datas todas ocupadas.  Depois da vitória no Festival da Canção da RTP as coisas mudaram e ainda mais mudarão após a vitória no Eurofestival. Não me consta que a SIC tenha feito alguma coisa para lhe arranjar contratos ou dar protagonismo.
Felizmente os pafiosos não conseguiram os seus intentos e a RTP continua pública e de boa saúde. É na RTP 2 que podemos ver o noticiário mais equilibrado das televisões portuguesas e algumas das melhores séries que passam em Portugal, fora daquela caixa de enlatados que são ( na generalidade) as séries americanas.
A RTP 1 não tem telenovelas, mas tem séries portuguesas de grande qualidade que nos contam a nossa História  e nos levam a locais do país que desconhecemos.  Na RTP são exibidas  séries históricas ( como Versailles, por exemplo) de grande qualidade e excelentes documentários.
A RTP 1  transmite em directo os eventos desportivos de maior interesse,  exibe concursos de cultura geral ( adaptados à média cognitiva dos portugueses – por isso pouco exigentes é verdade, mas sempre se vai recordando alguma coisa esquecida)  e tem um talk show diário que se mantém no ar há vários anos ( 5 Para a Meia Noite).
A RTP oferece-nos uma possibilidade de escolha muito variada nos seus diferentes canais, mas ainda nos proporciona a recordação de grandes séries na RTP Memória.
Era altura de os portugueses olharem para a RTP com outros olhos e deixarem de lhe colar o anátema de “canal público”. Porque, no caso específico da RTP, serviço público é sinónimo de qualidade, de inteligência e de fuga à massificação programada onde se afogam as privadas, numa luta que tem por único objectivo tornar-nos mais acríticos e acéfalos. 
 As televisões privadas divertem as pessoas ( não percebo como é que noticiários onde se fala quase exclusivamente de crimes, ou   Big Brothers, Casas dos Segredos, telenovelas e similares conseguem fazer as pessoas felizes, mas o problema deve ser meu e de uns quantos que continuam a esforçar-se por fugir à formatação que os canais privados nos impõem) a televisão pública tenta informá-las e ajudá-las a ser melhores pessoas ( embora seja obrigado a reconhecer que por vezes nos apresenta programas de indigência confrangedora, como O Preço Certo).
Estarei eternamente grato à RTP e aos excelentes profissionais que lá trabalham e agradeço-lhe ter apostado em força este ano no Festival da Canção. 
No próximo ano a RTP vai organizar o Eurofestival. Vai ser um espectáculo caro, que talvez não justifique o investimento. A avaliar pelos anos anteriores  as televisões que organizam o Eurofestival dizem que é difícil garantir o retorno do investimento. Há, porém,  um prestígio a defender e mau seria se  a RTP abdicasse de organizar o Eurofestival em 2018. 
Peço por isso aos detractores do serviço público de televisão que se abstenham de começar, desde já, a criticar o desperdício de dinheiro que será a organização do Eurofestival. E a todos os outros que, antes de criticarem,  se lembrem  dos momentos felizes que Salvador e Luísa Sobral lhes proporcionaram. Eu sei que há gente que não gostou da canção. Muitas porque detestam o festival ( eu sou um deles, mas já fui fã), outros apenas por mera snobeira. São uns tristes, coitados. Tenho pena deles.  Ficava-lhes bem, no entanto, reconhecer o trabalho da RTP. Que projectou a música portuguesa lá fora- abrindo portas que para muitos estariam eternamente fechadas- mas acima de tudo deixou muita gente feliz.

Aprendeste a lição, Rui?



Considero Rui Moreira um homem honesto e as notícias do "Público" pondo em causa a sua  honorabilidade não me  fazem mudar de opinião. Pelo contrário. Apenas confirmam o que aqui escrevi.
Rui Moreira já terá percebido que foi enganado por aqueles que o convenceram a dar um chuto no PS.
Talvez  já esteja  arrependido e tenha compreendido que  o objectivo dos seus "apoiantes independentes " era ressuscitar o PSD que estava morto  e sem candidato credível. Uma vez afastado o PS,  os laranjas vêem uma possibilidade de regressar ao governo da câmara do Porto, ao colo de Rui Moreira.
A política tem destas coisas Rui. Ser independente não é mesmo nada fácil. Principalmente quando se é naïf e se confia nos independentes  que têm o seu próprio programa e  objectivos escondidos na manga.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXVI)

Cat Stevens tem um rol imenso de excelentes canções que merecem ser recordadas. Escolhi esta do meu baú para vos dar as boas noites hoje.
Tenham bons sonhos

Uma violação de encomenda



O Correio da Manhã divulgou um vídeo onde uma jovem está a ser masturbada por um rapaz durante uma viagem de autocarro.
Para dar mais picante à coisa, o CM escreveu que a jovem foi violada durante a Queima das Fitas no Porto.
Eu não vi o vídeo, mas bastou-me saber que a cena foi filmada por um grupo de jovens que a tudo assistiu com entusiasmo, para perceber que não se tratava de violação nenhuma. Obviamente que Octávio Ribeiro e a sua trupe também sabiam  que aquilo era ressaca de bebedeira  própria da Queima das Fitas mas, fiéis ao estilo “jornalismo  de estrebaria” , publicaram o vídeo  como se de uma efetiva violação se tratasse. 
Não estaria a escrever sobre o assunto, se Octávio Ribeiro não tivesse justificado a publicação do vídeo com o argumento de que “ sem notícias não há reflexão”. Ora, quanto a mim, não é a notícia que merece reflexão, mas sim o tipo de jornalismo do CM e  a  justificação estapafúrdia do director do CM..
Sabendo do que a casa gasta, percebe-se perfeitamente que o objectivo foi  aumentar o número de visualizações  da estrumeira da manhã, para justificar a publicidade. Por outro lado, sabendo-se que o jornalismo de estrebaria se alimenta de escândalos, notícias falsas e fabricadas, será legítimo  questionar se o vídeo não terá sido “uma encomenda”.
Eu sei que muitos dos portugueses que estiveram em Fátima no último fim de semana, movidos pela Fé, são devotos leitores do CM, mas aconselha a prudência, que não tenham a mesma Fé quando lêem ou vêem o Correio da Manhã. 
É que lê-se, ouve-se e vê-se tudo sobre a notícia e conclui- se que o video nada acrescenta aos factos. limitando-se a alimentar o "voyeurismo". Logo, a única violação que existiu foi a da ética jornalística pelo que, conhecendo-se os violadores, a única  coisa que  espero é  vê-los  exemplarmente condenados
Quanto ao comportamento dos jovens parece-me condenável, mas  fico-me por aqui, não venha aqui  alguém lembrar-me  que também já fui jovem. Tratando-se de uma evidência e uma vez que também fui irreverente, apenas me congratulo com o facto de a jovem ter assumido que não houve violação, mas sim um acto consentido.
Fico muito mais tranquilo e satisfeito. Sempre gostei de jovens responsáveis.

O regresso da Alma Penada


Não sei se foi a vinda do Papa a Fátima, o tetra do Benfica e a vitória de Salvador no Eurofestival que obrigaram a comunicação social a não reproduzir as baboseiras de Passos Coelho, ou se foi o próprio que optou por se remeter ao silêncio, por saber que a sua mensagem dificilmente passaria enquanto os portugueses andassem inebriados com tanta felicidade.
Admito  que tenha sido decisão de Passos. No entanto, assim que surgiram algumas boas notícias a demonstrar que a geringonça vai no caminho certo e que o governo  Pafioso andou quase cinco anos a roubar os portugueses injustificadamente, Coelho saiu da toca com a destreza das Almas Penadas. 
Primeiro reuniu as tropas e mandou uma ilustre desconhecida deputada dizer à comunicação social que os sucessos do governo se devem às medidas do seu governo.
Cansados do disco riscado, os portugueses não lhe ligaram e terão ouvido,com algum agrado e uma sensação de alívio, o recado de Marcelo Rebelo de Sousa , a pedir a Coelho que se calasse e deixasse de fazer birras de puto.
Em vez de reagir como menino mimado, desta vez Coelho vestiu a pele de prostituta bêbada. 
Esqueceu-se das críticas ao fraco crescimento de 2016 ( atribuindo culpas ao governo de António Costa) e continuou a dizer que  o mérito era dele,a razão estava do seu lado e exigiu ao PR que se calasse, pois era esse o seu dever. Ele- Coelho- sabe muito bem que "tudo o que se está a passar são fogachos e que o país não conseguirá progredir com medidas que aliviam os sacrifícios" (dos que ele fez sofrer durante 5 anos).
O discurso de PPC está gasto e os únicos portugueses que ainda não perceberam são ele próprio e a Marilú. Eu não sei qual é a posição da Igreja em relação às almas penadas, mas creio que a excomunhão seria uma punição adequada a tão sinistras figuras.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXV)


Este enorme sucesso de  George Michael não poderia ser esquecido nestas memórias.
Boa noite

À mesa com... Salvador Sobral



Aviso prévio: o título deste post é um embuste. Não almocei com Salvador Sobral, como o título pode sugerir.

Hoje almocei sozinho num restaurante do Monte Estoril. Como acontece sempre que estou sozinho levo alguns jornais para fazer uma leitura mais atenta e criteriosa do que aquela que faço on line.
Minutos depois de me sentar chegaram dois funcionários de um banco, acompanhados de uma terceira pessoa que - mais tarde viria a saber- trabalha numa imobiliária.  
Sentaram-se na mesa ao meu lado. Os funcionários do banco, meus conhecidos, cumprimentaram-me. Retribuí e continuei a ler os jornais.
A determinada altura ouvi  um dos bancários dizer: 
- Aqui o doutor, que é jornalista, é que deve saber tudo. Não é, doutor?
Estava completamente alheado da conversa que se travava ao meu lado e perguntei:
- Não é o quê?
Entreolharam-se os três - perplexos ou incrédulos por eu não saber de que estavam a falar?- até que um, finalmente, pareceu ganhar coragem para quebrar o embaraçoso silêncio.
- Estávamos aqui a falar sobre o tipo que ganhou o Festival. Parece que ontem disse numa entrevista que gosta de seres humanos, sejam eles homens ou mulheres e aqui o F... ( o funcionário da imobiliária) diz que ele é gay. O doutor  que é jornalista é que deve saber.
- Sou jornalista mas não escrevo para revistas de mexericos- respondi secamente. Mas já agora, porque é que dizem que ele é gay?
- O doutor desculpe, mas um tipo que  ninguém conhecia, ganha a eurovisão e  depois dá entrevistas a dizer que o que mais lhe interessa é analisar os seres humanos, sejam homens ou mulheres está mesmo a querer dizer que é maricas. Ou pelo menos dá para os dois lados,  não lhe parece? - retorquiu o da imobiliária.
- Não, não me parece- respondi de cenho fechado. Eu também gosto de analisar os seres humanos independentemente dos sexos. Para mim, o importante, são as conversas que   têm.
( Quando acabaram de almoçar um dos funionários bancários , gestor da minha conta, ficou deliberadamente para trás e , em surdina,abordou-me  pedindo desculpa pela conversa do amigo que rotulou de machista. Sinceramente não sei o que desprezar mais. Pessoas  que não  assumem as suas posições, sendo capazes de trair os amigos, ou gente mesquinha para quem, mais importante do que a vitória de um português, é saber a sua orientação sexual).
Pois é, Salvador. Tu ganhaste para as pessoas que  te foram esperar ao aeroporto com um entusiasmo que me fez lembrar a recepção à Simone, umas décadas atrás, mas também para este povinho de merda que lá fora é capaz dizer , orgulhoso, " sou português, da terra do Cristiano Ronaldo, do Eusébio, do Carlos Lopes ou da Rosa Mota" mas em Portugal, quando fala dos seus ídolos tem o especial gozo de expressar  a sua inveja pelo seu sucesso, apelidando-os de" bichas e fufas".

Um terrorista na sala de brinquedos



Anda o mundo inteiro em sobressalto por causa do terrorismo e  eis que o povo americano elege como inquilino da Casa Branca, Donald Trump.
Eu já sabia que o  homem pode fazer mais mal ao mundo do que um milhão de atentados terroristas, mas ele faz  questão de o provar quase diariamente. Seja pressionando os tribunais ou demitindo altos dirigentes que se recusam a  violar os seus deveres para lhe agradar, seja  ainda a mostrar a sua faceta xenófoba e homofóbica, ou convidando ditadores para a Casa Branca, Trump faz gala de demonstrar ao mundo que faz o que lhe apetece, incluindo ignorar as regras da democracia que ele quer impor ao mundo.
A última aberração do presidente que olha para a Casa Branca como a sua Sala de Brinquedos, foi compartilhar com o ministro dos negócios estrangeiros russo, Sergei Lavrov, informação de alta segurança que nem os aliados da NATO conhecem. 
No Twitter o terrorista americano, eleito presidente, diz que tem todo o direito em fazê-lo. Pois... ESSE é que é o problema!

Em tempo: Confirma-se que o director do FBI foi demitido por Trump, porque recusou suspender a investigação sobre as ligações de Flynn à Rússia.
Num país civilizado e democrático, o processo de impeachment de Trump ter-se-ia iniciado hoje mesmo, por proposta do partido que o apoia- o Republicano.
Infelizmente, é cada vez mais perceptível que os EUA estão num processo civilizacional regressivo, que adultera, ou mesmo elide, a palavra democracia do léxico político.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXIV)


Ontem recordei aqui Stevie Wonder. 
Hoje recordo outro grande sucesso seu, mas na versão brasileira cantada por Gal Costa. Faz-me pele de galinha.
Boa noite!

Era uma vez em Alexanderplatz...



Estivesse eu a viver na Europa em Novembro de 1989 e teria corrido para Berlim a tempo de ver o desmoronar do muro que dividia a Europa. Teria tirado algumas fotos, improvisado a selfie possível naquela época, com a Yashica recém comprada em Hong Kong e atravessaria o muro  pela porta de Brandenburgo. Depois desceria a vetusta avenida  Unter den Linden e precipitar-me-ia para Alexanderplatz, a praça de Berlim que não me saía da cabeça, desde que lera o belíssimo romance de Alfred Doblin.
Por essa época, porém, eu vivia em Macau e o distanciamento, em vez de me aguçar o desejo de correr para Berlim, permitiu-me racionalizar o que estava a acontecer a 13 mil quilómetros de distância.

Trump e as florzinhas de estufa



Um humorista americano, cansado dos ataques  de Trump à comunicação social que não lhe lambe o rabo, despejou a sua ira insultando o presidente americano.
 O busílis está no facto de Stephen Colbert  ter dito que “ a única utilidade da boca de Trump é servir de coldre ao pénis de Putin”.
Compreendo a reacção indignada dos adeptos de Trump, exigindo de imediato o despedimento do humorista.
Aceito a indignação de alguns que consideram ter  sido um insulto que ultrapassou os limites da decência.
Não posso é aceitar, nem compreender, que a esquerda americana ( seja lá o que isso for) reaja como florzinhas de estufa e se junte aos adeptos de Trump para  exigir à CBS o despedimento de  Colbert, por considerar o insulto... homofóbico!
Então se o coldre do pénis de Putin fosse a boca de uma mulher ( Hillary Cliton, por exemplo) o insulto já era aceitável, porque não era homofóbico?
Estou cansado destas florzinhas de estufa que nos querem impor  um vocabulário  anódino, assexuado  e politicamente correcto.
Estou fartinho desta intelectualite da “guerra dos sexos” que reage com mais veemência a um insulto deste teor, do que às piadas que Trump  fez com um jornalista deficiente.  
Já não suporto esta maralha asséptica, tristonha e infeliz, que reclama liberdade de expressão, mas quer colocar barreiras ao humor.

Apetece-me dizer-lhes “vão bardamerda, c§r*£«o” e regressem aos úteros das vossas mãezinhas, de onde nunca deviam ter saído.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXIII)

Confesso que ouvi esta canção tantas vezes que cheguei a enjoar, mas quando a descobri no meu baú ouvi-a algumas vezes e  tive saudades das recordações que me trouxe.
Tenham uma boa noite e uma excelente semana.

Salvador Sobral ( a outra face)


Este é o Salvador Sobral que concorreu aos "Ídolos" em 2009. Vale a pena ver este video, para perceber melhor a sua evolução e como uma crítica construtiva pode ter mudado  a sua atitude e contribuído para a imagem que hoje os portugueses têm dele.

O regresso dos Efes




Na sexta feira houve um ataque informático a várias empresas europeias, incluindo pelo menos uma empresa portuguesa. 
Durante a tarde procurei saber pormenores sobre o ataque, mas o único momento em que  os três canais informativos interromperam a cobertura da visita do Papa, foi para transmitir a conferência de imprensa de Rui Vitória.
Nas notícias da meia noite  da RTP 3, a jornalista perguntava a um homem se   estava em Fátima para ver o Papa. Resposta:
- Não! Eu venho cá sempre que o Benfica ganha o campeonato. Este ano coincidiu com a visita do Papa, foi só isso.
O MFA pode ter acabado com o Estado Novo, mas a comunicação social e muitos portugueses continuam impregnados dos tiques que caracterizavam a ditadura. 
Este relato sobre o comportamento dos tugas em Fátima é revelador da relação custo/benefício que têm com a religião( Leiam, por favor!) 
Tivemos pois um fim de semana cheio de Fátima e Futebol a tresandar a Estado Novo
Para que o regresso ao  passado fosse perfeito, só faltou ver Salvador Sobral a cantar um fado em Kiev, na noite de sábado.
Felizmente não cantou, mas ganhou.  E até eu, que não tive pachorra para ver o Festival ( vi apenas o Sobral e a canção húngara), mas assisti à votação, porque tinha uma fezada, vibrei com a vitória. Só não fui para a rua festejar, porque não queria que me acontecesse o que aconteceu a alguns milhares que foram festejar a vitória do Salvador e foram confundidos com adeptos de um clube da segunda circular, cujo nome agora não me ocorre.

domingo, 14 de maio de 2017

Toma e embrulha, Pedro

João Miguel Tavares escreveu um artigo no "Público" criticando a tolerância de ponto concedida pelo governo  na sexta feira e sugeriu a António Costa que lhe tomasse conta dos filhos, porque ele e a mulher tinham muito que fazer e não podiam tomar conta das crianças que ficaram sem aulas.
António Costa leu o artigo e respondeu, prontificando-se  a ficar com eles da parte da manhã, já que da parte da tarde não podia porque tinha de estar em Fátima.
João Miguel Tavares não se fez rogado e na manhã de sexta-feira deixou os quatro filhos em S. Bento.
Eu  sei que isto desagrada a muita gente. Vão chover críticas,acusações de  populismo e sei lá que mais, mas são gestos de fair play e bom humor como este, que explicam  a geringonça e, porque não admiti-lo, tornam a vida menos pesada e sisuda. Como alguém escrevia há dias no FB, se as pessoas sorrissem mais, o SNS funcionaria muito melhor.
Está a perceber senhor Pedro Carrancudo Coelho?

Por falar nisso...

Não esqueçamos que a brilhante vitória de Salvador Sobral só foi possível, porque a irmã Luisa escreveu ecompôs  aquela bela canção a que Salvador deu vida. É da mais elementar justiça lembra-lo nesta hora de sucesso, para não cometer o mesmo erro de outros.
Na hora de comemorar o tetra, os responsáveis ( e a maioria dos adeptos?) benfiquistas esqueceram-se do nome de Jorge Jesus, obreiro de metade desse sucesso. 
É por isso que tenho muito orgulho em ser portista. No meu clube nunca se esquecem os nomes de todos os que contribuem para os sucessos do clube.
Já agora, devo acrescentar que tenho pena de quemnão  gostou ou não conseguiu emocionar-se com Amar pelos Dois. Deve ter uma vida triste...

Dia do Postal Ilustrado (53)

Não preciso de explicar a razão de ter escolhido para esta semana um postal que me foi enviado pelos meus pais de Lurdes em 1961, pois não?

Obrigado, Salvador!



Obrigado, Salvador. Foste fantástico. Os portugueses confiavam tanto em ti, que sairam para a rua a festejar às 20 horas, logo que o Festival começou!

sábado, 13 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXII)


Esta foi, até agora, a canção portuguesa mais bem classificada no Festival da Eurovisão.Não acho piada nenhuma à música, mas a Eurovisão tem destas coisas.

E para que não fiquem com saudades do Eurofestival, deixo-vos uma das piores canções de Françoise Hardy que participou em representação do Mónaco.

Chazinhos da Paróquia (13)


Lamento informar os leitores que apreciavam esta rubrica, que os Chazinhos vão sofrer um corte drástico durante os próximos meses.
Estamos a chegar ao Verão, os dias estão cada vez mais longos e a permanência diante de um ecrã de computador  é cada vez menos apetecível. O tempo escasseia  ( e, confesso, a  paciência para as pesquisas também) as temperaturas a subir são pouco convidativas para um chazinho ( a não ser quem,como eu, goste dele frio).
Por todos estes motivos, até ao Outono, os Chazinhos deixarão de ser descritivos e passam a ser meramente indicativos ( o que não impede que, uma vez por outra, não abra uma excepção).
Entretanto, aos que ainda não reservaram um lugar no Marquês de Pombal para festejar o tetra, sugiro que recordem as sugestões de passeios que fui dando durante o Inverno e, para os mais abonados, proponho  que reservem uma viagem ao Douro no comboio presidencial. São 500€ por pessoa, mas é uma  experiência inesquecível. A última viagem será amanhã, mas haverá mais 20 em setembro e outubro, sempre acompanhadas ( gastronomicamente) por chefes com estrelas Michelin -  uma garantia de que não ficarão empanturrados com a comida. Não se atrasem, porque as viagens costumam esgotar.
Esta semana fico-me mesmo por Lisboa, mas sugiro viagens pelo mundo inteiro sem sair da capital.
Para começar, não pode perder a exposição de fotografia de João Pina, "Operação Condor"
Para os menos familiarizados com as questões da América Latina, esclareço que "Operação Condor" era o nome de código utilizado pelos serviços  secretos das ditaduras militares  sul americanas, nos anos 70 e 80, para designar a operação que visava aniquilar todos os movimentos de esquerda na região.
A exposição está patente no Torreão Poente da Praça do Comércio até 18 de Julho. Não pode perder!
Outra exposição de fotografia que não pode deixar de ver é a "World Press Photo".
Até ao próximo domingo ( 21 de Maio) vá ao Museu Nacional de Etnologia e veja as melhores e mais premiadas fotos da edição deste ano do mais prestigiado prémio de fotojornalismo, que é uma referência a nível mundial.
Aproveite o fim de semana para apontar na sua agenda que de 18 a 21 de Maio se realiza a segunda edição da ARCO e, à noite, não se esqueça que Salvador Sobral vai actuar no Eurofestival da Canção. Se por acaso ficar desiludido, porque ele não ganhou, sugiro-lhe que passe pelo Crónicas do Rochedo ao final da noite. Talvez lhe interesse o que reservei para si.
Finalmente, para livro da semana, escolhi o último livro de  um autor latino americano, cuja leitura concluí esta semana:"Cinco Esquinas" de Mário Vargas llosa .

Os leitores que me seguem há mais tempo, sabem o que penso do escritor peruano e da sua reviravolta ideológica, mas isso não me impede  de continuar a apreciar a sua escrita e os seus livros. 
Em "Cinco Esquinas", Vargas Llosa parece querer fazer um ajuste de contas com o regime escabroso de Fujimori e a alta sociedade limenha.
 Utiliza para isso como principais figuras a figura nojenta do director de  um pasquim, que (se) serve  (d)o regime, um industrial milionário e um advogado poderoso, cujas  mulheres  se envolvem num romance lésbico escaldante ( Hélas! Llosa explora pela primeira vez o erotismo e sai-se muito bem, convenhamos), um declamador decadente e uma figura sinistra do regime conhecida por Doutor.
O livro lê-se com muito agrado até ao momento em que se começa a suspeitar que tudo vai acabar em modo telenovela das 5 . Daí que no final tenha ficado com uma sensação de frustração.E foi pena, porque não foi a isso que o escritor peruano me habituou
Tenham um bom fim de semana e divirtam-se.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Memórias em vinil ( CXXXI)





Uma canção de uma dupla de sucesso ( Fernado /Tordo Ary dos Santos) que deu que falar e foi um murro no regime. Os censores, felizmente, não perceberam

Quase a terminar a semana de sucessos da Eurovisão, recordo  Sandie Shaw e  Puppet on a String.
Amanhã, termino esta série com duas canções propositadamente escolhidas para não vos deixar saudades do Eurofestival.

Conversas com o Papalagui (76)

- Ó Tuga! É verdade que a Igreja protege os pobres?
- Eles dizem que sim, Pa.
- E tu acreditas?
- Faço um esforço...
- Mas não devias, Tuga.
- Então porquê?
- Portugal não é um país rico, pois não?
- Não. Temos muitas dívidas e por isso estamos sempre a empobrecer.
- Ora aí está! Então a Igreja devia ajudar-vos.
- Como, Pa?
- Pagando impostos. A começar pelo IMI de todos os edifícios que tem em Portugal.
- Está bem visto, Pa. Vou pedir ao cardeal patriarca para lhe lembrar, quando o for receber a Fátima.
- Não percas tempo, tuga!
- Mau! Já não estou a perceber nada.Qual é a tua?
- Não te chateies comigo, tuga. Só estou a tentar evitar-te desilusões. É que o cardeal responde-te logo que a Igreja não paga impostos para poder ajudar os pobres.