quarta-feira, 31 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXLVII)

Hoje sinto-me assim.
Será porque dentro de minutos entramos em Junho e começa a cheirar a férias?
Boa noite!

As duas mulheres de Trump e a fábula da raposa e do corvo

O aviso de Merkel de que a Europa já não pode confiar no aliado EUA  peca por tardio. Desde que Bush pai chegou à Casa Branca, era previsível um afastamento entre Europa e EUA.
A primeira grande  prova dessa evidência, curiosamente, foi dada no Rio de Janeiro em 1992, durante a Cimeira da Terra. Foi aí que se tornou evidente o desinteresse dos EUA numa política ambiental comum. 
A eleição de Clinton e, principalmente de Obama, mascarou as divergências estratégicas que Bush filho acentuara, nomeadamente aquando da invasão do Iraque. Nem o papel vergonhoso desempenhado por Blair, Barroso e Aznar durante a cimeira dos Açores serviu de alerta aos lideres europeus sobre o caminho para a irrelevância que a Europa estava a trilhar. Bem pelo contrário,  O mestre de cerimónias Barroso foi recompensado com o cargo de presidente da comissão europeia ( mais uma cedência dos lideres europeus a uma  discreta imposição americana).
Fazendo constantemente como a avestruz, a Europa deixou as coisas correr. Alemanha e França continuaram a seguir a sua estratégia de domínio da Europa, sem dar grande importância aos sinais que vinham da terra de Tio Sam, 
O facto de Obama ter sido eleito em plena crise económica e financeira global, esbateu os sinais de uma tempestade que se adivinhava. Enquanto as economias do sul da Europa esbracejavam para evitar o naufrágio, Merkel incarnava o Tio Patinhas e acumulava riqueza e poder, perante a passividade de Sarkozy e Hollande, cujo único desejo era evitar incómodos a Paris.
A opção dos ingleses pelo  Brexit no Verão passado e a eleição de Trump para a Casa Branca no Outono, criaram as condições ideais para o divórcio dos EUA com a Europa.
Trump e Theresa May têm muitos mais objectivos comuns, do que qualquer deles com a Europa e circunstâncias históricas determinam que Londres e Washington se aliem contra a Europa. O Brexit caiu como sopa no mel na estratégia de Trump  e a eleição de Trump foi um presente  no regaço de Theresa May. Juntos pressionarão a Europa e tentarão que ela se desagregue, abrindo inclusivé caminho ao aventureirismo de Putin.
Um arreganhar de dentes de Moscovo seria certamente bem recebido em Londres, mas particularmente em Washington. Trump cobraria elevadíssimo preço para vir em socorro da Europa e Theresa May não teria de se preocupar com as exigências da UE para concretizar o Brexit.
Merkel percebeu tarde  o que se estava  a passar ( duvido que Sarkozy ou Hollande algum dia tenham sequer equacionado este cenário)  e só quando Trump  criticou abertamente a Alemanha, acusou Berlim de ser caloteiro e  ameaçou restringir drasticamente as importações de produtos germânicos é que Merkel reagiu.
Tarde piaste, chancelerina. 
Era previsível que os Monopoly Games da globalização acabariam com um vencedor mas, reconheço, que não pensava ser este, porque  nunca acreditei na concretização do Brexit. Já que um tipo como Trump pudesse um dia chegar à Casa Branca, sempre esteve no centro dos meus temores.
O final deste imbróglio ( só possível porque os lideres europeus se comportaram como a cigarra  e foram tão incautos como o corvo da fábula) é imprevisível.
Nas histórias de Walt Disney, nunca saberemos se o Tio Patinhas  perde a sua fortuna, ou  como se desenvencilhará se cair na pobreza, mas nestes Monopoly Games da globalização, embora ainda seja cedo para adivinhar o vencedor, é muito provável que o Tio Patinhas berlinense vá passar um mau bocado e arraste na queda os parceiros europeus
O mais lamentável é que tudo poderia ter sido diferente se os lideres europeus não tivessem assistido, indiferentes, ao declínio da Europa, enquanto contavam os tostões.

Em minha casa mando eu? Não é bem assim...

Dois deputados do PS apresentaram um projecto de lei que prevê a exigência da concordância dos condóminos para que alguém possa arrendar a sua habitação a turistas.
A proposta, apresentada à revelia da secretária de estado do turismo, está condenada ao fracasso mas, contrariando o pensamento dominante, creio que  merece mais do que uma rejeição liminar.
Em primeiro lugar o argumento de que " em minha casa mando eu e os condóminos não têm nada com isso" é um argumento pífio.
Creio valer a pena lembrar que os proprietários de fracções de um condomínio têm deveres de cohabitação, nomeadamente nas áreas comuns, que não podem enjeitar. 
Se a Lei do Condomínio fosse respeitada, a esmagadora maioria dos cães a viver em apartamentos seriam retirados aos donos. Mas, mesmo no caso em que os animais estão legalizados e respeitam todas as regras, é oportuno lembrar que isso não elimina o dever dos proprietários limparem o cocó  dos seus Bobis nas partes comuns e serem responsabilizados por quaisquer danos provocados pelos bichanos nas partes comuns.
Os proprietários de fracções de um condomínio também têm de respeitar as leis gerais, nomeadamente a Lei do Ruído o que os impede, por exemplo, de fazer bricolage às 8 da manhã, ou a partir das 10 da noite, ouvir música ou ver televisão em altos berros noite dentro. 
Depois há a considerar as leis consuetudinárias da vida comunitária, que o senso comum regula, como por exemplo, limpar o  vomitado  nas partes comuns, resultantes de uma bebedeira.
Dito isto, devo dizer que não foram raras as vezes em que constatei comportamentos aberrantes que transformam a vida dos condóminos num inferno.
Ainda há dias, em casa de uma amiga  do Porto que vive num condomínio em S. João do Estoril, uns turistas decidiram tomar banho na piscina às duas da manhã. Para isso saltaram a vedação ( a piscina fecha às 19)  e fizeram uma algazarra que deixou os condóminos em alvoroço.
Em tempos mais recuados, quando andava a procurar uma casa aqui no Estoril, fui visitar um apartamento arrendado através do Airbnb, cujo proprietário pretendia arrendar a longo prazo. Eram 4 da tarde e  na rua era perceptível que naquele prédio havia um "bacanal". 
Quando entrei dei de caras com um casino, onde não faltavam bebidas, tabaco e...prostitutas. 
Conheço também casos de inquilinos que subarrendam casas que não lhes pertencem através do Airbnb.
É com base em situações destas que encaro, de bom grado, a necessidade de regulamentar o Alojamento Local.
Exigir a concordância dos condóminos não será a melhor solução, mas o argumento dos proprietários de que dentro de suas casas mandam eles, é inaceitável. 
Dizer que os condóminos podem chamar a polícia quando os turistas se portam mal é o mesmo que dizer a uma vítima de violência doméstica que resolva o problema apresentando queixa na polícia.
Não dou o assunto por encerrado, pelo que voltarei a escrever sobre este tema quando houver desenvolvimentos que o justifiquem.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXLVI)


Este sucesso global tem inúmeras versões, mas continuo a preferir o original de Ben E. King, um estrondoso sucessso lançado no Natal de 1960.
Boa noite com... Spanish Harlem

Maria Viera, o suprassumo da inteligência



Maria Vieira acusou Salvador Sobral de ser um "idiota encartado" por causa destas declarações.
Atendendo a que Maria Vieira, conhecida por Parrachita, é o suprassumo da inteligência, um portento na arte do humor e publica livros que são escritos pelo marido, Salvador Sobral deve ter ficado muito abatido com a crítica.
Pela minha parte, porque subscrevi as palavras de Salvador Sobral, não me sinto atingido com as palavras da "execrável Parrachita" (AnaBola dixit), mas gostaria muito de saber por onde andará Maria Vieira, essa humorista "criada" por Herman José que desconhece a sabedoria popular e quis tocar rabecão, em vez de ficar a coser meias solas.
É que depois de ter cuspido na mão que lhe deu de comer, nunca mais ouvi falar da criatura, a não ser no dia em que teceu rasgados elogios a Donald Trump.

É preciso um golpe de asa



O lema das Conferências do Estoril é "Mudar o Mundo"  e na sessão de abertura, Teresa Violante, presidente executiva das Conferências reforçou essa ideia ao afirmar:
" Estamos aqui para mudar o mundo e não queremos menos do que isso".
No entanto, ao cair o pano sobre o primeiro dia das Conferências do Estoril senti alguma decepção. Para não dizer mesmo frustração...
 Especialmente centrado nos jovens era expectável  ouvir dos oradores, neste primeiro dia, propostas inovadoras, mas o que se ouviu, maioritariamente, foi uma parafernália de lugares comuns:
-" Sigam a vossa paixão porque os conselhos que os nossos pais nos dão são sempre muito maus. Eles têm medo do risco e querem sempre que nós  joguemos pelo seguro" (Carlos Moedas)
- "Vocês têm poder para pressionar os políticos" ( Bernard Kouchner, um dos fundadores dos Médicos Sem Fronteiras)
Convenhamos que há 50 anos, quando  era jovem, já ouvia as mesmas palavras dos adultos.
Pese embora a emoção gerada na sala pelo discurso da jovem yazidi  que conseguiu escapar ao cativeiro do Daesh, também  ela não escapou a um lugar tão comum como  polémico:
- "As pessoas são boas, mas são influenciadas pelo ambiente que as rodeia".
Coube ao indiano  Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas ( vencedor do Nobel da Paz em 2007), a intervenção mais desafiante.
Pegando num tema que foi bandeira da minha geração ( a sustentabilidade), Pachauri desafiou os jovens a adoptar um novo comportamento enquanto consumidores, combatendo o desperdício e o hiperconsumo.
Diga-se em abono da verdade que um dos poucos legados positivos que a minha geração deixou aos vindouros, foi a criação de uma consciência cívica alicerçada na protecção do ambiente e no consumo  sustentável.  Merece por isso destaque que no meio de intervenções valorizadoras do hedonismo juvenil, Rajendra Pachauri tenha centrado a sua intervenção na necessidade de alterar os comportamentos individuais, para que seja possível mudar o comportamento colectivo.
Não era minha intenção escrever sobre as Conferências mas, face ao que ontem vi e ouvi e tendo em consideração que em 2018 Cascais será capital europeia da juventude, pareceu-me oportuno fazer este pequeno remoque, na expectativa de que haja um golpe de asa que permita, durante o próximo ano, colocar a discussão sobre a juventude a um nível mais elevado, mais projectado para o  futuro e, acima de tudo, mais diversificado, evitando os lugares comuns e a centralização dos debates em torno das novas tecnologias. Sendo verdade que o futuro passa por elas, os jovens terão de saber ir para além delas, pois só assim terão sucesso na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.


Donald J.Trump, the lousy boy




Ainda há por aí gente que continua a defender que não nos devemos precipitar  nas críticas a  Trump, porque acredita na conversão do homem.
Lamento informar essas boas almas, mas os últimos acontecimentos provam exactamente o contrário. Cada dia que passa, Trump acentua a sua arrogância e índole deformada. Pior ainda, dá mostras de ser louco.
Ainda ontem ficámos a saber que a Casa Branca, à boa maneira estalinista, omitiu o nome do marido do primeiro ministro do Luxemburgo da foto oficial. (Estas coisas são escandalosas e revelam a homofobia do líder quando se passam na Rússia, mas quando se trata do presidente dos EUA passam quase desapercebidas)
Sucederam-se também os episódios arrogantes durante as reuniões da NATO e do G7. As expressões de espanto e repúdio de alguns líderes europeus ( nomeadamente Merkel) face à arrogância e desrespeito  de Trump pelos seus congéneres foram suficientemente elucidativas, mas Merkel fez questão de vincar o distanciamento de Trump, ao dizer que já não se pode contar, nem confiar, no aliado americano.
Macron optou por uma postura mais cínica. Afirmou que  Trump é um tipo mais aberto do que parece e está interessado em aprender. Chamar ao presidente americano ignorante, da forma que Macron o fez, é bem mais venenoso do que atacá-lo em discursos para a comunicação social.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXLV)


Tive uma verdadeira paixão ( musical, entenda-se) por Rita Lee. 
Tenho quase todos os seus discos ( só de Françoise Hardy tenho a discografia completa) e passei este fim de semana a ouvi-los. 
Tal como acontece com Françoise Hardy, também as melhores canções de Rita Lee  estão ligadas a momentos marcantes da minha vida. Tive grande dificuldade em escolher uma canção. Por isso, escolhi duas.

"Desculpe o auê"...


E o mais cantado e reproduzido " Banho de Espuma" do Planeta



Tenham uma boa noite e excelente semana!

Madonna at Parolândia


Nos últimos dias sucederam-se os avistamentos de Madonna em Lisboa e arredores.
A notícia deixou os fãs eufóricos, pois Madonna ainda não tinha aparecido em público desde que anunciou, em dezembro de 2016 que iria entrar em hibernação, recusando-se a divulgar a data  do regresso.
É um orgulho para Portugal que Madonna tenha escolhido Lisboa para o seu regresso e o tenha divulgado profusamente no Twitter.
Quero porém  informar Inês Pedrosa,Raquel Varela, Joaquim Vieira e Rodrigo Moita de Deus que o avistamento do encerramento dos Jerónimos para que Madonna pudesse visitar tranquilamente o mosteiro foi apenas uma visão. Quiçá similar à dos pastorinhos em Fátima. Efectivamente, Madona visitou o mosteiro sem ter de se misturar com o povo (que ela adora, à distância, desde que esgote os concertos) mas a visita foi depois de encerrarem as portas e a guia foi a própria directora. Gostaria de saber de quem foi ideia tão parola, mas não consegui apurar ( apesar de ter uma ideia)...
Mais parola e embasbacada, demonstrativa do deslumbramento pacóvio transversal à sociedade tuga, foi o pedido de audiência de Fernando Medina que se deslocou ao Ritz para um encontro com a Diva. E não colhe o argumento de que a publicidade gratuita junto dos 9 milhões de seguidores de Madonna valeu a atitude pacóvia e subserviente do presidente da câmara de Lisboa.
ADENDA: Eu sei que Israel também mandou cortar centenas de amendoeiras e devastar um parque de estacionamento, para que Trump aterrasse com a sua comitiva, mas o Presidente dos EUA visitou Israel para manifestar aos israelitas que estava disposto a ajudá-los a exterminar os palestinianos.

A greve da Função Pública


A greve da função pública da última sexta-feira saldou-se no fracasso habitual. 
Apesar de ser sexta-feira e convidar ao prolongamento do fim de semana, apenas nos hospitais, escolas e tribunais a greve teve uma adesão significativa.
Apesar de terem sido dos trabalhadores mais sacrificados do país, nem durante o período da crise, quando o governo dos piolhosos, digo, pafiosos, os usava como bodes expiatórios da despesa do Estado, os funcionários públicos foram capazes de se unir, fazer greve e sair à rua para mostrar aos portugueses que o governo os andava a enganar.
Já aqui escalpelizei, diversas vezes, as razões da fraca adesão dos funcionários públicos às greves, mesmo quando elas são motivadas por causas justas, como foi o caso desta. Não vou, por isso, voltar a abordar o assunto. 
Importa no entanto dizer que tanto funcionários públicos, como sindicatos, sabem que os problemas da função pública não se resolvem com aumentos de salários. O problema é profundo e, um dia, alguém vai ter de o encarar de frente. 
Longe vão os  tempos em que ser funcionário público era um orgulho e quem trabalhava nos serviços públicos sentia que estava a trabalhar para a comunidade e a ajudar o desenvolvimento do país. Foi nesse período, pós 25 de Abril, que entrei para a função pública e durante alguns anos trabalhei arduamente, sem reclamar fins de semana nem horas extraordinárias. 
Depois a função pública começou a engordar para os lados. Que quero dizer com isto? Que, fruto da pressão de grupos de interesse foram criados organismos, comissões e outras aberrações, apenas para agradar a uns, dar emprego a outros, ou mostrar ao país e à Comissão Europeia, que o Estado se preocupava com todos os aspectos da vida quotidiana.
 Esta “peocupação” , não raras vezes, tinha como retorno subsídios europeus ( provenientes de fundos comunitários e de instituições europeias)  bastante apetecíveis. O problema é que muitas  vezes eram subsídios apenas de incentivo, para instalação dos organismos.  Quando começavam a desempenhar o seu papel havia sempre lugar para mais um amigo ou filiado ( normalmente no Centrão)  mesmo que não houvesse trabalho para lhe dar.
Estes microrganismos  são o grande cancro da função pública. Impedem-na de crescer no sentido correcto, isto é, de dotar com pessoal especializado as áreas onde são necessários mais recursos para satisfazer as necessidades da população ( ex: educação, saúde, segurança social, justiça ou finanças)  e arregimentam uma parafernália de “indiferenciados” cuja mais valia para a população é praticamente nula.

Enquanto existirem organismos que não têm qualquer razão de existir e só servem para ficar na fotografia, dir-se-á sempre que o Estado está demasiado gordo e precisa de emagrecer. É mentira. Há muitos organismos que  não podem desempenhar em pleno as suas funções por falta de pessoal. Infelizmente, não é possível reafectar a esses organismos mais úteis à população, a maioria dos funcionários que gastam o tempo nesses microrganismos e comissõezecas imprestáveis, porque muitos deles são funcionários políticos encapotados que nunca se habituarão a trabalhar em prol da sociedade. 
A reforma do Estado, de que tanto se fala, obrigaria ao despedimentos de muitos milhares de funcionários públicos imprestáveis.  Ora nem  esses funcionários públicos querem colocar em risco a sua renda vitalícia fazendo greve, nem os governos  têm coragem de fazer uma reforma profunda, porque não querem comprar uma guerra com os sindicatos.
E assim, nesta paz podre, todos ficam satisfeitos.  Os que  apenas  querem uma vida regalada e manter o seu emprego, os sindicatos que mostram a sua força e os governos que embolsam umas boas maquias por cada dia de greve.
Os únicos insatisfeitos são os que trabalham em organismos vitais que precisam de mais gente para cumprir a sua tarefa e as pessoas a quem  as greves atrapalham a vida porque nesse dia tinham uma consulta marcada, eram intervenientes num qualquer processo ou, simplesmente, tiveram de tomar conta do filho, porque a escola não abriu. 

domingo, 28 de maio de 2017

Conferências do Estoril


Começam amanhã. A não perder!
Eu vou estar lá...

Dia do Postal Ilustrado (55)


Istambul (1971)
Postal enviado por uma amiga ( infelizmente já falecida)  a caminho da Capadócia. 
" Aconselho-te a arranjar uma viagem para aqui que vale a pena".
Anos mais tarde ( 1986) segui o conselho. Confirmei a opinião da minha amiga Cristina.
Enfim, outros tempos, quando a Turquia era um país atractivo, bem diferente do que hoje anda na ribalta por motivos pouco agradáveis.

sábado, 27 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXLIV)


Ui, ui! Este fim de semana arrisco-me a ser acusado de provocar desmaios em pessoas mais sensíveis.
Tenham uma boa noite e aproveitem o domingo para recuperar das emoções

Uma valsa vienense




Foi há 30 anos, em Viena, que o FC do Porto iniciou a sua cavalgada para uma carreira fantástica que nenhum  outro clube português conseguiu igualar no plano internacional. 
Todos vaticinavam  uma esmagadora vitória do poderoso Bayern e poucas horas antes do início do jogo, uns amigos benfiquistas telefonaram-me para Braga  a dizer que se perdessemos por menos de 3 seria um resultado honroso. No final, os azuis e brancos venceram por 2-1 e trouxeram o caneco para casa, não dei troco aos meus amigos benfiquistas e fui ao Porto, numa corridinha, juntar-me aos festejos.
Meses mais tarde o FC do Porto escreveria outra página épica em Tóquio, conquistando a Taça Intercontinental num jogo disputado sob um nevão intenso. 
Desde então, os azuis e brancos conquistaram mais uma Liga dos Campeões Europeus, uma Liga Europa, uma Taça UEFA, uma Supertaça Europeia e mais uma Taça Intercontinental.
Trinta anos depois o FC do Porto está num ciclo descendente que precisa de ser rapidamente invertido, sob pena de se esfumarem as gloriosas conquistas alcançadas neste período. Isso só será possível  acabando com a série de erros na escolha de treinadores que se verificou nos últimos anos. Para já as perspectivas não são as melhores mas é fundamental que os portistas percebam que não basta ter um bom treinador. É preciso acabar com o mercantilismo na compra e venda de jogadores, construir uma equipa à Porto e recuperar a garra  que tornou o FC do Porto um grande a nível mundial.
Todas as grandes equipas atravessam períodos maus ( veja-se o Manhester United, por exemplo, ou o Benfica durante duas décadas) 
O importante agora é encontrar  a receita eficaz para sair da crise, sem encontrar desculpas no  colinho com que um adversário é mimado pelas arbitragens. Há 30 anos esse adversário já gozava de colinho e isso não nos impediu de sermos melhores.

Candidata a foto do ano



Esta fotografia vale muito mais do que as mil palavras que sobre ela se têm escrito - e ainda possam escrever - mas o que eu gostava mesmo era de ver a fotografia do momento  em que Trump desembrulhou a prenda que o Papa Francisco lhe ofereceu: a encíclica sobre o ambiente. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXLIII)

Em aquecimento para o fim de semana,  deixo-vos este grande sucesso de Kenny Rogers ( aqui em dueto com Sheena Easton).
Boa noite e excelente fim de semana

Parece simples mas se calhar não é...

A seguir aos atentados de Berlim, em vésperas do último Natal,escrevi que já era tempo de acabar com o circo noticioso em que a comunicação social transforma os actos terroristas
.Há dias, em entrevista à RTP, Salvador Sobral propôs exactamente o mesmo: que, no próximo atentado, a comunicação social se remetesse ao silêncio, noticiando apenas o facto e abstendo-se de montar a tenda do circo. 
Estou com ele. Os  terroristas, seja qual for a sua origem, precisam de publicidade para alimentar a chama dos seus seguidores.  A comunicação social oferece-lhes essa publicidade à borla
 Se não houver notícia, não há caso. Tão simples, não é? 
Se calhar não...
Durante a mesma entrevista, Luísa Sobral discordava do irmão lembrando que se a comunicação social não noticiar os atentados terroristas, as pessoa vão queixar-se e dizer que estão a ser discriminadas.
Sem deixar de reconhecer a razão de Luísa Sobral, lembro que a comunicação social já faz essa discriminação. Atentem só na diferença do tratamento e relevo  noticioso dado a um acto terrorista, de acordo com o local do globo onde ocorre. 
Um atentado na Europa  ou nos EUA é noticiado à exaustão, mas se ocorrer em África, na Ásia, ou mesmo na América Latina, a notícia já ocupa muito menos espaço,
Não colhe sequer o argumento de que prevalece o critério da proximidade. Na Turquia houve um período em que os atentados  eram  frequentes, mas lembro-me apenas  de um que teve larga cobertura noticiosa.O único critério parece mesmo ser a relevância do país onde ocorre o atentado. Daí que seja mais apetecível aos terroristas cometer atentados em França, Inglaterra ou Alemanha.
É só a minha opinião. Gostaria de saber as vossas.

Berlim: Good vibrations


Terceiro postal da minha viagem a Berlim:
Ao terceiro dia de Berlim confirmei  que  a localização  do hotel tinha sido uma escolha acertada. Além de a centralidade de Alexanderplatz ser uma mais valia, a animação e a variada oferta de transportes fazem da praça imortalizada por Alfred Doblin um local privilegiado. Acresce que é na zona leste da cidade que Berlim é mais vibrante ( especialmente depois do horário laboral) e eclético nas propostas que oferece aos berlinenses e aos turistas que a visitam.  

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXLII)



Numa década ( 1970-1979)  em que o rock se tornava mais pesado, os Carpenters estavam em contraciclo e obtiveram bastante sucesso, especialmente nos EUA e Canadá. O duo acabou com a morte de Karen em 1983 deixando entre os inúmeros sucessos este "Yesterday Once More".
Escolhi-a, porque nos fala dos  "dias da rádio"

"When I was young I'd listen to the radio
Waitin' for my favorite songs
When they played I'd sing along, it made me smile
Those were such happy times and not so long ago
How I wondered where they'd gone
But they're back again just like a long lost friend
All the songs I loved so well"

Ao fim e ao cabo, o que pretendo com esta rubrica é recordar esses dias, num registo virtual...
Tenham, por isso, uma boa noite e sonhem com grandes sucessos do vosso tempo!

As tuas mamas valem um shot?



Então este post é para ti
Muito se escreveu na imprensa e nas redes sociais sobre um vídeo em que uma miúda estava a ser masturbada num autocarro, durante a Queima das Fitas do Porto.
Nos últimos dias soube de outras situações ocorridas durante estas manifestações tribais de jovens em estado líquido, que  merecem  no  mínimo um minuto de reflexão. Entre as muitas “diversões” podia encontrar-se a “Tenda das Tetas” onde bastava uma rapariga mostrar  as mamas, para receber uma bebida à borla.
Portanto, já sabes, jovem portuguesa: se te apetece um shot, mas não tens guito, vai à "Tenda das Tetas" e tens o problema resolvido.
A imaginação não tem limites e alguém criou uma tenda ainda mais “divertida”, onde as raparigas que se beijassem na boca  tinham igualmente acesso a bebidas gratuitas. Não se pense, porém, que bastava um “selinho” como dizem os brasileiros. A fiscalização ( feita por rapazes) era apertada e as meninas só ganhavam o “prémio” se o beijo fosse suficientemente “credível”, isto é, metesse línguas entrelaçadas e outras “excitações”.

Quando soube da existência destas barracas lembrei-me de imediato deuma cena ocorrida comigo junto ao Atrium Saldanha. Contei-a aqui em 2007 e recomendo a leitura, para que se perceba que agora a idade da inocência termina aos 10 anos e a "prostituição mental" começa bem cedo.

Almas gémeas?



Adivinhe quem disse esta frase:
“ A euforia não se justifica. Não alinhamos no entusiasmo”

Passos Coelho, ex-primeiro ministro e líder do PSD? 
João Ferreira, eurodeputado do PCP e candidato à CML?
Nenhum deles?
Ambos?

Se respondeu “ambos” acertou. A diferença está no timing
Passos Coelho proferiu-a no Verão passado quando se começava a perceber uma ténue recuperação da economia. Ressabiado,teimoso e incrédulo,  anunciou aos portugueses a chegada do Diabo no Outono.
João Ferreira  disse-a ontem em entrevista ao i, depois de a comissão europeia ter anunciado a saída de Portugal do procedimento por défice excessivo. À falta de diabo, porque a Fé do PCP tem outros desígnios, João Ferreira não ameaça com  o demo, mas sim com  a justa luta dos trabalhadores se o governo não desbaratar, em dois anos, o que tanto custou a construir.
É óbvio que não há razões para euforias e o próprio António Costa fez questão de o salientar, mas esgrimir os mesmos argumentos de Passos Coelho, numa altura em que todos nos devemos congratular, é um insulto a todos os trabalhadores que passaram sacrifícios imensos durante o governo dos pafiosos.
Eles não merecem ser confrontados com esta coincidência de discursos que, por vezes, nos leva a pensar se PSD e PCP não serão almas gémeas.
AVISO: Já muitas vezes saí em defesa do PCP, por isso, não  me venham dizer que sou anti comunista, por favor. Tenho é este terrível defeito de ter memória. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXLI)

Só quando fui para os EUA conheci esta banda familiar que à época tinha enorme sucesso.
Não terão tido idêntico sucesso em Portuga, mas decidi incluí-los nestas memórias, porque a coreografia deste "Neither One of us (wants to be the first to say goodbye)" é divertidíssima e imperdível.
Gladyys Knight é considerada nos EUA uma das mais emblemáticas vozes do soul. Teve uma carreira a solo com grande destaque e teve entusiasmantes duetos com BB KING ou Etta James. Mas é uma interpretação a solo, no Chile, que vos deixo esta noite.  (...) Try to remember
Boa noite!

Vem aí o fim do mundo!



Depois de ter criticado de forma vil e soez o governo de António Costa, acusando-o de estar a desbaratar o bom trabalho feito pelo governo Passos/Portas;
Depois de ter garantido que Portugal não escaparia a um novo resgate;
Depois de ter mandado o holandês presidente do Eurogrupo afirmar numa entrevista a um jornal alemão que os portugueses são uns malandros que  gastam o dinheiro todo em p.... e vinho.
Depois de tudo isto, o ignominioso fascista  Schaueble,  ministro das finanças do país dos "milagres económicos" foi ao ECOFIN e comparou Mário Centeno a Cristiano Ronaldo
Ver  um alemão arrogante e fascista dar o braço a torcer e admitir que um reles tuga afinal tinha razão, é caso para temer que venha aí o fim do mundo. Tivesse esta comparação  sido feita no dia 13 de Maio e toda a gente teria falado em milagre. Proferida hoje, o significado é diferente e tem dois destinatários. A nível interno é uma mensagem aos eleitores alemães. 
" Não vale a pena bater mais no governo português, porque os tipos são teimosos, têm fibra e, o pior de tudo é que tinham razão. Afinal havia mesmo alternativa. Será que o Centeno descobriu a fórmula da poção mágica dos irredutíveis gauleses e a aplicou às finanças?"
A nível externo foi um recado a Passos Coelho e Marilú:
" Lamento, mas não contem mais com o meu colinho. Perante as evidências, a única coisa que vos posso dizer é que mudem de táctica e reconheçam que o Centeno é um grande ministro das finanças".

A globalização do medo

Pintura de Ljuba Adanja (2002)


 Será o século XXI o século do medo?  Poderá estar o medo a ser utilizado para nos restringirem a liberdade, diminuir os direitos?  Será o medo capaz de  transformar  as democracias tradicionais em sociedades esclavagistas legitimadas pelo voto popular?
Uma retrospectiva dos 12 primeiros anos deste século justifica todas as interrogações.
Tudo começou em 2001 com o ataque às Torres Gémeas. Desde esse dia Bush bramiu  o papão do terrorismo e aumentaram as medidas securitárias.
 Viajar de avião passou a ser um tormento porque os aeroportos,  além de nos reterem muito para lá do que seria normal  numa época em que todos andam obcecados  com o tempo, se transformaram em  espiões dos nossos corpos e dos nossos passos.
Em terra, a Al Qaeda  passou  a estar  presente em toda a parte, qualquer sítio poderia ser alvo  dos atentados suicidas dos homens de Bin Laden. Os atentados de 11 de Março em Madrid e 7 de Julho em Londres fizeram com que o medo alastrasse e, quando parecia que as coisas poderiam acalmar, uma ameaça de pandemia  provocada por um vírus da gripe encontrado no México, deixou os cidadãos de todo o mundo em pânico.
 A gripe  A não fez mais vítimas do que uma gripe normal, mas venderam-se  milhões de  vacinas. Os beneficiários dessa  histeria colectiva, foram os laboratórios. Os cidadãos encontraram mais um motivo para o pânico nesta sociedade higienista que, curiosamente, é uma das mais letais da História.
Bin Laden, o inimigo número 1, apesar de não ser visto em público,  tinha um rosto. O vírus da gripe A não, mas era reproduzido na imprensa e nas televisões em fotogramas acompanhados de complicados esquemas analisados por especialistas, que explicavam a forma de reprodução do inimigo.
Desde 2007 – e mais acentuadamente desde 2009- um novo inimigo começou a ameaçar  o mundo, particularmente a parte ocidental do hemisfério Norte. Ninguém lhe viu o rosto, não há especialistas nas televisões  a explicarem com esquemas complicados como ele ataca, mas sabemos o seu nome: MERCADOS .
 A utilização do plural   indicia que, desta vez, o mundo está a ser atacado por um inimigo invisível que se reproduz com grande facilidade, podendo  as suas células mãe ser localizadas em Wall Street, na City, quiçá em Singapura, e as ramificações em paraísos fiscais que dão pelo nome de off-shores.  Sabido é que o vírus dos mercados ataca nas Bolsas e nos negócios ilícitos,24 horas por dia, mas ninguém o consegue apanhar. Ou melhor: não sabemos, ainda, se alguém estará interessado em apanhá-lo!
Os especialistas  da área económica e financeira desdobram-se em análises complexas, a maioria diz que a melhor forma de o extirpar é dar-lhe vitaminas de crescimento, mas a direita  não está  para aí virada e contrapõe com vitaminas de austeridade, cuja aplicação massiva definha as vítimas. Quanto aos mercados, estão cada vez mais gordos, mas ninguém parece interessado em obrigá-los a uma cura de emagrecimento.

O medo provocado por esse ser misógeno que é a crise, criada pelos mercados em reputados laboratórios financeiros, começou a ser retratado no cinema.  O primeiro filme – que acabou de estrear em Lisboa- tem por título “Procurem Abrigo”  e analisa a crise financeira a partir da visão de um paranóico. Em Cannes, Brad Pitt acaba de apresentar outro filme que aborda a mesma temática. Sob a capa de filme de gangsters, “ Killing them softly” é, ao que dizem os críticos, uma parábola sobre a crise e a incapacidade de defesa perante um criminoso que ataca à distância.
Se não for através da política e da acção cívica, que seja ao menos através do cinema que os cidadãos se consciencializem que podem fazer algo para combater o inimigo sem rosto que nos prometeu uma globalização capaz de tornar o mundo mais justo, mas nos deu apenas o aumento da miséria e das desigualdades. Porque nós deixámos que assim fosse!
Já não há tempo para termos medo! A hora é de agir.

Texto publicado a 24 de Maio de 2012
( Desde então,  os ataques terroristas multiplicaram-se: Só para falar na Europa, recordo Paris (Charlie Hebdo e Bataclan), Nice, Berlim, Istambul, Londres ou mais recentemente Manchester. O medo tornou-se mais global e mais presente nas nossas vidas. Uma boa razão para o recordar 5 anos depois )


terça-feira, 23 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXL)

 O sucesso dos ABBA que escolhi para esta noite tem muito a ver com o post desta manhã. 
Tenham uma boa noite, com RICOS sonhos.

Leva lá a bicicleta, Pedro!




Marcelo Rebelo de Sousa percebeu, finalmente, que Passos Coelho estava a precisar de colinho.
 No dia em que Bruxelas anunciou a saída de Portugal do procedimento por défice excessivo, deu os parabéns ao governo e a Passos Coelho pelo sucesso alcançado. 
A pedagogia da intervenção de MRS fez-me lembrar a do tipo que, já farto da choraminguice e lamentações do amigo, por ser incompreendido por toda a gente e ninguém lhe dar razão nem reconhecer os seus méritos, um dia desabafa:
- Está bem, tens toda a razão, leva lá a bicicleta!
Ao ouvir as palavras de Marcelo, Passos Coelho abriu a boca de orelha a orelha, num sorriso que já não se lhe  via há muito.
Caso para dizer:
-   Leva lá a bicicleta Pedro, mas tem cuidado. Não te estampes.

Gato escondido...



Os bancos portugueses ficaram  escaldados com os incumprimentos do crédito à habitação.  Agora, que a recuperação económica  é  visível e os portugueses parecem querer voltar a endividar-se como se não houvesse amanhã, é natural  e saudável que  não queiram cometer o mesmo erro de anos anteriores e se tornem mais exigentes e cautelosos na concessão de crédito.
Alguns bancos estrangeiros viram na prudência dos bancos portugueses uma oportunidade de negócio e decidiram entrar nesse apetecível mercado, outrora "reservado" aos bancos nacionais .
É óbvio que esses bancos não concedem créditos a quem queira comprar um T0 na Reboleira. Os clientes que lhes interessam são os que têm mais olhos que barriga e pretendem empréstimos para adquirir casas  em locais considerados de alta rentabilidade.
É que os bancos olham para estes clientes como potenciais incumpridores e o aliciante de poderem vir a ficar com as casas e (re)vendê-las por um preço interessante a clientes estrangeiros que pretendam investir em imobiliário em Portugal é visto como uma boa oportunidade de negócio.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXIX)

Começo a semana como terminei a última: com um dueto. Muito especial. Diria mesmo que "Unforgettable"
Boa noite e votos de uma excelente semana.

A II Revolução Francesa En Marche?


Ainda é muito cedo para prever o futuro  da  França de Macron, mas há uma coisa que parece inquestionável: a aceitação do seu governo a nível interno está em grande parte dependente da relação que estabelecer com Merkel.
 Nas vésperas da segunda volta das presidenciais, Marine Le Pen disse  num comício: “a França será sempre governada por uma mulher. Ou por mim, ou por Merkel".
Face ao comportamento dos dois últimos presidentes franceses, Marine Le Pen tem razão. Sarkozy e Hollande  desbarataram a popularidade granjeada antes das eleições, por se terem deixado dominar por Merkel. Sendo quase certo que Merkel ganhará as eleições de Setembro e que a relação com Macron parece ser bastante empática, se o jovem presidente francês quiser sobreviver, tem de mostrar aos franceses que Le Pen estava enganada. Para isso não pode cometer os mesmos erros dos antecessores.
  A nível interno pode   dizer-se que as escolhas de Macron para o  governo,  se não dinamitaram os dois principais partidos, debilitaram-nos fortemente. As escolhas foram cirúrgicas e provocaram fortes rombos  nas hostes republicanas e soialistas
Muitos analistas prevêem  a possibilidade de o partido fundado à pressa por  Macron poder ter a maioria absoluta nas legislativas de Junho e dar-se ao luxo de prescindir do apoio dos partidos tradicionais. Neste cenário, a pedra na engrenagem será uma extrema esquerda mais buliçosa e com mais forte apoio popular.
A confirmar-se esta previsão, será o fim da V República e uma  revolução  programática  com forte influência no sistema  partidário francês, cujo exemplo  poderá contagiar outras geografias europeias. 
Se Macron não conseguir eleger a maioria dos deputados, mas estabelecer com sucesso acordos à direita e à esquerda que permitam estabilidade, assistiremos então a uma revolução mais “douce” e menos programática, mas ainda com ingredientes inovadores suficientes para se expandir no espaço europeu.  
Seja qual for o cenário, não se pode esquecer a força dos sindicatos em França. Esse é um outro desafio à capacidade negocial de Macron.
Perdida a esperança de construir uma Europa solidária e  dado  como adquirido que o mercado de trabalho e o perfil da  empregabilidade  estão em profunda transformação, Macron terá de conseguir sensibilizar os sindicatos para essa nova realidade global. Mais do que discutir salários e regalias é importante estabelecer novas regras para o mercado de  emprego  que dignifiquem e valorizem o trabalho.
Sendo Macron um liberal, não se pode esperar que preconize medidas muito favoráveis aos trabalhadores, mas se conseguir um entendimento com os sindicatos que permita reduzir substancialmente a taxa de desemprego ( a redução do horário de trabalho e o aumento das férias poderá ser colocado na mesa das negociações) poderá amaciar a contestação nas ruas.
Macron tem dado provas de ser inteligente e sagaz. Quero acreditar que conseguirá levar a bom porto a revolução que preconiza e poderá influenciar o futuro não só dos franceses, mas também da Europa.
Não são muito claras as posições de Macron face à imigração e aos refugiados, mas não poderá deixar de interligar estes temas  com as questões laborais. E só terá sucesso, se apresentar propostas inovadoras.
Neste momento pode dizer-se que há uma revolução En Marche em França.  Se irá abortar ou ter sucesso, é impossível prever, mas uma coisa é certa. O falhanço do projecto Macron terá como consequência imediata a vitória de Marine Le Pen em 2022.

Esperemos que todos os intervenientes neste processo tenham em mente o risco de um falhanço. Inclusivamente actores externos, pois o que se passar em França nos próximos dois ou três anos, será determinante também para o futuro da Europa.

Impeachment? I don't believe!

Começa a espalhar-se a convicção de que, mais tarde ou mais cedo, será aberto um processo de impeachment para afastar Trump da Casa Branca.
Sinceramente, não acredito que tal venha a acontecer. Pelas mesmas razões que não acreditei quando se colocou a hipótese em relação a Nixon  e Bill Clinton. Poder-se-á dizer que o processo de impeachment contra Nixon só não avançou, porque ele se demitiu. É verdade, mas com Trump a  situação é diferente: os próprios democratas vêem com alguma relutância a concretização de um processo de impeachment, porque a concretizar-se  o lugar seria ocupado pelo vice-presidente Mike Pence.
Ora, por incrível que pareça, Pence é 10 vezes pior do que Trump. Além de Criacionista e homofóbico, xenófobo e acérrimo defensor da retirada de direitos cívicos aos homossexuais, Pence é a encarnação do macaco Adriano. As sua posições homofóbicas posicionam-no como um aliado de Putin  e da extrema direita europeia.
Mike Pence tem, pois os mesmos defeitos de Trump, mas é ainda menos inteligente e os interesses que o movem são ainda mais sinistros, podendo contribuir para um retrocesso civilizacional sem paralelo na sociedade americana.
Acresce que as eleições de 2018 poderão alterar a relação de forças no Senado e na Câmara de Representantes, dando maioria aos democratas, mas um processo de impeachment poderá ser-lhes prejudicial

domingo, 21 de maio de 2017

Those were the days (44)




Terminou hoje a 50ª edição do Rali de Portugal.
Confesso que a prova me passou ao lado mas hoje, quando ouvi anunciar  o nome do vencedor, recordei com alguma nostalgia a primeira edição, realizada em outubro de 1967.
Nas primeiras edições o Rali durava quase uma semana, começava  em 10 ou 12 cidades europeias até os concorrentes se juntarem num ponto comum. Era então que o Rali começava “a doer”. As classificativas começavam  no norte e  terminavam na louca noite de Sintra, depois de várias etapas que chegavam a ter 1000 quilómetros!
Eu não era grande apreciador do desporto automóvel, mas lembro-me  perfeitamente da loucura que foi aquela primeira edição.
Estava nas vésperas de me emancipar do colo familiar (viria nesse mesmo ano para Lisboa mas, por aqueles dias, estava a aguardar a transferência de Coimbra, onde inicialmente me inscrevera por pressão dos meus pais, que me queriam mais perto de casa) e o Rali de Portugal foi uma prova de fogo. Com um grupo de amigos fanáticos por automóveis, acompanhei a prova do primeiro ao último minuto. Quase não íamos à cama, comíamos mal e quase sempre em restaurantes apinhados de adeptos absolutamente fanáticos.
Nos dois anos seguintes  apenas fui à noite de Sintra, mas o entusiasmo diminuiu consideravelmente.
Lembro-me, no entanto, que o Rali terminava na madrugada de domingo nas arcadas do Estoril ( onde actualmente tem início o Rali de Portugal Histórico) mas, naquela época, estava longe de imaginar que 50 anos depois haveria de morar nessas arcadas.

Dia Bilhete Postal (54)


Mais um postal  enviado pela minha irmã em 1958

sábado, 20 de maio de 2017

Memórias em vinil (CXXXVIII)

Como prometido, as noites de sábado são sempre preenchidas com memórias bem românticas.
Esta semana trago-vos um dueto e uma canção inesquecíveis. Peabo Bryson e Roberta Flack  cantam " Tonight I celebrate My love".
Celebrem e aproveitem a noite o melhor possível.

"O Coelho Mau"



Na sequência do post anterior, recordo os leitores que ao contrário de outros anos, em 2017 não há nenhum filme português na Selecção Oficial de Cannes, mas serão apresentados três na Quinzena dos Realizadores e um na Semana da Critica.
Nesta paralela, será exibida a curta metragem “O  Coelho Mau”. 
O título é de meter medo ao susto e a sinopse adverte que "muitas vezes é preciso um intermediário para nos mostrar as coisas com clareza".  
Quanto à história, centra-se na relação conflituosa entre dois irmãos, uma mãe ausente e o seu amante. Felizmente não há referência a um pai  saudoso do fascismo.

Em Cannes com a Brites





Começou esta semana mais uma edição do Festival de Cinema de Cannes. 
Longe vão os tempos em que o  festival marcava o início de uma boa temporada em França. Terminado o festival seguia para o GP do Mónaco e, semanas mais tarde,  rumava a Paris para fazer a cobertura de Roland Garros.  Houve um ano em que cheguei a fazer uma “perninha” no Tour de France,  durante uns dias, para substituir um  camarada  sul americano que adoecera.
Já estava cansado de automóveis e de ténis, mas Cannes é ainda hoje  uma saudade. Gostaria de lá estar  este  ano. Não sendo possível, tenho  esperança de lá estar no próximo,  por minha conta e risco.
Por agora limito-me a recordar um dos apontamentos que a Brites  escreveu em 2010, sobre a minha presença na Meca do cinema europeu.
Aqui vai:
Cannes, 20 de Maio de 2010
Olá ! 

Aqui estou eu na Croisette, esvoaçando de um lado para o outro, a ver as celebridades que por cá vão passando.
Nunca vi tanto jet set junto e ao vivo! Depois destes dias aqui em Cannes, ler as revistas não vai ser a mesma coisa. Espero aparecer em algumas, porque tirei fotografias com tudo quanto é finaço… Ainda há bocado estive quase a poisar nos braços do Javier Bardem, mas um segurança veio furioso em direcção a mim, com tanta energia, que me pisguei num bater de asas.
O Carlos está a fazer uma entrevista à Penélope Cruz. Nem imaginam como o coração dele bate desde ontem de manhã. Até parece que nunca veio a Cannes! Hoje de manhã, enquanto eu tomava o pequeno almoço, vi-o a apinocar-se. Parecia que ia para um encontro amoroso. Pôs tanto perfume, que creio que a pobre da Penélope vai fugir assustada quando ele se aproximar dela. Coitado, não se enxerga. Quanto mais velho, mais trolaró fica, mas parece que isso acontece com todos os homens e é por isso que alguns, quando as mulheres chegam aos 50 anos, a trocam por duas de 25.
Parece que há dias houve aqui um temporal tão grande, que fez “O Pesadelo em Elm Street” parecer um musical da Broadway, mas acho isto muito bonito, apesar de uma cotovia espanhola que encontrei ontem à tarde me ter dito que só vale a pena cá vir durante o Festival. Sabem o que é que a marada me disse? Que fora desta época Cannes parece a Quarteira! Deve ser parva…
Voltando ao Festival, devo dizer-vos que nos bastidores se discute mais política do que cinema. Desde um ministro italiano a tentar proibir a exibição de um filme, até à greve de fome que o realizador iraniano Jafar Panahi decidiu fazer depois de ter sido preso em Teerão, tudo é motivo de conversa . O Godard também resolveu meter a colherada. Depois de ter defendido que a Suiça devia desaparecer como País, deixou os jornalistas pendurados e não apareceu na sala de imprensa, após a exibição do seu filme “Socialism”. Mas como é que ele podia aparecer se decidiu não vir a Cannes? Mandou um fax ( ele tem 79 anos, se calhar ainda não sabe que existem e-mails e telemóveis) a dizer que “problemas do tipo grego” o impediam de estar presente porque, embora para estar em Cannes estivesse disposto a ir até à morte, não queria dar nem um passo mais para além disso. Não perde o humor este magano!
Eu consegui ver o filme escondida nas penas do chapéu de uma velhota muito pintada, mas cheia de glamour, que deve ter entrado de penetra . Gostei muito. Aqueles dois papagaios de cabeleira vermelha que entram no filme, são umas brasas, só vos digo! As pessoas riram-se muito durante o filme, mas eu não consegui perceber onde estava a graça. Até me pareceu um filme bastante triste, devo confessar, porque também entravam dois gatos e eu estive sempre à espera do momento em que eles iam filar os papagaios. Quando contei isto ao Carlos ele riu-se e disse que eu não tinha percebido nada do filme, mas eu não liguei, porque ele tem a mania que só ele é que é inteligente.
Só para terminar, quero dizer-vos que ouvi umas conversas sobre o filme do Manoel Oliveira que foi aplaudido de pé, mas quem deixou a população masculina cheia de torcicolos foi a nossa ministra da cultura. No restaurante do Majestic, ouvi dizer que este ano não passou por lá ninguém com tanto glamour como Gabriela Canavilhas. Com uma ministra assim, ninguém de perfeito juízo se atreve a propor o fim do ministério da cultura!
Agora tenho de me ir embora, porque a Internet está cara e já gastei parte dos créditos do Carlos. Espero que ele não repare, senão lá me vai ameaçar mais uma vez, de que um dia acabo no tacho. Mas quem é que gosta de carne de cotovia? Bem , vou-me pirar, porque vem ali um laverca em voo picado e eu hoje não estou para essas coisas. Passem bem, até ao meu regresso, e não estranhem se o Carlos não vos visitar nos próximos dias, porque ele anda muito entusiasmado com o jet set. Ontem garantia que tinha visto a Angelina Jolie. Só quando o vi a ler “O Monge Negro” do Tchekov é que percebi que estava com alucinações.