quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLIII)

E porque está quase a terminar...
Boa noite!

A justiça portuguesa e a mulher de César

Todos nos lembramos que no caso dos submarinos houve acusados e condenados na Alemanha e na Grécia, mas a justiça portuguesa não encontrou indícios da existência de corruptos e corruptores em Portugal. Toda a gente considerou estranho, mas o assunto morreu.
Há dias ficamos a saber que o MP não encontrou quaisquer indícios de corrupção no caso Tecnoforma e mandou arquivar o processo.
Opinião diferente é a do  Organismo Europeu  da luta anti fraude  que, a pedido do MP português analisou a actividade da TECNOFORMA e o destino que a empresa deu a mais de 3 milhões de euros: há indícios evidentes de fraude, nomeadamente no acesso aos fundos comunitários- conclui o relatório do OELAF.
Lê-se, abre-se a boca de espanto, fica-se incrédulo, com um sentimento de impotência e a sensação de que a Matemática devia ser disciplina obrigatória no CEJ. Passado o estupor interrogamo-nos: se era para mandar arquivar, por que razão se gastou dinheiro a pedir um parecer? 
É que perante as conclusões do OELAF e o consequente arquivamento ordenado pelo MP, vem-me logo à cabeça a história da mulher de César!
Sugiro aos leitores que sigam o link e tirem as suas conclusões. Espero que sejam  mais  tolerantes e menos insidiosas do que as minhas. 
Eu só queria que em Portugal a Justiça fosse JUSTA e que quem julga e aprecia os casos não deixasse constantemente no ar a sensação de que a visão ideológica  se sobrepõe à  OBJECTIVIDADE  na hora de decidir e julgar. 
Se seguirem o link, perceberão facilmente as razões das minhas dúvidas. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLII)


Desde ontem que sou assaltado por memórias da  "Maison où j'ai grandi" e esta canção  da mulher que me fazia companhia na sala onde estavam os aquários com peixinhos,veio por arrasto
Boa noite!

A vida como ela é...

Juro que quando fui apanhado numa das inúmeras armadilhas da maravilhosa ( para quem gosta de andar sempre com os olhos no chão ou apenas a vê de longe) calçada portuguesa, não estava  a pensar na patética intervenção de Cavaco Silva na Universidade de Verão do PSD. 
Nem me embrenhara na análise psicológica de um dos discursos tresloucados de Passos Coelho, na vã tentativa de tentar compreender o seu transtornado perfil psicológico.
 Tampouco ia a remoer os resultados dos últimos exames médicos que confirmaram o agravamento do meu estado de saúde e a sua irreversibilidade.
Por estranho que vos pareça, enquanto caminhava pela Avenida pensava  - até ao momento em que uma falha na calçada me provocou a queda - nas maravilhas desta vida, em tudo de bom que ela me proporcionou e a relembrar a forma entusiástica  como o médico, perante a forma serena como estou a encarar a fase final da minha vida,  apoiou a minha ideia de ir, uma última vez, até à Argentina.
Foi no momento em que me precipitei no solo e os livros acabados de comprar na Bertrand se espalharam pelo chão, que regressei ao mundo real e me confrontei com a realidade.
Ao passar por mim, uma jovem brasileira aparentando estar a gozar momento de pausa  no trabalho do lupanar, olhou para mim estendido no chão a sangrar e, sem se deter, atirou:
- "Tudo bem?  Precisa ter cuidado, meu bem!"
Não tive tempo para reagir, nem para me revoltar, pois logo de seguida uma velha "made in Avenidas Novas" asseverou:
- " Você já não é o primeiro a cair aí. Apresente queixa na Câmara, porque a culpa é deles".
Tal como a jovem brasileira, seguiu em frente depois de debitada a sentença.
Eu não cheiro mal, não estava andrajoso (até ia bem vestidinho, porque vinha à cidade) não estava embriagado, porque não bebo, e, apesar de estar magérrimo  o meu aspecto  continua a não denunciar a doença que me afecta. No entanto, devem ter passado por mim umas 20 pessoas, antes de alguém se disponibilizar a prestar-me ajuda. 
Sem forças para pedir socorro, fui salvo por uma senhora que passava com o filho e se abeirou de mim perguntando se queria que chamasse uma ambulância. Acenei que sim e enquanto o filho ligava para o INEM, ela foi comprar uma garrafa de água que, extremosamente, me deu a beber.
Quando me meteram na ambulância, pareceu-me estar a entrar no Paraíso. Acabara de ser libertado da selva em que Lisboa se transformou. Uma cidade de pacóvios mal educados e sem maneiras que vieram das berças, não sabem comportar-se à mesa, arrotam no fim das refeições, peidam-se nas salas de cinema  e esqueceram a solidariedade. Fascinados que estão com a vida na capital, tornaram-se animais de duas patas. Trocaram a carroça por um Renault clio e, pendurados em telemóveis e copos de gin acompanhando sushis, sentem-se os Reis da Selva. E realmente, são.
Pessoalmente, não tenho pena de deixar esta selva. Esta cena mostrou-me a vida como ela é. Cada vez mais desinteressante e selvagem, regida pelas leis do salve-se quem puder e do Eu, Lda. 
Mãe e filho que me acudiram, por acaso, são do Porto. Estavam em Lisboa de passagem e fizeram questão de me acompanhar ao Hospital, de onde só saíram quando souberam que estava tudo bem comigo.
Nota: o título é uma homenagem a Nelson Rodrigues, mas dedico este post em especial aos leitores e leitoras que têm um ódio visceral ao Porto e acham que os nortenhos são todos nharros e imbecis.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLI)

Começo esta semana com uma memória que não dirá muito a quem não é apaixonado pela música francesa.
Como sabem eu sou e, por isso, não me poderia escapar este "Un homme heureux".
Boa noite e boa semana

domingo, 17 de setembro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (71)

Este postal de Singapura foi enviado pelo Pedro Coimbra, um dos  "resistentes" da blogosfera, que continua a ser visita assídua do CR.
Em matéria de trabalho, Singapura foi o meu primeiro destino oriental. Ainda hoje sinto um certo fascínio ao recordar os tempos que lá passei.
Não foi, porém, o único postal enviado pelo Pedro para aquele desafio. Enviou outro de um país asiático que adoro, de um local onde passei belíssimas férias. 
Para saberem qual foi o país e lerem os textos que o Pedro escreveu, terão de ir até aos Devaneios a Oriente. Uma viagem muito agradável que muitos dos leitores do CR fazem regularmente, sublinhe-se.
E se forem lá amanhã, são bem capazes de soltar umas belas gargalhadas. Excelente tónico para iniciar a semana, não vos parece?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXXVIII)


Hoje recordo Serge Reggiani  e " Le temps qui reste"
Boa noite

Assunção Cristas e Donald Trump



Digam-me, por favor,  que isto não é verdade e este video é uma montagem.
Quando pessoa amiga me falou deste episódio, pedi-lhe que procurasse na Internet e publicasse o video aqui no CR, juntamente com o meu comentário.
É que estes tipos que estão a pedir clemência a Deus, a propósito de uma catástrofe, minutos antes estavam a congeminar um ataque nuclear contra a Coreia do Norte e minutos depois a matar venezuelanos, mediante a proibição de fornecimento de medicamentos a Caracas. Estes caras de cú são uma cambada de hipócritas, mas governam a nação mais poderosa e com maior capacidade destrutiva do mundo.
Já agora, gostava de saber se era assim que no gabinete de Assunção Cristas se rezava a Nossa Senhora, pedindo que chovesse.
Espero ter autorização para "voltar ao serviço" na próxima semana. 
Por agora, desejo-vos um bom fim de semana e não se esqueçam de vir ler o postal no próximo domingo.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXXVII)


Como prometi.  a música francesa assentará arraiais por aqui nas próximas noites. Para hoje, mais um nome incontornável e uma voz inconfundível.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXXV)



E para começo de semana fui arrancar esta belíssima canção às profundezas do meu baú.

Esta é a versão original, mas muitos foram os que cantaram este grande sucesso
Boa noite e boa semana

domingo, 10 de setembro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (70)


Este postal de Oxford foi enviado pelo Paulo, um  dos primeiros leitores do CR , que eu visitava diariamente no seu Gabinete. Abandonou a blogosfera,  mas continua com uma enorme paixão pelas bicicletas. Mantemos contacto através do FB. 
O texto, excelente, é sobre (des)encontros. Frequentes, quando remexemos  o baú das recordações. Ao reler este postal, também tive os meus.
 Se quiserem saber mais, vão ao  Gabinete.   do Paulo ler o que ele escreveu. O postal ainda está por lá...

sábado, 9 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXXIV)



Tenham uma boa noite e um excelente domingo.
E não deixem de passar por cá nas noites da próxima semana. Especialmente as /os admiradores de música francesa.
Boa noite! 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXXIII)

Lembram-se destas Ladies? Escolhi-as para as memórias desta noite, porque a pergunta que fazem é pertinente. Por mim, respondo como sempre.
Amanhã talvez, mas na segunda-feira nunca se sabe...
Boa noite e excelente FdS

Aviso aos leitores

Lamento ter de comunicar aos leitores do CR que deverei estar ausente da blogosfera nos próximos dias. 
Deixo-vos, no entanto, todas as noites com boa música. E no domingo não faltará aqui o postal do  costume.
Prometo voltar o mais depressa possível.
Fiquem bem!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXXII)


Tenham cuidado, porque ainda por cima hoje é quinta feira e  está Lua Cheia. Boa noite!

António Costa no teste do algodão



Antes de ir de férias, António Costa fez fortes críticas ao comportamento da Altice em Portugal. Passos Coelho e Assunção Cristas saíram em defesa da empresa e condenaram veementemente as criticas de António Costa, com o argumento de que o governo "não deve ( nem pode?) criticar empresas.
Graças ao BE conhecem-se hoje melhor as arbitrariedades da Altice, as fraudes e as técnicas ilegais utilizadas para se ver livre dos trabalhadores.
O PCP criticou o comportamento da empresa, mas PSD e CDS mantêm a posição ( nada surpreendente, diga-se) de que não se devem atacar empresas que investem em Portugal. Apetecia-me soltar o meu melhor vernáculo perante esta atitude hipócrita dos lideres da oposição mas, por agora, apenas pretendo escrever sobre a iniciativa do BE de alterar a legislação laboral de modo a impedir que a Altice continue a utilizar técnicas terroristas para despedir trabalhadores.
Mesmo não conhecendo o diploma do BE, arrisco dizer que será o teste do algodão para o governo e para o PS neste mês de Setembro. 

A luta dos enfermeiros


Tanto quanto julgo saber, a luta dos enfermeiros é justíssima. Estão há anos a ser explorados pelo Estado, que não cumpre as suas obrigações com estes profissionais de saúde.
Lamento que os enfermeiros tenham sido obrigados a chegar ao limite, para fazerem ouvir a sua voz e obrigarem o governo a dialogar.
Penso, porém, que colocar em risco a vida das pessoas, não é uma forma de luta muito digna de profissionais de saúde que, presumo eu, terão jurado tudo fazer para ajudar a salvar os doentes.
Qual seria então a melhor forma? Sinceramente, não sei, mas se alguém morrer por estes dias por falta de assistência dos enfermeiros, não venham culpar o governo, porque isso é cobardia.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXXI)



Bora lá curar essa doença rapidamente? Boa noite

Onde está o dinheiro?




Já mais de uma vez manifestei a minha desconfiança face às campanhas de solidariedade com vítimas de uma qualquer catástrofe.
Apesar das minhas reticências, perante a catástrofe de Pedrógão voltei a sucumbir e contribuí com um donativo, acreditando que todas as verbas seriam canalizados para o REVIVA, fundo gerido pelo governo.
Mais uma vez fui enganado. Dos 14 milhões doados pelos portugueses, só uma ínfima parte foi para o REVIVA.
A maior parte do dinheiro foi parar a contas criadas por empresas , uma boa fatia está a ser gerida pela Santa Casa da Misericórdia e o restante pelos promotores das "campanhas solidárias".
Resultado: o dinheiro está a ser distribuído sem critério, nem controlo, havendo pessoas que receberam apoios em duplicado e outras que não viram a cor do dinheiro.
Perante tanta descoordenação não me espanta que, tal como aconteceu com os fundos comunitários, algum dinheiro doado por portugueses de boa vontade, acabe em carros topo de gama ou casas com piscina.

Expliquem-me como se eu fosse muito burro...

Se o PSD não se revê nas manifestações xenófobas de André Ventura, nem partilha as posições do seu candidato a Loures quanto à introdução da pena de morte em Portugal, para "terroristas e pedófilos assassinos" porque razão mantém o seu apoio ao candidato, amigo pessoal de Passos Coelho?
Para não contrariar o chefe, ou para lhe dar mais uma oportunidade de exibir a sua pretinha de estimação, como aval da sua tolerância?

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXX)




Palavras para quê? Boa noite!

Praias da minha vida ( com histórias dentro) -5



Como já escrevi em tempos, só as praias que frequentamos durante a infância nos marcam de forma definitiva com sulcos na memória impossíveis de apagar. Daí merecerem essa classificação. 
As praias da minha vida foram, por ordem de entrada em cena, a Praia dos Beijinhos, a Praia da Aguda, Benidorm e Ofir.
Outras houve que comecei a frequentar em adulto.  Como todos os adultos,  gostei mais de umas do que outras, conforme as circunstâncias, mas essas praias não influenciam o nosso percurso de vida. Há, porém, excepções…
A minha chama-se Pinamar. É a mais bela praia da Argentina e, talvez, uma das mais belas do hemisfério sul. Não é uma das praias da minha vida, porque foi lá que deixei parte de mim.
Por razões que os leitores mais fiéis bem conhecem, mais do que uma praia, Pinamar é uma página arrancada ao livro da minha vida. 


Assunção Cristas tem carradas de razão!



Assunção Cristas tem toda a razão quando pede que o PS, em vez de andar a anunciar medidas eleitoralistas, apresente já as medidas do OE.
A mulher tem muita razão e sabe do que fala. Afinal ela foi ministra de um governo cujo primeiro ministro jurou, em campanha eleitoral, que não cortaria pensões nem salários, nem subsídios de Natal e de férias. Dizia o dandy da Porcalhota que era tudo invenção. Dos jornalistas e da esquerda, claro, 
Ainda não tinha passado um mês e já PPC cortava salários, pensões, subsídios de férias e de Natal.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXIX)


Esta pareceu-me uma memória adequada para encerrar em beleza o 10º aniversário do CR.
Aproveito para agradecer àqueles que aqui  e no FB me deram os parabéns.
Boa noite!

10 anos é muito tempo...



Há 10 anos publicava aqui o meu primeiro post. Pensava, então, que seria uma experiência para durar 2 ou 3 anos, porque não teria pachorra para mais.
Dez anos e 10700 posts depois, continuo por aqui. Sem a disponibilidade de outros tempos, mas sempre empenhado. 
Os amigos que por aqui fiz ( alguns tornaram-se amigos na vida real) e o crescente número de leitores, especialmente nos últimos três anos, foram adiando o encerramento deste  Rochedo. 
Ao contrário do FB, de que me cansei porque é o espelho de uma sociedade doente, a blogosfera continua a ser um saudável espaço de liberdade e sã convivência onde me dá prazer estar.
Enquanto puder e me apetecer vou continuando por aqui. Reitero os meus agradecimentos a todos os que por aqui passam ( 2 milhões e meio de visitantes) a uma média diária superior a 2 mil. E aproveito para vos convidar a dizerem da vossa justiça.
Obrigado a todos.

domingo, 3 de setembro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (69)



Este postal de Jerusalém foi enviado pela Isa GT.
Está relacionado com uma família de emigrantes e poderão ler o texto se visitarem o Doce ou Travessura
A Isa GT também abandonou a blogosfera e dela nunca mais tive notícias.
Amanhã o CR completa 10 anos e seria excelente presente reencontrar alguns/ algumas leitores/as dos primórdios desta casa. Ou, pelo menos, saber o seu paradeiro...

sábado, 2 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXVIII)



Para a maioria dos portugueses  este será o último fim de semana de férias de Verão, por isso, esta memória parece-me apropriada. 
Espero que daqui a um ano todos possam estar a cantar esta canção e a fazer planos para as férias do anos seguinte.
Boa noite e bom domingo

Leituras de Verão (12)


Autor: Ian McEwan
Editora: Gradiva
Primeira edição:2015
Número de páginas: 192


Não será o melhor livro de Ian McEwan, mas é mais um excelente trabalho do autor de Amsterdam, Jardim de Cimento, Expiação, o Fardo do Amor ou Estranha Sedução.
Uma respeitada juíza do Tribunal de Família, sem filhos e a atravessar uma crise conjugal, é confrontada com um caso que a obriga a decidir em poucas horas, a vida de um jovem de 17 anos, que só pode sobreviver se for sujeito a uma transfusão de sangue. Os pais, testemunhas de Jeová, opõem-se e o jovem também. A juiza decide, mas essa decisão irá marcar o resto da sua vida.
Uma história de confrontos entre as fragilidades das crenças religiosas e a subjectividade da justiça, que faz despertar sentimentos adormecidos e espoleta um rol de emoções.
É impossível ficar indiferente ao debate que o livro suscita na mente do leitor. Mas, para além de obrigar à introspecção, coloca uma questão vital: qual o papel que cada um de nós desempenha durante a vida, que efeitos exerce sobre os outros e, acima de tudo, até que ponto a subjectividade ou os estados de alma podem alterar profundamente o nosso desempenho e as nossas decisões? E como pode esse desempenho e poder de decisão entrar em conflito com a "missão" dos outros que connosco acidentalmente se cruzam, mas cuja existência é marcada por quem tem o poder de decidir? É legítimo decidir sem ponderar as consequências colaterais? Será sempre  a racionalidade a melhor conselheira? E o que acontece quando as emoções interferem com a razão? 
Aproveite o Verão para discutir  com amigos e procurar respostas para estas e outras questões.

Lição da semana

Antes de aderires a uma greve, pensa nas consequências e assegura-te que não estás a ser manipulado. Para que amanhã não te venhas a arrepender.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXXVII)



E porque hoje começou Setembro, pareceu-me muito bem  trazer estas memórias para o fim de semana.
Boa noite e bom fim de semana

TOP 5

E vão comemorar o quê?

Faz hoje um ano que Dilma foi demitida, depois de um dos espectáculos mais indignos a que assisti num país pretensamente democratico.
Um ano depois não parece haver razões para os seus adversários  (agora no poder) celebrarem. A economia está pior, aumentou a miséria, a insegurança voltou a níveis dos anos 80, a violência sobre a polícia e o aumento da criminalidade  estão a transformar o Brasil num país pouco recomendável. 
No meio de tudo isto, chegar ao Rio de Janeiro é uma tristeza.A cidade maravilhosa é,hoje em dia, uma cidade tenebrosa onde reina a sensação de a qualquer momento, em qualquer lugar, poder rebentar uma cena de violência cujos estilhaços nos podem atingir.

Inquietação, inquietação, inquietação...

Falta um mês para as eleições autárquicas.
Em Loures, o candidato apresentado pelo PSD é xenófobo. Os ataques que fez aos ciganos levaram o CDS a romper com a coligação com o PSD, e todos os outros partidos criticaram de forma veemente e assumiram não fazer qualquer aliançá pós eleitoral com o energúmeno . 
Todos? Não é bem assim.... Pedro Passos Coelho saiu em defesa do seu candidato e o PCP , apesar de algumas críticas a André Ventura, não rejeitou peremptoriamente a possibilidade de continuar a aliança com o PSD, que dura desde 2013.
Bernardino Soares, presidente da CM Loures, é realmente uma figura peculiar. Repudia que a Coreia do Norte seja uma ditadura e  está disposto a coligar-se com um candidato que partilha as ideias de Le Pen.
O  PCP não pára de me surpreender!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXVI)

A chuva também me traz boas memórias de França.
Boa noite

Passos Coelho e a esquizofrenia





Durante o último fim de semana, as televisões repetiram à exaustão declarações de Pedro Passos Coelho criticando mais uma vez António Costa por ter feito acusações infundadas à Altice. Afiançava o líder do PSD que o relatório da ACT não tinha detectado UMA ÚNICA IRREGULARIDADE.
Se eu fosse ingénuo diria que PPC se enganara mais uma vez mas, como o prova à evidência o passado recente e remoto do líder laranja,  foi mais uma das mentiras deliberadas do  dandy de Massamá.
Na verdade, o relatório da ACT sobre a ALTICE detectou mais de uma centena de infracções e irregularidades, algumas das quais violam os princípios constitucionais.
O  percepcionismo ensina-nos que apreendemos o significado das coisas através dos sentidos, o que implica uma subjectividade analítica. 
Poder-se-ia dizer ( ou pensar), então, que foi a interpretação subjectiva de PPC que o levou a ler no relatório da ACT aquilo que não está lá. Seria um "remake" dos suicídios de Pedrógão Grande. 
O percepcionismo justificaria, igualmente, que PPC tivesse visto o Diabo, um novo resgate, a destruição da economia, a subida dos juros, o fim do investimento estrangeiro e até, quiçá, uma versão dos 3 Pastorinhos a aterrar numa azinheira em Massamá.
Infelizmente para ele e felizmente para os portugueses, sabemos que o percepcionismo não justifica  que PPC seja um mentiroso compulsivo. Apenas  revela que PPC tem distúrbios mentais graves. 
O homem  acredita mesmo que as mentiras que diariamente vomita na comunicação social se transformarão em verdade à força de tantas vezes as repetir. É uma paranóia que entra no domínio da esquizofrenia, pelo que me espanto e avergonho quando vejo que ainda há portugueses  dispostos a votar nele. 

Auto Europa:carne para canhão?



Os trabalhadores da Auto Europa iniciaram uma greve na noite de terça feira, que terminou ontem às 23h30m. 
Não vou aqui discutir se a greve é justa. Apenas quero lembrar que desde sempre  o diálogo entre trabalhadores e administração foi conduzido pela CT, pelo que me parece muito estranho que os sindicatos tenham avançado para uma greve antes de ser eleita a nova CT.
É por isso que não retiro uma vírgula ao que escrevi aqui no dia 8 de Agosto.
Lembro também que a Auto Europa emprega mais de 4 000 trabalhadores, está a contratar mais 1300 e tem sido apontada, ao longo de décadas, como um caso exemplar de diálogo entre patrões e trabalhadores.
Esta greve, alegadamente convocada por discordância com o trabalho ao sábado durante dois anos e meio ( ouvi um sindicalista dizer que não seriam todos os sábados) não visa defender os interesses dos trabalhadores. É uma tentativa dos sindicatos da CGTP marcarem posição na empresa e apearem a CT maioritariamente bloquista.
A História está cheia de exemplos  em que os sindicatos usaram os trabalhadores com intuitos políticos, em detrimento da defesa dos seus interesses.
Na Auto Europa os trabalhadores estão a ser usados como carne para canhão, numa guerra partidária à esquerda, que não coloca apenas em risco postos de trabalho na empresa, mas também em muitas outras empresas do Parque da Auto Europa.
Oxalá, daqui a uns anos, não vejamos milhares de trabalhadores a lamentar  terem caído num logro.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXV)

Hoje a chuva trouxe-me estas memórias.
Boa noite

Cavaco Silva tem toda a razão!



Ouvir Cavaco Silva  acusar o governo de falta de transparência democrática e falar no regresso da censura, seria motivo de gargalhada.
Convém, no entanto, contextualizar as palavras do antigo inquilino de Belém, para percebermos a sua humildade.
 Cavaco reconhece que isso seria um retrocesso, pelo que  deve estar a lembrar-se, entre outras coisas, da forma como impediu  Saramago de concorrer a um prémio literário europeu, vetou Carlos do Carmo e ostracizou todos os artistas e intelectuais que se recusaram a lamber-lhe o rabo, pelo que tenho de reconhecer que está cheio de razão.
Devo reconhecer que este gesto de humildade em reconhecer os seus erros durante 30 anos me sensibilizaram mas NÃO QUERO MESMO  MAIS ESCAVACADOS. Venham eles de Boliqueime, de Massamá ou do raio que os parta!
Sejamos justos e reconheçamos que Cavaco Silva, além de ser humilde,  tem imenso jeito para contar anedotas  ( Gostei especialmente daquelas em que  insinua que Marcelo é um papagaio e Portugal corre o risco de se transformar numa Venezuela)  Pena Cavaco não ter seguido a carreira de palhaço, pois não teríamos sido obrigados a aturá-lo nem a sustentar as suas mordomias durante 30 anos.
De qualquer modo, repito, sejamos justos: as críticas de Cavaco Silva ao governo são o melhor elogio à geringonça e mostram a qualquer pessoa que não seja imbecil e esteja no pleno gozo das suas faculdades mentais, que uma nova vitória do PSD seria o regresso ao esmagamento dos salários e pensões, para alimentar os amigos de Cavaco. É que aquela anedota  do ex PR sobre os investidores a fugir de Portugal, já tinha sido contada por PPC.




Do you understand,mr Trump?

O que está a acontecer no Texas não é um incidente ocasional,mr Trump. Nem é um castigo de Deus. É mesmo mais uma prova de que as alterações climáticas não são uma invenção dos chineses.
 Do you understand , or you need a draw?

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXIV)


Dizem que vem aí muita chuva, por isso pedi ajuda ao Nik Kershaw, para ver se a afasto...
Boa noite 

Assunção Cristas não é uma senhora?



Assunção Cristas ficou muito ofendida porque António Costa a tratou por senhora. Chegou ao cúmulo de dizer que foi uma afirmação machista.
Partindo do princípio que Assunção Cristas não é um travesti ou, quiçá, o alter ego de Portas, confesso que fiquei aturdido com a forma virulenta como a líder do CDS reagiu e só encontro uma explicação:
 Cristas é uma mulher muito p'ra frentex e teria preferido que Costa a tivesse tratado como  "a gaja porreira " do vestido de kiwis que foi ministra do ambiente e não fez a ponta de um corno enquanto lá esteve.

Praias da minha vida ( com histórias dentro)-4



Brighton (fotos Internet)


No Verão de  1970 , a pretexto de melhorar o inglês, fui com o meu irmão para Inglaterra, fazer um daqueles cursos de férias então muito em voga.
O colégio ficava distante de Londres, mas relativamente perto de uma praiazinha que na década de 60 era muito  apreciada pelos jovens: Brighton.
Para quem há 10 anos se habituara a praias mediterrânicas, Brighton era uma praia pouco apetecível, quase inóspita mas, em compensação, muito animada.
Apesar de todos os alunos serem maiores de 18 anos, o regime do colégio era pouco propício a saídas nocturnas.
É certo que havendo jovens de muitas nacionalidades, o tempo passava de forma agradável, mas habituado que estava a fazer o que me apetecia aos 20 anos, aquele regime de semi-internato provocava-me  bichos carpinteiros.
Por outro lado, nem eu nem o meu irmão admitíamos regressar a Portugal sem ir a Brighton, pelo que em conluio com uns amigos mexicanos conseguimos “subornar” o porteiro e, por uma vez, pudemos regressar ao colégio ás 11 da noite.
Um dia saímos  no final das aulas, como habitualmente, mas ficamos a jantar em Brighton e pudemos ter um vislumbre do que seria a animação em Brighton. ( Mais tarde conseguiríamos escapulir-nos diversas vezes e regressar ao colégio a tempo de tomar o pequeno almoço, ficando suficientemente conhecedores dos )
Quando regressámos,  o meu irmão e eu,  tínhamos uma inesperada recepção. Dois jovens marroquinos e um argelino receberam-nos exuberantemente e convidaram-nos para beber uma taça de champagne. Nenhum de nós estava a perceber a  razão dos festejos, pois a direção do colégio não anunciara a comemoração de qualquer aniversário naquele dia. Perante a nossa estupefação, os jovens magrebinos deram-nos a notícia de que Salazar tinha morrido.
Eu exultei e bebi não só a minha taça de champagne, mas também a do meu irmão que se retirou imediatamente para o quarto.
Quando, finalmente, me fui deitar, o meu irmão esperava-me e deu-me uma bronca. Considerava inadmissível que eu tivesse celebrado a morte de Salazar com uns “inimigos” de Portugal. Na opinião do meu saudoso irmão, que  regressara da Guiné poucos meses antes, depois de ter cumprido dois anos e meio de serviço militar em África, eu devia ter manifestado consternação e mostrado o meu patriotismo.
Expliquei-lhe que não era patriota, que esperava sair de Portugal muito em breve porque detestava o regime, a tacanhez de  Salazar, a mesquinhez de Caetano, a javardice da PIDE e  a corja de fascistas que nos governavam e me sufocavam.
Na altura não percebi que estava a ser extremamente injusto com o meu irmão que estivera em África a defender o país com convicção. Só no dia seguinte aquilatei a dimensão do meu erro que nos afastaria durante o resto do Verão. ( Curiosamente, em Outubro,  ele foi viver para Inglaterra e iria convencer-me a seguir o mesmo caminho).

Apesar de ainda hoje ter familiares a viver em Brighton, só uma vez  lá voltei. Não posso por isso dizer que Brighton foi uma das praias da minha vida, mas foi lá que se passou um episódio marcante da minha existência.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXIII)

Uma bela memória para iniciar a semana. Não vos parece? Boa noite e boa semana!

Grau 10 da indignidade

Chega-me de Macau a notícia  da demissão do director dos serviços meteorológicos e geofísicos.
De acordo com a informação recebida, a causa da demissão radica no facto de o sinal 10 de tufão só ter sido hasteado às 9 da manhã e não às 7, como aconselhavam as condições atmosféricas. Negligência?
Aparentemente, não. O hastear do grau 10 de tufão às 9 horas terá sido criteriosamente escolhido para não prejudicar...os CASINOS!
É que os casinos em Macau funcionam 24 horas por dia e às 8 da manhã há uma mudança de turno. Ora se o sinal 10 fosse hasteado às 7 horas, ninguém poderia sair nem entrar, o que acarrateria custos aos casinos e "perturbaria o seu normal funcionamento"
Ao hastear o sinal 10 apenas às 9 horas da manhã,  foi permitida a mudança de turno sem quaisquer perturbações, mas a tempestade apanhou milhares de pessoas na rua, com as consequências conhecidas.
Não pude confirmar se foi realmente essa a verdadeira causa  para o hastear tardio  do sinal 10 mas, se assim foi, estamos perante um caso de indignidade de tal dimensão, que merecia uma punição bem mais exemplar do que o simples despedimento.

The good, the bad and the ugly




O Pedro Coimbra faz várias considerações interessantes sobre o comportamento das pessoas durante o tufão que assolou Macau na semana passada. 
 O post  que ele escreveu fez-me lembrar o que se passou por cá durante o incêndio de Pedrógão, pelo que decidi partilhar convosco o comentário que lá deixei.
"Enquanto pessoas ajudavam como podiam e os bombeiros eram incansáveis, outras atravancavam a estrada com os seus automóveis porque "queriam ver o incêndio de perto" e outras ainda pilhavam os escassos haveres  de quem tinha ficado sem nada. E, claro, também apareceram os oportunistas, disfarçados de técnicos da segurança social, ou agentes de seguros, que  tentavam extorquir  aos mais velhotes e analfabetos as suas economias. 
O ser humano pode ser o mais delicado, bondoso e solidário ser vivo à face da Terra mas, como o Pedro muito bem diz, também sabe ser o mais vil e abjecto."
Acrescento agora mais um aspecto lamentável: o comportamento das pessoas nas redes sociais. Enquanto a terra ardia, pessoas morriam e outras ficavam sem as suas casas e os seus haveres, nas redes sociais apontavam-se culpados e discutia-se acaloradamente se a ministra devia ou não ser demitida.
Não raras vezes, essa discussão foi iniciada e alimentada por políticos com responsabilidade que, em vez de irem para o terreno dar apoio a quem precisava, vestiram uns trapinhos e convocaram as televisões para se mostrarem. 
Sim, estou mesmo a lembrar-me daquela senhora que foi ministra da agricultura, do ambiente e de mais umas minudências de que ela já não se recorda
Essa senhora tomou  duas medidas importantíssimas em matéria ambiental: abolir as gravatas dentro do ministério e  rezar a Nossa Senhora a pedir chuva. 
E se mais não fez, é porque a sua Fé não era suficiente para resolver qualquer problema que se lhe deparasse. Como foi visível na tentativa de parir uma Lei das Rendas, que redundou num aborto.

domingo, 27 de agosto de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (68)


A decisão de repescar para esta rubrica postais enviados pelos leitores /as para um desafio de Verão que lancei no CR  em 2010, está a permitir recordar-me de leitores que entretanto desapareceram de um convívio que, durante anos, foi quase diário. Ou porque abandonaram a blogosfera ( a maioria) ou porque se cansaram de comentar, ou simplesmente porque se desinteressaram do que aqui escrevo. 
É no entanto muito gratificante para mim "reencontrar" esses velhos amigos virtuais. Como acontece esta semana, com este postal do Porto enviado pela MagyMay.
O blog desta leitora chamava-se Trivialidades e Croquetes e lembro-me de ter trocado com ela algumas conversas bastante animadas. O que ela escreveu neste postal, só seguindo o link saberão
Vão longe os tempos áureos da blogosfer. O  CR completa em breve 10 anos,  o número de visitantes aumenta todos os anos, mas os comentários são cada vez menos. 
Poucos são os leitores que permanecem no blogobairro ( feliz expressão criada por uma das primeiras leitoras do CR). Alguns continuo a acompanhar no FB ( onde vou cada vez menos) a outros perdi completamente o rasto e tenho saudades de muitos deles. Por isso, se alguém souber do paradeiro da MagyMay, agradeço que deixe aqui alguma pista.
Afinal, os postais também servem para reencontros.

sábado, 26 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXII)

Uma bem romântica para esta noite de sábado. 
Boa noite e divirtam-se.

Leituras de Verão (11)



Autor: Roman Puertolas
Editora: Porto Editora
Primeira edição: Agosto 2014
Número de páginas: 208

“A Incrível Viagem do Faquir que Ficou Fechado num Armário da IKEA” não é uma novidade. É um livro publicado em 2014,bem humorado que relata as aventuras de um faquir que foi a uma loja da marca em Paris para comprar uma cama de pregos. Fruto de peripécias várias acabou por entrar num armário e, sem saber ler nem escrever,  acabou por a dar a volta a meia Europa e  um salto ao norte de África.
Sem grandes primores literários, mas com grande criatividade e uma boa dose de humor, promove a boa disposição de que andamos tão necessitados.  Leitura descontraída de Verão. Nada mais do que isso.

Lição da semana

Antes de criticares Maduro, lembra-te que na Casa Branca vive Trump.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXXI)

Anda qualquer coisa esquisita no ar, lá isso anda...
Boa noite e bom fim de semana

Meu querido mês de Agosto? Uma ova!



Agosto não é um mês que me seja simpático. Principalmente nos últimos 40 anos,  foi em Agosto que vários acontecimentos  nefastos  marcaram a minha vida.
Foi em Agosto de 1978 que a Patty foi raptada pelos militares argentinos, no aeroporto de Ezeiza,quando ia comunicar aos pais que ia casar com um português. Quase 40 anos depois, ninguém conseguiu saber o que lhe aconteceu.
Foi em Agosto que faleceram dois dos meus irmãos e a minha Mãe adoeceu .gravemente, falecendo no mês seguinte.
Foi no dia 25 de Agosto de 1988 que ardeu o Chiado. Lembro-me bem  de ter contido a custo as lágrimas quando, a milhares de quilómetros de distância, vi as imagens. Ainda hoje me pergunto o que seria o Chiado hoje, se nunca tivesse ardido...
Foi em Agosto de 2015 que recebi a notícia mais terrível, que ninguém quer receber e, desde então, me obriga a conviver diariamente com uma indesejada companhia que alguns dizem vestir de negro...
Foi no dia 25 de Agosto de 2011 que soube que tinham roubado um bocado de mim. ( Devo esclarecer os leitores que cumpri a promessa que então fiz)
E fico-me por aqui, sem esgotar o rol de outras impertinências que marcaram o meu mês de Agosto.

É p'ró menino e p'rá menina




A Porto Editora  foi acusada de discriminação por ter à venda  uns livros de exercícios  ( na foto)  que, alegadamente, consideram as meninas mais limitadas de raciocínio.

A cor rosa para meninas e azul para meninos também é considerada discriminatória.
Estou habituado a estas indignações. Ainda me lembro da polémica  que estalou por causa de umas refeições da Mc Donalds  e da reacção bacoca, arrogante, sectária, ditatorial e patética da então secretária de estado para a Igualdade, Catarina Marcelino ( insisto na pergunta: por que razão estas coisas da Igualdade são sempre dirigidas por mulheres?)
Nestas ocasiões eu lembro sempre que nenhum paí, ou mãe, é obbrigado/a a comprar os livros "sexistas" ou  discriminar as refeições de filhos/as.m
No entanto, já me preocupo quando não obstante a campanha contra os brinquedos de guerra, uns pais levam uma filha de 9 anos para aulas onde aprende a manejar uma metralhadora. Ainda por cima, a coisa acabou mal, com a miúda a matar o instrutor.
Curiosamente, não me lembro de ter havido tanta indignação nessa altura. Quiçá a vida de uma pessoa seja menos importante do que a discriminação de género.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXX)

Aproxima-se o fim de semana, por isso, o melhor é começarem a ter estas sensações fortes.
Boa noite

Sobre a Felicidade

Sempre foi um pessimista. Mesmo quando lhe aconteciam coisas boas, logo começava a pensar que aquilo era um mau presságio e algo de muito mau viria a seguir.
Um dia acordou estranhamente feliz. Não conseguiu encontrar explicação para tanta felicidade mas, em vez de começar a fazer conjecturas, deixou que o dia corresse. 
No emprego recebeu grandes elogios do patrão que lhe prometeu  a promoção há muito esperada e um aumento de ordenado no mês seguinte;
A mulher que  catrapiscava há muito sem sucesso, sugeriu um jantar a dois nesse dia;
O pai telefonou-lhe a dizer que lhe ia oferecer um caro novo;
Ao chegar a casa, já de madrugada, foi ver o Euromilhões. Ganhara o segundo prémio.
Nessa noite foi deitar-se com a sensação de que, pela primeira vez na vida, tivera um dia em que tudo lhe correra bem.
Estava tão feliz, tão feliz, mas mesmo tão feliz, que teve medo de acordar no dia seguinte outra vez infeliz.
Incapaz de suportar a ideia, suicidou-se.

Suínos na Assembleia da República




Não me interessa discutir se Graça Fonseca teve ou não coragem ao assumir a homossexualidade numa entrevista ao DN.
O que realmente me interessa  é perceber o voyeurismo que invadiu a comunicação social portuguesa na sequência da entrevista da secretária de estado, pois  demonstra que em matéria de sexualidade ( e não só, e não só...) a sociedade portuguesa está  cheia de esqueletos no armário.
Quanto à reacção de Carlos Abreu Amorim ( " a secretária de Estado disse aquilo porque não tem mais nada para dizer") prova que os suínos têm  assento no Parlamento e vão para lá recalcar traumatismos da adolescência.
Ora isso preocupa-me, porque Carlos Abreu Amorim foi eleito pelos portugueses e nem sequer era  candidato do PAN. 
Concluo ( sem surpresa) que há muitos suínos de duas patas infiltrados na sociedade portuguesa. Está na altura de os mandar chafurdar para a pocilga. O primeiro podia  mesmo ser Carlos Abreu Amorim, já que Hugo Soares está de férias.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXIX)

Pelo sim pelo não, é melhor seguir o conselho de Sergio Endrigo e começar a construir uma Arca de Noé.
Boa noite!

Fora o árbitro!

Um árbitro de futebol tem uma linguagem inadequada com um jogador. Uma câmara regista o momento e o árbitro é suspenso por  três jogos.
Um árbitro faz vista grossa a uma falta merecedora de cartão vermelho, ou valida um golo precedido de falta, falseando o resultado. A mesma câmara regista os erros, mas o árbitro é  nomeado para arbitrar um jogo importante da jornada seguinte e o jogador não sofre qualquer punição.
Ainda sou do tempo em que os jogadores do FC do Porto eram punidos com vários jogos, porque um canal de televisão exibia imagens ( nem sempre explícitas) de uma falta normal que os comentadores transformavam em agressão.
Ainda ontem ouvi o insuspeito Jesualdo Ferreira falar do célebre caso do túnel e explicar como aquilo foi tudo fabricado para dar o título ao Sport Lisboa e Colinho e impedir que o FC do Porto conquistasse o segundo penta.
Hoje, com toda a tecnologia a ajudar, os castigos aplicam-se de acordo com as orientações do Sport Lisboa e Colinho.
Os membros dos Conselhos de Disciplina fazem figuras de palhaços e gostam, porque o retorno é compensador.

Insinuação: a nova técnica jornalística

José Gomes Ferreira (SIC N) insinuou ser evidente que a onda de incêndios está a ser provocada por uma organização terrorista e insurgiu-se contra António Costa , por não subscrever a sua opinião. Não sei quais são as provas de JGF, mas a sua opinião foi transformada em VERDADE INCONTESTAVEL pela maioria da comunicação social.
Júlia Pinheiro (SIC)insinuou que o cantor que agrediu um militar da GNR é um anjinho de coro e o agente da autoridade um homem perigoso, com o qual todo o cuidado é pouco.
João Pedro Henriques (DN) pergunta num artigo de opinião:
" É preciso dar como comprovado que houve titulares de cargos públicos a atear o fogo e a matar  pessoalmente as 64 vítimas do fogo? É preciso encontrar um SMS de um qualquer comandante dos bombeiros  a dizer estou a jantar, não me incomodem deixem arder? É preciso o MP desencantar  nas cinzas dos eucaliptos suspeitos de homicídios por negligência? (...) Paguem lá as indemnizações s.f.f. "

As insinuações de JGF e Júlia Pinheiro são perigosas e soezes, porque atiçam a opinião pública contra a autoridade e, no caso específico de JGF, deixam a pairar a ideia de que o  governo não combate o terrorismo, apesar de o país estar a arder.
O artigo de opinião  de JPH , seguindo o mesmo tipo de insinuação, revela prioritariamente a cretinice do autor. Em forma de pergunta, JPH permite a interpretação de que a acção dos bombeiros é negligente e deixa no ar a suspeição de que o governo não paga as indemnizações apenas porque não quer.
É este jornalismo feito de insinuações ou mascarado de entertainment que está a matar a credibilidade do jornalismo e dos jornalistas.
Infelizmente, há-de ser este tipo de jornalismo  a conduzir a um novo tipo de censura. Continuem assim e depois venham protestar contra as medidas que reprimem a liberdade de expressão. Ao menos podiam olhar para o que se está a passar em alguns países europeus e imaginar o que aí vem, porque facilmente se vislumbra o futuro.