quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXIX)

Pelo sim pelo não, é melhor seguir o conselho de Sergio Endrigo e começar a construir uma Arca de Noé.
Boa noite!

Fora o árbitro!

Um árbitro de futebol tem uma linguagem inadequada com um jogador. Uma câmara regista o momento e o árbitro é suspenso por  três jogos.
Um árbitro faz vista grossa a uma falta merecedora de cartão vermelho, ou valida um golo precedido de falta, falseando o resultado. A mesma câmara regista os erros, mas o árbitro é  nomeado para arbitrar um jogo importante da jornada seguinte e o jogador não sofre qualquer punição.
Ainda sou do tempo em que os jogadores do FC do Porto eram punidos com vários jogos, porque um canal de televisão exibia imagens ( nem sempre explícitas) de uma falta normal que os comentadores transformavam em agressão.
Ainda ontem ouvi o insuspeito Jesualdo Ferreira falar do célebre caso do túnel e explicar como aquilo foi tudo fabricado para dar o título ao Sport Lisboa e Colinho e impedir que o FC do Porto conquistasse o segundo penta.
Hoje, com toda a tecnologia a ajudar, os castigos aplicam-se de acordo com as orientações do Sport Lisboa e Colinho.
Os membros dos Conselhos de Disciplina fazem figuras de palhaços e gostam, porque o retorno é compensador.

Insinuação: a nova técnica jornalística

José Gomes Ferreira (SIC N) insinuou ser evidente que a onda de incêndios está a ser provocada por uma organização terrorista e insurgiu-se contra António Costa , por não subscrever a sua opinião. Não sei quais são as provas de JGF, mas a sua opinião foi transformada em VERDADE INCONTESTAVEL pela maioria da comunicação social.
Júlia Pinheiro (SIC)insinuou que o cantor que agrediu um militar da GNR é um anjinho de coro e o agente da autoridade um homem perigoso, com o qual todo o cuidado é pouco.
João Pedro Henriques (DN) pergunta num artigo de opinião:
" É preciso dar como comprovado que houve titulares de cargos públicos a atear o fogo e a matar  pessoalmente as 64 vítimas do fogo? É preciso encontrar um SMS de um qualquer comandante dos bombeiros  a dizer estou a jantar, não me incomodem deixem arder? É preciso o MP desencantar  nas cinzas dos eucaliptos suspeitos de homicídios por negligência? (...) Paguem lá as indemnizações s.f.f. "

As insinuações de JGF e Júlia Pinheiro são perigosas e soezes, porque atiçam a opinião pública contra a autoridade e, no caso específico de JGF, deixam a pairar a ideia de que o  governo não combate o terrorismo, apesar de o país estar a arder.
O artigo de opinião  de JPH , seguindo o mesmo tipo de insinuação, revela prioritariamente a cretinice do autor. Em forma de pergunta, JPH permite a interpretação de que a acção dos bombeiros é negligente e deixa no ar a suspeição de que o governo não paga as indemnizações apenas porque não quer.
É este jornalismo feito de insinuações ou mascarado de entertainment que está a matar a credibilidade do jornalismo e dos jornalistas.
Infelizmente, há-de ser este tipo de jornalismo  a conduzir a um novo tipo de censura. Continuem assim e depois venham protestar contra as medidas que reprimem a liberdade de expressão. Ao menos podiam olhar para o que se está a passar em alguns países europeus e imaginar o que aí vem, porque facilmente se vislumbra o futuro.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXVIII)

É aproveitar enquanto dura. Boa noite!

Praias da minha vida (com histórias dentro)- 3

Benidorm em 1963

Tinha 10 anos quando comecei a passar férias em Benidorm, com os meus pais. Nessa altura, Benidorm era praia e arvoredo, duas ruas alcatroadas, meia dúzia de ruas de terra batida, quatro ou cinco hotéis. 
Durante mais de uma década, as três semanas de férias anuais em Benidorm foram, para mim, um tempo de aprendizagem
Foi lá que aprendi a nadar, conheci o prazer de tomar banho em águas de 25º e não ter de andar à procura de espaço na praia para jogar à bola ou estender a toalha.
Foi lá que aprendi a fazer ski, que  entrei pela primeira vez numa discoteca. Chamava-se Safari ( era a única que existia) e tinha cinco pistas de dança, três delas ao ar livre.
Foi em Benidorm que ganhei o primeiro dinheiro de férias. Havia umas pistas de bowling em cimento e as bolas eram de madeira. Como nada era automático, a minha tarefa era  colocar no lugar  os pinos derrubados pelos jogadores.
De Benidorm tenho memórias infindáveis. Boas e más, obviamente, mas o que de melhor retenho daquela praia, foi ter tomado consciência que Portugal era demasiado pequeno e, acima de tudo, tacanho e mesquinho.
O convívio  anual com um grupo de jovens franceses, italianos, belgas, alemães, polacos, suiços e, pontualmente, alguns ingleses e nórdicos, permitiu-me praticar várias línguas mas, acima de tudo, abriu-me horizontes. 
Percebi desde tenra idade que a minha felicidade seria feita de viagens e, no início dos anos 70, foi com alguns desses meus amigos que  percorri a Europa, durante meses, numa carrinha Volkswagen “pão de forma”. Foi com eles que descobri outros mundos, outros modelos de vida e outras formas de pensar.
De Benidorm posso dizer que, mais do que uma praia, foi uma escola de vida.
Tantos anos depois, lamento que o meu pequeno paraíso terrestre se tenha transformado numa selva de cimento nada recomendável.

E por falar em rabos...

Já  que  trouxe à baila a premente questão do rabo de Taylor Swift, decidi prosseguir com o tema, no intuito de encontrar resposta para uma questão que há muito me atormenta.
Tudo começou com a moda das calças de cintura descaída e o inómodo que sentia quando era obrigado a ver  no metropolitano, logo pela manhã, anafados rabos a espreitar pelas calças.
Liberto das viagens diárias de metro  e aliviado porque essas cinturas saíram de moda, a questão passou a suscitar-se nos areais da nossa costa.
Quando passeio no paredão, por exemplo, coloco frequentemente a seguinte pergunta:
-Por que  razão só uma em cada 50  mulheres que usam  fio dental ou aparentado, tem um rabo digno de ser exposto?
A pergunta pode parecer cretina. Até machista. Mas, acreditem, é apenas curiosidade. Será que as mulheres com rabos bonitos têm mais pudor em exibi-lo publicamente?
Se alguma leitora me quiser esclarecer, agradeço. Talvez assim  eu consiga perceber a razão de senhoras de provecta idade ( estou a falar de gente acima de 65/70 anos) não terem qualquer pudor em se prostrar ao sol, nas piscinas naturais daqui da Linha, exibindo não apenas os glúteos, mas a totalidade da superfície daquela parte do corpo que começa ao fundo das costas e sobre a qual os humanos costumam sentar-se.
É que o espectáculo não é bonito de se ver, por isso, deve haver uma razão convincente para a exibição das partes pudendas por parte de algumas senhoras. Será receita médica?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXVII)


Não sei porquê, quando lia as últimas idiotices do Trump, lembrei-me deste grande sucesso de Trini Lopez.
Boa noite e boa semana

Make America Great again!





Taylor Swift apresentou queixa de um DJ por, alegadamente, lhe ter apalpado o rabo nos bastidores de um concerto.
O caso foi julgado por um colectivo de Denver (EUA) que condenou o apalpador a pagar uma indemnização à cantora no valor de 1 dólar!
Sendo essa prática muito do agrado do presidente Trump, creio que deverá estra satisfeitíssimo com a sentença e até terá pensado em escrever um tweet  a aconselhar "Apalpem-se uns aos outros, porque é baratucho, fortalece a economia   e é bom remédio para acalmar a líbido. Make America Great Again!". 

Tenham medo. Muito medo. A PIDE está de volta!




Esteve muito bem o PCP ao pedir o apoio dos partidos para a sua proposta de fiscalização sucessiva do diploma que permite o acesso ao registo de comunicações sem autorização judicial.
Não é  admissível invocar a segurança dos cidadãos para aprovar uma Lei ( já promulgada por MRS) que autoriza  a devassa a vida  privada de cada um de nós mas, ainda pior, é permitir que essa devassa seja feita de forma quase arbitrária.
Espero que o PCP seja igualmente assertivo no escrutínio de uma Lei da responsabilidade da  ministra da administração interna que permite a  gravação de conversas em locais públicos.
É certo que a lei só permite a gravação de conversas em caso  de "perigo concreto", mas o busílis é que não define esse perigo. O que se torna ainda mais grave, quando é sabido que  a  ministra contou com o aval da PGR para contornar a obrigatoriedade de pedir o parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados.
Eu pensava  que a devassa da vida privada era apanágio de regimes totalitários que usavam polícias políticas como a PIDE, a KGB, ou a STASI para controlar os  movimentos e ideias dos cidadãos. 
Sei também que esses regimes invocavam a segurança para legalizar essas práticas. Custa-me por isso aceitar  que num regime democrático se utilizem os mesmos métodos  e argumentos das ditaduras, para controlar cidadãos. Sei bem que nestas democracias securitárias, não há polícias disfarçados a escutar as conversas. Graças às novas tecnologias, as câmaras de vigilância ocupam os postos de trabalho dos ex Pides. 
No entanto,por este andar,  devemos estar preparados para um dia destes , quando nos sentarmos numa esplanada,  voltarmos a ter de olhar à nossa volta para perceber se alguém com ar suspeito (porque não um robô) está a ouvir as nossas conversas, ligado a uma central onde alguém espera a ordem:
- COMEÇAR A GRAVAR A MESA 23! 

domingo, 20 de agosto de 2017

Dia do Bilhete Postal ilustrado (67)


O postal desta semana parece escolhido a dedo. Veio de Barcelona, enviado pelo administrador do blog DESVIOS.
Embora o blog já não exista, o seu administrador continua activo na blogosfera. Será que o conseguem identificar?

sábado, 19 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXVI)

Boa noite e bom domingo!

Leituras de Verão (10)

Autor: Nelson Rodrigues
Editora: Tinta da China
Primeira edição: Setembro 2016
Número de páginas: 362

Há meses recomendei aqui a leitura de "O Homem  Fatal" o primeiro livro de crónicas de Nelson Rodrigues, publicado em Portugal.
Hoje, a recomendação vai para  " A Vida Como Ela É".
Sobre o autor já escrevi tudo e não me vou repetir. Relembro apenas que ambos os livros foram escritos em meados do século passado, mas mantêm uma surpreendente actualidade.
Em "A Vida Como Ela É" foram reunidas 60 das histórias  escritas por  Nelson Rodrigues entre 1951 e 1961 na rubrica com o mesmo nome do jornal brasileiro "Última Hora". A selecção é da responsabilidade de Abel Barros Baptista, que também escreve o prefácio.
Leitura sumarenta, fácil e muito recomendável.

Lição da semana

Estou a ficar preocupado comigo. Depois de me ter surpreendido com a lição que aprendi na semana passada, esta semana reincido numa aprendizagem conservadora.
Então não é que ao ler  a notícia de que uma grande parte dos 60 incendiários suspeitos de terem ateado fogos este ano  são reincidentes, dei por mim a perguntar-me se estes tipos merecem condescendência? 
Não só respondi negativamente, como ainda admiti que nestes casos o internamento num estabelecimento psiquiátrico ( com os custos a serem suportados pelo criminoso)  devia ser compulsivo e o incendiário só de lá deveria sair quando os médicos o considerassem curado. Mesmo que isso implique a  detenção eterna, sempre é melhor do que deixar à rédea solta loucos criminosos que estão a delapidar o património e a condenar à miséria famílias inteiras.
O tipo não tem dinheiro para pagar, coitadinho, porque é um miserável, não tem onde cair morto e até recebe RSI? Então além de ficar sem RSI, deve apodrecer na cadeia. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXV)

Hello!Estou de regresso a casa.
Espero que ( não) tenham sentido a minha falta
Como estou cansado, vou aproveitar o fim de semana para descansar. Boa noite!

Meu querido mês de Agosto

Passam alguns minutos das cinco da tarde. Cheguei ao fim da manhã a Lisboa. Vi-me aflito para comer qualquer coisa porque no meu bairro está tudo fechado. Em férias. Nem as tabacarias onde compro os jornais e preencho os boletins que podem fazer de mim um excêntrico escapam. O Meu Super está encerrado para remodelação.Suspiro. Enfim, o mês de Agosto é  como antigamente. Lisboa está deserta. Pelo menos nos bairros  como o meu, onde os turistas não chegam. 
 Saí do Estoril  há mais de uma semana. Tenho saudades do mar do Guincho, mas hesito em meter-me ao caminho. É sexta feira à tarde e o trânsito deve estar um inferninho na A5 e na Marginal. E daí talvez não. Arrisco...
Meto pela segunda circular. Não há filas. Circula-se tranquilamente.Na A5, até à Cruz Quebrada, o trânsito é de manhã de domingo. Arrisco meter pela Marginal. Trânsito fluido. Pelo caminho vou vendo as praias pejadas de gente. Na estrada, nem sequer paro nos semáforos de S. Pedro, S. João ou Estoril. 
Meu querido mês de Agosto. Ainda bem que estás de volta! Já  tinha imensas saudades tuas.
O problema vai ser amanhã quando chegar ao paredão. O melhor é por o despertador para as sete.

Trump, Daesh, os porcos e Pandora (em actualização)




Um mês depois de os americanos elegerem Trump, já havia por aí muita gente a  pedir condescendência aos seus críticos. 
Estavam fartos de ouvir falar de Trump, insistiam que depois de tomar posse ele seria totalmente diferente e pediam com veemência que lhe fosse dado o benefício da dúvida.
Em apenas seis meses foi bem perceptível que Trump não merece condescendência. Prometeu atacar o Irão, a Coreia, a Venezuela e não se coibiu de dizer que sendo os EUA a nação mais poderosa do mundo pode atacar quem quiser, "em nome da ordem mundial". 
As sucessivas ameaças de Trump  eram suficientes para o classificar como louco perigoso, mas o homem quis dar mostras de que a  capacidade  para nos surpreender é ilimitada.
Ao recusar-se a condenar os acontecimentos de Charlottesville, desculpando os supremacistas brancos, Trump abriu uma caixa de Pandora. Ver o presidente do país mais poderoso do mundo triste com a retirada de estátuas de supremacistas brancos, é triste. Vê-lo isolado, alvo de críticas em todo o mundo, mas a ser elogiado pelo Ku Klux Klan, é assustador. Dar força a gente que se julga superior às outras raças é um retrocesso  que se pensava impossível.  Mostrar condescendência com Trump, é incitar à violências. Foi a mesma  condescendência ( e até apoio) aos "democratas"  da Primavera Árabe que criou o Daesh. Como eu previra, quando me apercebi do entusiasmo com que eram apoiados os facínoras, inimigos da civilização e dos mais elementares direitos humanos, que se rebelaram contra os ditadores dos países árabes. Era tão previsível tudo o que se ia passar naquela região, que ainda hoje me espanto com a credulidade dos entusiastas da Primavera Árabe.

Em tempo: as declarações de Trump sobre os atentados de Barcelona e a sugestão que deu para a forma de matar os terroristas ( com balas embebidas em sangue de porco) não são apenas nojentas. São a prova de que Trump está realmente ao lado da extrema direita mais retrógrada e do Ku Klux Klan. Não restam duvidas de que Trump é tão perigoso como qualquer terrorista. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXIV)



Tenham uma excelente noite- Olhos nos Olhos

A imbecilidade do cantor, Vírgul(a), da jornalista

VIRGUL (foto da Net)



Um condutor  faz piões   num  parque de estacionamento  em frente a uma discoteca altas horas da noite. Estará a divertir-se, a impressionar as miúdas, ou a provocar alguém? Ninguém parece saber a resposta.
O que se sabe é que a GNR mandou parar o carro, tendo o condutor obedecido prontamente.
Os restantes ocupantes saíram dos seus lugares,  mas um deles chateou-se por estar a ser molestado, insultou os  GNR e deu uma cotovelada num dos militares. 
O agressor dá pelo nome de Virgul e parece que canta ( fui ouvir uma canção ao Youtube, mas só aguentei 1 minuto) e é popular. Ora todos sabemos como estas vedetas feitas à pressa se incomodam quando alguém os obriga a serem civilizados e cumprir a lei, daí que se justifique a irascibilidade. 
À primeira vista, parece nada justificar um tipo que agride um GNR mesmo que em legítima defesa ( o que não foi o caso).
No entanto estamos sempre a aprender. 
Júlia Pinheiro, no final de um programa para velhinhos, insinuou que o militar agredido tem um  historial pouco recomendável e, por isso, devemos ser cautelosos antes de acusar o cantor de ser um imbecil.
Como Júlia Pinheiro mencionou o nome do militar da GNR e fez passar a ideia de que o cantor é um anjinho de coro e o militar um delinquente perigoso, fui investigar. 
Do cantor nada sei, nem estou interessado em saber pelas razões já expostas. Quanto ao militar da GNR agredido, é Hugo Ernano.
Para quem não sabe quem é, esclareço que  ficou conhecido no país inteiro por ter atingido (acidentalmente?)  a tiro uma criança que o pai levou para para um assalto.
O caso desencadeou uma onda de indignação nas redes sociais e uma acesa troca de palavras entre os defensores do GNR e os que o acusaram de ter sido negligente por atingir uma criança  que acompanhava o pai num assalto. 
Até hoje ninguém esclareceu se o ladrão levava o filho na carrinha para lhe ensinar a profissão, mas sabe-se que o GNR foi suspenso oito meses, tendo tido o apoio monetário de um grupo de  cidadãos.  
Pouco me interessa saber se Virgul é boa ou má pessoa. Um gajo que agride um GNR e depois manda o "manager" fazer um comunicado  a vitimizar-se  junto dos "admiradores", para mim não passa de um cobardolas.
Sou insuspeito. Tenho algumas razões de queixa das autoridades mas, mesmo multado injustamente, como já fui, nunca me passou pela cabeça insultar ou agredir um militar da GNR. Parece-me também insustentável o clima de suspeição que se lança sobre as autoridades policiais e a impunidade com que se insulta e agride as forças da ordem.
Outra opinião parece ser a de Júlia Pinheiro,  a quem a SIC paga milhares de euros mensais para lançar na opinião pública a suspeição contra a actuação das autoridades.
A GNR não está acima de qualquer suspeita, mas se mantivermos constantemente esta desconfiança quanto à sua forma de actuar, não tardará o dia em que vamos precisar da sua protecção e elas nos fazem um manguito.

Uma questão de berço (again)



O post que publiquei há uns dias  com  o mesmo título terá suscitado interpretações que não estavam no meu espírito quando o escrevi.  
Decidi, por isso, voltar ao assunto para fazer um esclarecimento.
A questão é transversal à sociedade. Seja em Portugal, ou noutro qualquer país do mundo onde a sociedade de consumo dita- diria mesmo impõe- regras e a estrutura das famílias se modificou, aumentando  exponencialmente o número de famílias monoparentais.
A monoparentalidade, associada ao consumismo, provocou uma alteração nas relações familiares agora muito marcada pela compra dos afectos. Os filhos "exigem"  coisas dos pais prometendo uma retribuição em afecto e os pais aceitam com naturalidade essa proposta.
Não raras vezes, com especial incidência nas famílias desestruturadas, são os pais a dar pretexto a esse comportamento dos filhos. Quando pai e mãe entram em concorrência na disputa pelo amor do filho,  este rapidamente se apercebe dessa disputa e aproveita-se dela. Já os pais, obcecados pela conquista do amor, não percebem que, com a sua disputa, estão a criar um pequeno tirano.
O tema merece um desenvolvimento que não cabe num blog como este e, muito menos, num post. 4
Termino, por isso, sublinhando que quando escrevo " uma questão de berço" não estou a fazer qualquer extrapolação para a condição social. 
Refiro-me, apenas, ao facto de ser no berço ( no sentido de casa/família) que se começam a moldar personalidades. 
Uma prova disso é que todos conhecemos jovens pobres muitíssimo bem educados e que não foram afectados pelo consumismo e jovens ricos mal educados e sofregamente consumistas.