sábado, 27 de agosto de 2016

Dia Postal Ilustrado (18)



Para muitos portugueses, talvez mesmo a maioria, as férias estão a acabar. Para outros já estão tão distantes, que já anseiam pelas próximas.
Ora um dos postais que a Teresa nos enviou também nos transporta a férias muito distantes, numa época em que o Algarve ainda não era um destino turístico.
Este belíssimo postal retrata a Praia da Rocha no longínquo ano de 1935. Creio não errar se disser que ainda nenhum dos leitores do CR era nascido...
Já quanto ao segundo postal, enviado à mãe da Teresa em 1953, por altura do seu aniversário, talvez pudesse ter sido igualmente enviado a  alguns dos leitores que por aqui passam. Incluindo a mim que, por esse ano, começava a juntar as letras e a decifrar algumas palavras no Primeiro de Janeiro e no JN.


Muito obrigado à Teresa que ainda enviou mais um postal, de 1946, que publicarei quando iniciar a segunda volta de postais enviados pelos leitores.
Com mais esta participação se vai enriquecendo esta bela colecção de postais.
Como no próximo fim de semana   e estarei de férias irei assinalar mais um aniversário do CR. publicarei um exemplar da minha colecção.
Entretanto, como já terminaram as férias, lembro aos leitores que manifestaram vontade em enviar postais, quando as férias terminassem, que podem continuar a enviar os vossos postais para

diabilhetepostal@yahoo.com

Bora lá vasculhar as gavetas e baús e partilhar as vossas relíquias connosco!

Those were the days (14)


Este governo já não nos manda emigrar mas, para uma viagem de férias ou de fim de semana, a TAP continua ( em minha opinião) a ser uma boa escolha.
Tenham um excelente fim de semana.
Daqui a umas horas, mais uma leitora e amiga do CR vai enviar-vos dois postais. Muito bonitos e antigos, sendo que um deles faz lembrar férias e retratra um paraíso perdido. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Cervantes e Camões falavam em que língua?

 Ontem, durante o sorteio da Liga dos Campeões e atribuição de prémios da UEFA, passaram-se coisas estranhas.
Que o apresentador Pedro Pinto, embora português, tenha apresentado o programa em inglês, e normal.
Estranho mesmo foi ele falar com Roberto Carlos em português e o jogador brasileiro responder em espanhol!
Mais tarde, quando Cristiano foi chamado ao palco, a conversa foi em inglês. O que se aceita, por razoes obvias, mas aquele dialogo luso castelhano com um brasileiro pelo meio, deixou-me perplexo!
E nao e embirração com a língua de Cervantes, juro!

Ai Assunção, Assunção!

Marcou-o ter crescido em África?
Marcou-me depois, não nessa altura. Era português, nascido em África, mas não era nada africano. Vivíamos numa grande aldeia no meio de África ( Moçambique) mas nada era África. No meu liceu (Salazar) havia dois africanos ( nde: Pascoal Mocumbi, que havia de ser ministro da saúde e dos negócios estrangeiros de Moçambique e Joaquim Chissano)
(…) Estranhava como é que estando em África só havia dois africanos, mas era assim. Cresci numa verdadeira colónia em África (…)
Quem diz isto, em entrevista ao DN, é Constantino Sakellarides, que nasceu em Moçambique, veio aos 18 anos para Coimbra onde tirou o curso de medicina e voltou, como médico voluntário, para Moçambique.

Eu pergunto à mulher fenómeno ( e a muitos outros saudosistas que deixaram África ainda de chupeta) se as suas reminiscências de África não estarão mais relacionadas com histórias do colonialismo saudoso ouvidas dos seus pais e avós, do que com o tal cheiro. É que, se for cheiro, então Assunção Cristas talvez esteja a confundir a savana com o sangue dos escravos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Os turistas são uns malandros(2)

Porque destruíram as nossa praias do Algarve.
Dando de barato que a culpa é do turismo ( o que não corresponde  inteiramente a verdade) lembro que os portugueses que se insurgem contra esse
"turismo selvagem" não tiveram as mesmas preocupações quando invadiram as praias do Nordeste brasileiro, das Caraíbas ou do sudeste asiático, contribuindo para a sua descaracterização. 

Foi então que senti a revolta a crescer dentro do peito

A outra entrevista- a que me referia ontem no post sobre o SNS - foi publicada na revista Visão da semana passada. A entrevistada, Fátima Cardoso, dirige o programa de investigação do cancro da mama na Fundação Champalimaud.
Nasceu em Moçambique de onde saiu com 8 anos e, ao contráriodeste fenómeno da natureza, não tem memórias de África porque- diz- teve amnésia pós traumática.
Bem presente na memória de Fátima Cardoso estão outros momentos que nos dão sobejos motivos para questionar o que andamos por cá a fazer além de caçar Pokemons, esperar  em longas filas para comprar uma fartura, o livro do Harry Potter ou a última novidade tecnológica ( porque queremos ser os primeiros) sem um protesto, ou acusar o  governo e os calhordas dos funcionários públicos que nos obrigam a esperar uma hora na repartição de finanças para pagar uma multa por não termos sido diligentes e conscienciosos na  declaração do IRS.
Entre as memórias bem presentes de Fátima Cardoso está a dificuldade no recurso à quimioterapia oral, por questões meramente burocráticas, ou a administração de um número exagerado de sessões de radioterapia, porque esse é o interesse ( económico) dos hospitais.
Outro momento digno de registo na entrevista é quando Fátima Cardoso alerta para a dificuldade em aceder a medicamentos  antigos,  baratos e muito eficazes no combate ao cancro, em detrimento de medicamentos novos, muitíssimo caros e que só funcionam associados aos medicamentos antigos. A continuar assim, alerta, “deixamos de poder tratar cancros, porque os medicamentos inovadores e caros são para um grupo limitado de doentes”.
A médica lembra que esteve mais de um ano sem acesso a um corticoide indispensável para o tratamento de metásteses cerebrais. O medicamento até estava a ser produzido pela indústria, mas em quantidades reduzidas e o que se produzia era desviado pelas distribuidoras para a Alemanha que paga  cinco vezes mais.  Esta aberração  explica-se porque as distribuidoras invocam o mercado livre, essa  maravilha tão sedutora que, em nome do lucro, dá carta de alforria para deixar morrer pessoas.
A entrevista a Fátima Cardoso permite perceber, de uma forma muito clara,  os interesses que se movem por detrás de quem pretende destruir o SNS. No futuro, vale a pena estar atento e tirar as devidas conclusões, quando um ex governante for contratado por uma farmacêutica…
É cada vez mais notório que caminhamos para uma Medicina a duas velocidades, onde quem tem dinheiro para pagar tem acesso a medicamentos e quem não tem morre. Continuando assim, um dia destes havemos de querer SNS, mas não o vamos ter- como já alertava a minha mãe.
Se outros factores supravenientes  não anteciparem a necessidade de o fazer, quando a extinção do SNS ( ou a sua redução a serviço para pobres) for uma realidade, muitos perguntarão se valeu a pena o esforço para aumentar a esperança de vida. 


Não será uma conquista reservada apenas a quem tem dinheiro, cujo investimento científico foi  custeado pelo Zé  Contribuinte ( que dele não irá beneficiar), porque os ricos não só não pagaram a crise, como também fogem aos impostos?

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Those were the days (11)




Se os putos de hoje sentissem a mesma alegria que eu senti quando recebi de presente uma Kodak Instamatic, de certeza que  seriam mais felizes e não torceriam o nariz de enjoo e enfado, quando os pais lhes oferecem um smartphone que não seja topo de gama.

Requiem pelo SNS?



São muitas as pessoas com responsabilidade e conhecimento profundo da área da saúde, a avisar para os riscos de deterioração, quiçá destruição, do Serviço Nacional de Saúde.
As redes sociais não têm dado grande eco a esses avisos mas, paulatinamente, quase em silêncio, os vampiros vão minando o sistema e impondo as suas regras.
Nos últimos dias, duas entrevistas  fizeram tocar as campainhas num qualquer recanto do meu subconsciente. Numa delas, Constantino Sakellarides ( na foto), uma das maiores autoridades em matéria de saúde, diz ao DN  que “ Têm feito uma sangria no Serviço Nacional de Saúde” e explica como: deixando sair profissionais competentes, seguindo uma política de recrutamento assente no compadrio em detrimento das qualificações, desinvestindo em equipamentos, cortando verbas, deixando degradar a qualidade dos serviços.
Como explica  este jubilado que aos 75 anos continua apostado em defender e melhorar o SNS, a acção dos governos nos últimos anos está em consonância com o ideário europeu, manifestamente contrário a  Serviços Nacionais de Saúde e defensor da iniciativa privada, lucrativa para uns quantos, penalizadora para a maioria dos cidadãos.
É recorrente ouvir  queixas de utentes sobre o mau funcionamento do SNS. A minha mãe  usava uma expressão – e  alguém me a relembrou  há uns dias-  que se adequa perfeitamente à relação que os portugueses têm como os serviços de saúde: “hás-de querer e não ter!”.
Com esta advertência, queria a  minha mãe alertar-me para o facto de por vezes desvalorizar aquilo que me ofereciam, ou não dar valor devido  às circunstâncias que me permitiram, enquanto criança e jovem, ter uma qualidade de vida muito superior à da maioria dos portugueses.
Nunca esqueci este ensinamento e muitas vezes o invoco (como ainda ontem fiz aqui) porque encerra uma verdade universal que a sociedade de consumo desvalorizou, dela escarnecendo.   
Ao cultivar o supérfluo e valorizar o desperdício, incitando-nos a adquirir a novidade sem cuidar se dela precisamos, a sociedade de consumo criou uma sociedade de idiotas, onde cada um se procura afirmar desde tenra idade, não pelo que vale, mas sim pelo que tem. Como em tempos escrevi, vivemos num modelo social onde é mais importante “parecê-lo” do que “sê-lo”. Por arrastamento, desvalorizamos as conquistas de Abril ( de que o SNS é talvez o exemplo mais paradigmático) que consideramos eternas, e estamos  desatentos àqueles que nos querem privar delas, em nome de um mercado livre onde em primeiro lugar está o dinheiro, depois a economia e só no fim vêm as pessoas.
Com tanta desatenção, um dia acordamos e não temos SNS. Como já não temos outras conquistas de Abril. Culpa exclusivamente nossa porque:
- ou andamos a votar naqueles que  defendem os interesses das empresas e não os das  pessoas;
 -ou estamos demasiado absorvidos a desfrutar dos bens materiais supérfluos que a sociedade de consumo  promove através da publicidade e não prestamos atenção a quem nos anda a querer roubar;
 ou ainda porque  se tornou tão normal ir para as urgências dos hospitais, quando  uma dor de cabeça nos atormenta, que nem nos apercebemos que o recurso sistemático às urgências não só coloca em causa a qualidade do serviço, como prejudica aqueles que têm problemas de saúde graves.i
O SNS é demasiado importante para que o deixemos deteriorar-se, ou mesmo desaparecer, sem luta. De lamentos estamos todos fartos.


AVISO:  No início do post fiz referência a duas entrevistas. Como o texto já está demasiado longo, abordarei a outra amanhã.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Ponte de Sor: brincadeiras de adultos

A pequena vila de Ponte de Sor saltou este fim de semana para as primeiras páginas pelas piores razoes. Muito se tem escrito sobre a agressão barbara ao jovem Ruben, os miúdos iraquianos já foram condenados em praça publica, mas eu nao vou alimentar esta discussão, enquanto nao poisar a poeira. Nem sempre o que parece obvio corresponde a realidade e o facto de os intervenientes serem todos menores aconselha prudência. Mas também alguma reflexão sobre a violência gratuita entre adolescentes que se embebedam descontroladamente porque...Bem fico-me por aqui,  porque este post nao pretende abordar uma rixa entre adolescentes, mas sim um problema envolvendo adultos. Fica a promessa de voltar ao assunto.
O que me leva a escrever sobre Ponte de Sor relaciona-se com incêndios. Ha dias, um fulano completamente embriagado conduzia de madrugada uma carrinha de caixa aberta. Um pneu terá rebentado, mas ele continuou a conduzir. A jante, em brasa, provocou faíscas que se espalharam e provocaram mais de 20 focos de incêndio. Um deles provocou um incêndio de enormes dimensões.
O autor  ( ainda que involuntário) dos incêndios foi presente a tribunal, acusado de vários crimes de fogo posto e de conduzir embriagado, com uma taxa de alcoolizai de 2,1 g/l.
A juíza  confirmou a inibição de conduzir durante 4 meses, uma multa de 360 euros e dois anos e meio de prisão com pena suspensa. A  viatura ( uma imprestável carrinha de caixa aberta, quica comprada com dinheiro de subsídios comunitários destinados a agricultura) reverteu para o Estado.
Comentários? Para que? Fica apenas a minha gargalhada de desprezo.
Aviso:este post nao tem acentos, porque foi escrito no iPad. O meu computador nao se deu bem com os ares do Estoril..

Um grito pela Europa ecoou no Rio de Janeiro


Talvez a maioria dos leitores saiba quem é a mulher na foto, mas eu confesso que só este fim de semana soube que é italiana, se chama Elisa di Francisca, pratica esgrima e ganhou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
O que  terá ela feito de tão importante, para que eu escreva um post apresentando-a aos leitores do CR tão distraídos como eu?
Pois fiquem sabendo que Elisa, na altura de subir ao pódio, sacou desta bandeira da UE e exibiu-a com orgulho.
É bom saber ( e digo-o sem qualquer ponta de ironia) que ainda há gente  que acredita na Europa, se orgulha de ser europeia  e exibe esse orgulho num evento tão importante como as Olimpíadas.
 Num momento em que a Europa vive mergulhada em contradições e põe em causa alguns dos seus valores fundamentais, é digno de registo - e provocou em mim até uma pontinha de emoção- que uma atleta lance o alerta para  esses valores identitários com que foi educada.
Finalmente, é bom saber que os jovens acreditam na Europa onde cresceram e defendem os seus valores. Isso significa que se essa geração um dia chegar ao poder, talvez possamos encarar com um pouco mais de optimismo o futuro europeu.
Oxalá!

Os remorsos do Homem Branco


Penso que a proibição do Burkini em algumas praias francesas terá efeitos contrários aos desejados  pelas autoridades. Como já aconteceu quando o governo de Paris proibiu o uso da burka e do nikab, o mesmo empresário argelino que criou um fundo de um milhão de euros para pagar as multas, não se importará de desembolsar mais algum para pagar as multas de quem for apanhado na praia com burkini.
Sou contra qualquer medida que interfira com o vestuário, apesar  de muitas vezes me sentir agredido na rua, ou em transportes públicos, por mulheres  normalmente bastante anafadas que, por não terem a noção do ridículo, usam calças descaídas e deixam à mostra  aquele canal que separa os hemisférios da bunda, também conhecidos por glúteos. Devo  mesmo confessar que apoiaria uma medida que proibisse algumas baleias de usar bikini na praia e as obrigasse a usar burkini. É que toda a poluição visual, incluindo a dos painéis publicitários,  me é extremamente incomodativa.
O facto de duvidar da eficácia da proibição do burkini não me impede, no entanto, de criticar aqueles que se insurgiram contra quem decidiu, acusando-os de xenófobos e antidemocráticos.
Aconselho os críticos a visitarem alguns países árabes e beber álcool na rua, enquanto as suas mulheres e/ou filhas vão à praia de bikini. Perceberão, in loco, a tolerância desses regimes aos hábitos ocidentais.
No fim de semana discutia esta questão com críticos e defensores da proibição do burkini. Expressei a minha opinião e manifestei a minha preocupação pela forma como nós, ocidentais, alienamos os nossos valores e cultura,  com receio de sermos considerados racistas e xenófobos.
Foi a isto que Pascal Bruckner chamou “ Os remorsos do Homem Branco”.
Lamento muito confessar que estou de acordo com ele. O colonialismo europeu foi deplorável e não deve ser esquecido, mas não podemos passar o resto das nossas vidas a penitenciar-nos pelo comportamento miserável dos nossos pais e avós. Nem devemos exigir às gerações mais jovens que  continuem a “pagar” pelos pecados dos antepassados, renegando as conquistas que foram feitas nas últimas décadas.

Se insistirmos nesse discurso de penitência, estamos apenas a dar força à extrema direita, cujo discurso é cada vez mais apelativo para os jovens.   E, o que é mais grave e insane, a abrir as portas a regimes totalitários, com o argumento de estar a defender democracia.
Ah, antes que me esqueça... não me venham com a conversa de que a mulher deve pode ir à praia com a indumentária que lhe apetecer. Isso é conversa da treta para desviar a atenção do essencial.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Those were the days (10)


Quem frequenta este Rochedo há muito tempo, perceberá a razão de eu nada escrever sobre este ícone da indústria portuguesa.
Para os outros, direi apenas que não me ficaria bem fazê-lo. 
Lamento é que naquela  magnífica série "Conta-me como foi", tenham escolhido uma máquina de costura Singer, em detrimento da portuguesa Oliva... 

Em português nos entendemos?

Um jornalista da RTP, enviado ao Rio de Janeiro, conseguiu fazer uma reportagem no interior da favela "Inferninho", a escassos metros do Estádio Olímpico.
A conversa com os moradores decorria informal, mas interrogativa.
A páginas tantas João Pedro Mendonça (?) entabula conversa com um morador que responde numa linguagem arrevesada.
- Porque está a falar comigo em espanhol e não em português?- pergunta o jornalista
- Porque você está falando comigo em espanhol...

A cena nem sequer é inédita. Acontece-me frequentes vezes no Brasil, porque sempre recusei falar com o sotaque local. Se trago à colação este episódio, é apenas com o intuito de lembrar, a quem ainda não percebeu, que por mais acordos ortográficos que se façam, não será a via legislativa a alterar ou facilitar o entendimento. 
O que explica, também, a razão de poucos autores portugueses  estarem publicados no Brasil.

Taxis? Bye, bye!

Nunca experimentei a Uber. Apesar de várias pessoas amigas me terem afiançado que o serviço  é excelente, mais cómodo e mais barato do que o táxi, sempre tive em consideração, na hora de recorrer aos serviços de taxi, que os taxistas  têm despesas que os motoristas da Uber não têm, como é o caso do alvará. 
Apesar de reconhecer o tratamento quase primitivo de muitos taxistas e o incómodo que representa ter de ouvir música em altos berros, ou comentários trogloditas, durante o percurso, desde que a luta com a Uber começou, admiti que o governo tinha uma tarefa difícil para resolver, se quisesse ser justo. Estive do lado dos taxistas, por considerar que estavam a ser vítimas de concorrência desleal.
O governo conseguiu resolver o problema de forma equilibrada que, admito, não terá agradado inteiramente aos taxistas, nem à Uber. É normal nestas situações.
Menos consensual é que o desagrado dos taxistas tenha tido como consequência uma série de ameaças, veiculadas para a comunicação social, através de Florêncio de Almeida, dirigente da Antral.
Ao insinuar que os taxistas irão fazer justiça pelas próprias mãos,  podendo mesmo recorrer à violência  para resolver o problema, Florêncio Almeida não dá apenas um tiro no pé, debilitando ainda mais a  imagem dos taxistas junto da opinião pública. Afasta centenas de utilizadores dos serviços de taxis

Pessoalmente, não tenciono voltar a utilizar um táxi, enquanto a ANTRAL não retirar as ameaças e pedir desculpa aos utentes pelo seu comportamento.

domingo, 21 de agosto de 2016

Para tudo se acabar na quarta-feira





Terminam hoje os Jogos Olímpicos. Eu sei que hoje é domingo, mas penso que esta canção se enquadra bem dentro do espírito dos Jogos do Rio. Foram os primeiros falados em português e  os primeiros realizados no hemisfério  sul, fora da Austrália ( que os realizou duas vezes). 
Muito haveria a dizer à volta destes jogos que, obviamente, não foram perfeitos, mas terão ultrapassado as expectativas de muitos que temiam um desastre. 
Sei que os brasileiros continuam divididos entre os que criticam o dispêndio de verbas e os que se sentem orgulhosos, mas isso acontece em qualquer parte onde se realizem os Jogos.
Quanto à participação portuguesa, esteve um pouco aquém das expectativas que, em minha opinião, eram irrealistas. 
Comoacontece sempre, houve algumas desilusões, alguns azares, uns quantos "estivemos quase lá", sorrisos de satisfação e lágrimas amargas por não se ter conseguido valorizar o trabalho de 4 anos.
Somos um país pequeno com atletas de nível mundial em muitas modalidades onde, ainda há uma ou duas décadas nem sequer existíamos. 
Temos feito progressos notáveis, a maioria dos nossos atletas trabalha sem as condições de outros de países com dimensão desportiva inferior à nossa.
Pese embora um ligeiro travo amargo, devemos estar orgulhosos pelos que representaram o país no Rio de Janeiro.
Não será um ou outro insucesso, ou resultado aquém das expecctativas mínimas, que ensombrará a nossa presença. 
Um dia o resultado do esforço dos nossos atletas será recompensado com medalhas.