terça-feira, 25 de abril de 2017

Memórias em vinil (CXVI)


Desde Berlim, brisa nocturna a fustigar-me, faço a mesma pergunta que Adriano Correia de Oliveira. 
A diferença é que dirijo a pergunta à Europa e não ao meu país...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Memórias em vinil (CXV)


Esta não faz parte da minha discoteca mas nesta noite não podia escolher outra
Tenham uma Boa Noite e aproveitem bem o feriado. 
Viva o 25 de Abril!

Filhos do Desespero

Num tempo em que a normalidade é ver os blogs desaparecer, eis que estou aqui a dar notícia do nascimento de um novo blog.
Mais do que divulgar  " Filhos do Desespero", venho pedir-vos que vão até lá e vejam o  projecto que o CN Gil nos propõe.
É um projecto solidário promovido por quem não fica indiferente ao sofrimento dos outros. Ele explica como surgiu a ideia.
Aqui fica apenas um excerto do seu texto

"Estava na minha hora de almoço e via as noticias do dia quando me chega à atenção um vídeo. Era um excerto de um noticiário Turco. Numa reportagem, após mais um bombardeamento em Alepo, uma criança atingida por estilhaços era operada de urgência sem as mínimas condições. Sem anestesia, uma vez que nada há disponível por aquele canto martirizado do mundo.
A criança gritava os versos do Corão como um mantra, tentando desviar a sua atenção do sofrimento e dor, enquanto o médico a operava.
No final da reportagem os repórteres choravam no estúdio de televisão. Eu também(...)".

domingo, 23 de abril de 2017

Dia do Postal Ilustrado (50)

 

Como ontem vos disse, ausentei-me por uns dias. É a primeira vez que saio do país desde que foi diagnosticada a minha doença em Julho de 2015. Há quase dois anos, portanto. 
Não querendo interromper esta série, envio-vos um postal bastante actualizado da cidade onde vim passar uns dias. 
Fiquem bem. Até breve. 

sábado, 22 de abril de 2017

Memórias em vinil ( CXIV)





Vou deixar-vos durante uns dias, mas continuarei a  trazer-vos "Memórias em vinil" para vos dar as boas noites, durante a minha ausência. Também ficarão alguns posts agendados.
A forma mais apropriada que encontrei para vos dizer que espero encontrar-vos por aqui quando voltar, foi trazer Jacques Brel com esta canção imortal.
Fiquem bem e... "Ne  me quite pas"

Sporting-0 Benfica-2

Isto não é um prognóstico do jogo. É mesmo a realidade, mas em número de mortes.
Até este momento, os adeptos do Benfica já mataram dois adeptos do Sporting.
Espero que os sportinguistas não retaliem e o resultado não se avolume.
Agora a sério:acabem rapidamente com esta gentalha medíocre, antes que esta corja de energúmenos acabe com o futebol. 
Compreendo que é difícil, dados os antecedentes e o "curiculum"mas é altura de LFV se demarcar desta gente.  

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Memórias em vinil (CXIII)


Termino esta semana de recordações de música latino-americana de intervenção, com um intérprete português poucas vezes recordado: Luís Cília. 
Escolhi dois temas: Má Reputação (acima) e outra do álbum Marginal que faz parte da minha discografia ( Romance de Lulu do Intendente)




Boa noite e bom fim de semana

Et Vive La France


Ontem à tarde, quando este post começou  a germinar na minha cabeça, estava bastante entusiasmado e optimista em relação às eleições francesas do próximo domingo.
Encarava, então, o facto de haver quatro candidatos em condições de passar à segunda volta, muito mobilizador e  emocionante. Há já muito tempo que não se assiste a uma eleição tão cerrada, sem vencedor à partida e, melhor ainda,  a luta não se reduz a dois candidatos nesta primeira volta. Por outro lado, a ascensão de Melenchon na última semana, permitia equacionar um cenário para a segunda  volta em que, pela primeira vez, algumas sondagens retiravam Le Pen da corrida. 
À noite, a notícia do atentado  no coração de Paris alterou o meu estado de espírito e, pior ainda, poderá ter alterado substancialmente as intenções de voto dos franceses. À partida, a grande beneficiada será Marine  Le Pen o que me leva a equacionar a hipótese  de o acto terrorista ter tido uma mãozinha atrás do arbusto. 
Nunca saberemos em que medida o atentado irá alterar as intenções de voto dos franceses, mas sabemos que Hamon, o candidato oficial do PS, não entra nestas contas. Significará isso o início do fim do PS francês?
No último domingo, os turcos foram às urnas para dizer ao mundo que o caminho mais directo e pacífico para a ditadura, é a democracia. O que mais desejo para o próximo domingo, é que os franceses resgatem a democracia.

Há coisas piores do que apanhar uma bebedeira



Foi há mais de década e meia que pela primeira vez me surpreendi ao ver miúdos no recreio de uma escola dos arredores de Lisboa, exibindo armas. 
Na altura questionei a directora da escola que me respondeu saber o que se passava, mas ser impotente para impedir a entrada dessas armas, por falta de meios. Terá chegado a confrontar alguns pais com a situação, os quais reagiram com indiferença. Um deles terá mesmo dito que tinha sido ele a oferecer a arma ao filho, para que se pudesse defender.
Esta escola ficava num meio muito problemático da margem sul, pelo que admiti ser um caso isolado.
Ao longo dos anos pude constatar que estava enganado. Não só presenciei a mesma situação em várias  escolas, como fui confrontado com o facto de não ser exclusiva de bairros problemáticos.
Como não acredito que  as armas em mãos de miúdos com 14 ou 15 anos  tenham sido compradas por eles, esbocei um sorriso ao ler que os pais "EXIGEM" mais psicólogos nas escolas para prevenir estas e outras situações potencialmente geradoras de actos de violência.
Confesso que tive saudades dos meus tempos de juventude, quando havia métodos bem mais eficazes e baratos para combater a violência nas escolas, mas depois pensei melhor e concluí que estava a ser injusto.
No meu tempo  as crianças viam os pais diariamente e eles assumiam a sua função de educar, não a remetiam para a escola. O que era bom, porque havia poucos psicólogos. Hoje há psicólogos à fartazana  e muitos não encontram emprego. 
Já agora, os psicólogos  podiam também  ensinar os meninos que não é muito bom andar uma semana bêbado quando se tem 15, 16, 17 ou 18 anos. E de caminho aproveitavam para dizer aos paizinhos que deixar miúdos de 13, 1 4 e 15 anos dormir duas ou três  noites ao relento, para "guardar lugar" num concerto, também não é muito aconselhável.
Pronto, admito... sou um psicólogo falhado e à moda antiga. Por isso  acabei jornalista e estou aqui a reconhecer  que há coisas bem piores do que  andar bêbado durante uma semana. Quais? Ir para a escola com uma arma de fogo ou uma faca de ponta e mola, por exemplo.  

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Memórias em vinil ( CXII)


Claro que o Zeca não podia faltar neste evento...

Tens um lugar para mim na tua cama?



Ainda sou do tempo  em que as pessoas se horrorizavam (justamente) com o sistema da “cama quente” praticado com naturalidade na China. Para quem não saiba, a “cama quente” era assim designada porque nela se deitavam, por turnos, dois ou três trabalhadores diariamente. Não tendo dinheiro para pagar o aluguer de uma cama, acordavam dividi-la com um ou dois outros trabalhadores.
Este era apenas um dos casos  apontados  como exemplo do miserabilismo dos regimes comunistas. Vi muitas consciências ocidentais atormentadas com esta prática. Particularmente tugas em Macau, que ocupavam lugares subalternos  na administração pública em Portugal, mas ao fim de poucos meses de estadia no Território, se pavoneavam em carros pretos do governo conduzidos por chineses às vezes com mais habilitações que os pialsróprios.
Não sabiam os tugas, nem muitos ocidentais escandalizados que a “cama quente” ( como outras situações que abordarei noutro dia) era uma prática corrente na Inglaterra da senhora Thatcher e continua a praticar-se em vários outros países, incluindo Portugal.
Nos últimos anos, sob o nome de “economia de partilha”,  tornaram-se florescentes práticas  “inovadoras” anteriormente apontadas como  exemplos de miséria.
No sector da habitação tudo terá começado com o “short renting” e  a partilha de  casa, hoje tornada prática usual, para bem do turismo e das contas bancárias dos senhorios, mas para desgraça da vida nas cidades. Não me refiro, obviamente, ao aluguer de quartos a que alguns proprietários recorrem para completar a parca reforma e  inquilinos usam para  pagar a renda. Essa prática é ancestral, mas hoje em dia não é exclusivo de estudantes ou trabalhadores deslocados.
Na verdade, tornou-se prática corrente alugar quartos em vez de casas, o que permite aos senhorios obter um maior rendimento.
Mais recente é a prática de alugar camas, em vez de quartos. O preço de aluguer de uma cama, em Lisboa, atinge já os 275€/mês. Ora, a partir daqui, as contas são muito fáceis de fazer:s
Um senhorio tem um T4 para arrendar. Na melhor das hipóteses conseguiria arrendá-lo por 2000€/mês mas, se em cada quarto colocar 6 camas ( belichs) 250€, consegue um rendimento de 4 mil e quinhentos  euros mensais  ( o I RELATA CASOS DE QUARTOS COM 8 CAMAS) livres de impostos, porque não passa recibos.
Chamam a isto “ arrendamento partilhado”. Muito moderno. Eu dou-lhe outro nome que não reproduzo. Limito-me a reconhecer que, face à inabilidade de sucessivos governos para fazer uma lei de arrendamento em que   os senhorios deixem de ser “agentes” da segurança social e os inquilinos vítimas de exploração desenfreada, os senhorios  descobriram uma mina de ouro e algumas start ups uma forma de enriquecer à custa dos senhorios.

Face à evolução contínua desta maravilhosa economia de partilha, sou levado a pensar que, não tarda nada, a prática da “cama quente” expandir-se-á inexoravelmente em Portugal. E, já agora, porque não alugar camas à hora, como nos bordéis disfarçados de pensões casas de massagens? Desde que tenha como base o sistema capitalista, onde impera a lei do mais forte e o chico espertismo, ninguém verá problema. Nos países comunistas  essa prática é inadmissível e degradante, porque avilta a condição humana. No neo liberalismo selvagem, dizem que é o mercado a funcionar. Por isso, também não é de desdenhar a hipótese de um novo governo Pafioso vir a  legalizar o arrendamento de contentores e, porque não, a ser um dos primeiros promotores dessa prática.

Overbooking

Umas cenas passadas na "América" e a comunicação social tuga, embasbacada, desatou a falar e escrever sobre overbooking.
Há 20 anos que há legislação nesta matéria, mas a comunicação social trata o assunto como se tivesse acabado de fazer uma grande descoberta.
Como (quase) sempre acontece quando a imprensa segue a moda "Maria Vai Com as Outras", tenho lido por aí muita asneira.
Para que não restem dúvidas e não haja por aí quem pense que pode ser "expulso" de um voo por dá cá aquela palha, fui recuperar excertos de um texto que escrevi sobre o assunto, quando a mais recente legislação foi aprovada.

No caso de chegar a um aeroporto e a companhia lhe disser que não pode embarcar porque o voo está em overbooking ( leia-se: a empresa vendeu mais bilhetes do que os lugares disponíveis) exija que os seus direitos sejam respeitados.
 As transportadoras aéreas são obrigadas a:
- Encontrar voluntários dispostos a desistir das suas reservas em troca de certos benefícios (por exemplo, milhas aéreas, títulos de viagem, dinheiro,direito a bilhetes extra ou a lugares em classe superior noutros voos);
- Oferecer  a opção entre um reembolso total da reserva anterior ou um reencaminhamento;
Durante o tempo de espera terá direito à assistência prevista para os casos de atrasos; 
-No caso de a companhia não encontrar um voluntário que ceda o lugar  e  não puder embarcar terá direito a:
- Voo alternativo ou reembolso do preço total do bilhete;
- Indemnização;
- Assistência em terra durante o período em que aguarda o próximo voo ( refeições, alojamento, etc)


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Memórias em vinil (CXI)


Esta noite deixo-vos com Pablo Milanes e Yolanda
Boa noite!

Salvar as livrarias?



Há por aí uma corrente  ( creio que ainda não chegou ao nível da petição) pedindo que se salvem as livrarias do Chiado.
Compreendo mas parece-me oportuno recordar que não há livrarias sem leitores. Ou melhor... sem gente que compre livros. 
Viajo bastante de metro e algumas vezes de comboio. Faço-o há muitos anos e apercebo-me que há cada vez menos  gente a ler livros durante os percursos. A maioria das pessoas vai agarrada ao smartphone a enviar mensagens ou a jogar, muitas vão grudadas ao telemóvel e são raras as que vão a ler um livro. E dessas poucas, nem todas lêem livros em papel. Noto mesmo que há cada vez mais pessoas a ler livros no formato digital. Logo, gente que não precisou de ir à livraria para os adquirir. 
Eu, consumidor compulsivo de livros, com mais olhos do que barriga ( leia-se sem tempo para ler todos os que vou comprando, ou recebendo de oferta) e que todas as semanas vai a uma livraria, constato que habitualmente estão quase vazias.  Vejo-as a fechar por toda a parte. não é só no Chiado. A única livraria decente  que havia em Cascais ( a Bulhosa, no Cascais Villa) fechou no mês passado. 
Faço rewind e tento lembrar-me da última vez que entrei numa livraria do Chiado. Foi ano passado, em Abril, quando fui ao lançamento do livro da Helena Ferro Gouveia, " Domadora de Camaleões".
Foi num final de tarde soalheiro, na livraria Ferin. 
A Ferin esteve mesmo para fechar. Foi salva ao soar do gongue por outra livraria, a Ler Devagar. Leio que vai ter um bar na cave. Ou seja, procura-se atrair consumidores de livros, oferecendo-lhes um bar. Não tenho nada contra, mas duvido que resulte. É que meia dúzia de metros acima há gente a comprar livros na FNAC mas, subindo a Garrett, encontro a Bertrand e a Sá da Costa às moscas.
Não há volta a dar. Os leitores que ainda compram livros são cada vez menos exigentes nos espaços e nas leituras. Passar umas horas numa livraria, já não é muito comum. Comprá-los, parece ser mais estimulante e mais barato no supermercado, onde abunda a literatura light.
As pessoas hoje em dia querem tudo light. Da Coca Cola ao iogurte, passando pelos filmes, pelas notícias, pelas séries televisivas, as pessoas fogem de tudo o que as obrigue a pensar. Perdeu-se a cultura da exigência. Até nos blogs, onde antes se reflectia, hoje a tendência é simplificar. Textos curtos e de preferência superficiais. E foi assim que  "virou moda" ler resumos dos livros, em vez dos textos originais.
 "É mais fácil, perde-se menos tempo, não temos de ler aqueles rococós todos e percebe-se na mesma a ideia do autor"- justificava há  dias um jovem,  durante uma "tertúlia" promovida por uma associação de estudantes.
As pessoas querem viver num mundo de facilitismo e  fantasia que as distraia da realidade. Nesse mundo talvez existam livrarias, mas dificilmente se encontra literatura. E ainda menos leitores...

Os meninos à volta da cerveja...


Na última semana tive a oportunidade de perceber o erro de interpretação que fizemos relativamente à frase de Dijsselbloem.
Na verdade, vi  centenas de calvinistas ( especialmente alemães) agarrados à cerveja todo o dia, mas muito raros os que se agarravam às mulheres.
Afinal, o que separa os povos do sul dos calvinistas e huguenotes do norte, é "apenas" uma questão de prioridades.