terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Nem bons ventos...

Dizia-se , noutros tempos, que "De Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos".
Nas últimas décadas, o adágio caiu em desuso, mas parece que terá chegado o momento de o relembrar.
Pelo menos a pretexto de voltar a falar de Almaraz.
Há por aí muita gente a desvalorizar os efeitos em Portugal de um acidente na central espanhola.
Para os que dizem que os efeitos apenas se sentiriam nas zonas fronteiriças, vale a pena lembrar que um relatório do Laboratório de Protecção e Segurança Radiológica, divulgado em Março de 2016, revelou que amostras de carne recolhidas em 2014 na ilha do Pico apresentaram vestígios de césio, duas vezes superior ao normal. Causas?  O acidente nuclear ocorrido  em Fukushima ( Japão) em 2011, gerou uma nuvem radioactiva que atravessou o Atlântico que depositou radiações nos Açores.
por outro lado, o LPSR revelou  que a  central de Almaraz provoca um aumento de isótopos radioactivos no rio Tejo.
Não são apontadas as causas, não sendo por isso possível afirmar que estejam relacionadas  com os múltiplos incidentes verificados em Almaraz. É no entanto possível  adiantar que há um " repetido incumprimento consciente e voluntário das normas de segurança contra incêndios".  Entre a violação das normas, destaca-se o desrespeito pela proibição de fumar. Com efeito- revela a Visão-  em maio passado, os inspectores encontraram trinta beatas,o que significa que se fuma no interior da central.
Continuam descansados? Óptimo.

Inteligência Artificial? Ôba, ôba, que legal!




Aviso prévio: Este post é bastante longo, mas gostava muito que o lessem e comentassem. O assunto é muito sério.

Todas as semanas leio notícias sobre empresas que estão a despedir funcionários e a substituí-los por robôs. Os japoneses seguem na liderança desta mudança estrutural no mundo do trabalho e  na organização das sociedades
Que a Inteligência Artificial ia mudar o mundo e deixar as  pessoas sem emprego, já eu sabia desde pequenino. Quem o dizia, transparecendo muita preocupação e com muita firmeza era a minha Avó, apaixonada por Charlie Chaplin e pelos "Tempos Modernos".
Pelo menos era o que a minha Mãe contava, pois eu não conheci a minha Avó. Eu ouvia a minha Mãe atentamente e perguntava-lhe se isso era assim tão mau, para a minha Avó ficar preocupada com a possibilidade de as máquinas fazerem o trabalho dos homens. E, invariavelmente, dava como exemplo as vindimas. Então não era bom que os homens vergados  ao peso daqueles cestos cheios de uvas que carregavam às costas fossem substituídos por máquinas?
Também invariavelmente, a minha Mãe olhava para mim com cara de quem está a pensar "este miúdo não cresce", fazia-me uma festa na cabeça e ia à vida, deixando-me sem resposta.
 Quanto a mim, começava a divagar por um mundo onde as máquinas obedeciam às minhas ordens. Fascinava-me, por exemplo,  a ideia de  poder dar ordens a uma máquina para me trazer o pequeno almoço à cama. Coisa de miúdo, obviamente, porque detesto tomar o pequeno almoço na cama. 
Claro que me preocupava a ideia de o meu pai ficar sem trabalho, porque se ele não tivesse emprego, quem me comprava os carrinhos da Dinky Toys?  Mas, na verdade, desejava que em sendo adulto o mundo já estivesse equipado com robôs em número suficiente para  me substituírem nas tarefas laborais, deixando-me tempo para  poder viajar pelo mundo.
(Naquela idade ainda pensava que para viajar não era preciso ter dinheiro. Bastava meter-me ao caminho e deixar as coisas acontecer. Já adolescente, a caminhar para  adulto, saí de Espanha com 5 amigos e 500 pesetas no bolso. Andámos 4 ou 5 meses pela Europa e Norte de África, numa carrinha pão de forma e descobri que  não andava muito longe da verdade. Bastava que a sociedade se organizasse como nós nos organizámos durante a viagem. Tinha aprendido nesse ano, com António Sérgio, as virtudes da cooperação. E tornei-me um cooperativista convicto e praticante. Até perceber que a engrenagem triturava as boas ideias e  que o "Elogio da Preguiça", última esperança numa vida de ócio, era uma quimera. Mas adiante...)
Bem, voltemos então ao que pretendia comunicar com este post. Que aliás é muito simples e se resume em poucas palavras: 
Nunca imaginei viver num tempo em que as pessoas  casassem com máquinas!

A verdade, porém, é que já vivemos nesse tempo. Descobri  quando li o artigo da  Clara Soares na Visão.
Eu já tinha percebido há tempos ( depois de ler um estudo muito bem feito sobre a geração dos "millenials") que os homens estão a perder interesse em sexo, mas daí a passar-me pela cabeça que há pessoas que desenham o seu parceiro/a ideal, imprimem-no/a em 3D e ficam à espera de legislação que legalize a sua união com "a coisa",  nem em sonhos! Há uns anos, um livro de David Levy, perito em IA, fez-me esboçar alguns sorrisos, nada mais.
No entanto, os especialistas em Inteligência Artificial garantem que a legalização de casamentos entre humanos e máquinas / andróides acontecerá até 2050.
Já estou a imaginar a próxima causa fracturante do BE: exigir a legalização do casamento entre homens/mulheres e máquinas.
Não é caso para rir, nem para fazer graçolas. O assunto é mesmo sério e merece reflexão profunda. 
Para que tipo de sociedade estamos a caminhar? 
Já nem digo que é para o triunfo do nihilismo, pois isso já aconteceu há muito, desde que as redes sociais tornaram as pessoas em receptores de mensagens, às quais reagem em função do estímulo. Pensa-se  cada vez menos, reage-se em vez de agir. Anda toda a gente muito preocupada com a eleição de Trump, mas se as pessoas tivessem ido votar em peso, em vez de ficarem em casa a comer pipocas e a beber Coca Cola, porque não vale a pena votar, hoje Trump não estaria na Casa Branca e na Europa ninguém andaria preocupado com a Marine Le Pen e outros abortos similares que por aí pululam.
A sociedade que filhos e netos estão a construir é a do triunfo do individualismo, da glorificação do que é mais cómodo, rápido e de fácil apreensão. Reflectir para amadurecer ideias será tarefa para um reduzido número de...marginais.
Para quê, no futuro, incomodarem-se com relações e afectos, se podem partilhar a vida com uma figura de um romance, de uma BD, ou de um filme,  "construído" para não nos questionar e estar sempre às nossa ordens, pronta para satisfazer os nossos desejos?

Há uns anos escrevi um post, aqui no CR, onde dizia que as relações entre as pessoas estavam a diluir-se e a ficar reduzidas a uma mera função utilitária, porque estávamos a tornar-nos cada vez mais narcísicos, individualistas e com dificuldade em ineteragir. Fui bastante criticado, mas ao ler o artigo da "Visão" constato que não andava longe da realidade. A psicóloga americana Sherry Turckle, do MIT, concluiu que  "a empatia entre  estudantes universitários caiu 40% em apenas duas décadas" daí resultando um maior isolamento das pessoas e uma nova gama de necessidades, consubstanciadas " no consumo de dispositivos programáveis à medida dos nossos desejos infantis"
Ao fim e ao cabo  esta transformação é o resultado da nossa relação dependente e quase cega com as tecnologias.
No entanto, se em termos de relações afectivas caminhamos inapelavelmente para a "autosatisfação" que culminará,  a breve prazo, na legalização do casamento entre humanos e andróides, sem que as pessoas se preocupem muito com isso, tenhamos esperança nos movimentos que recentemente começaram a nascer no norte da Europa ( especialmente em Inglaterra e na Suécia). 


Preocupados com a concorrência que os robôs sexuais fazem aos trabalhadores e trabalhadoras do sexo, estes movimentos prometem lutar contra a intromissão destas máquinas de prazer que providenciam relações conjugais estáveis.
Li, algures, que 60% dos primatas estão ameaçados de extinção. Não é ainda o caso do Homem mas, por este caminho, não faltará muito.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (46)



Acabámos a semana com uma canção italiana e por lá continuamos no início desta.
Na primeira metade dos anos 60, a canção italiana rivalizava com a francesa e o Festival de Sanremo marcava os sucessos da época estival.
Em 1962, uma italiana sardenta e minorca lança-se no meio musical com uma canção sensaborona (La partita di pallone - O jogo de futebol) mas no ano seguinte  cativa os adolescentes com esta canção " Come te non c'e nessuno" ( vídeo acima)
Em 1964 tem outro grande êxito (Cuore, no link abaixo) mas nos anos seguintes não obtém grandes sucessos fora de Itália. Em 1968 casa e vai viver para a Suíça, desaparecendo praticamente do meio musical, embora vá aguentando a carreira até 2005, ano em que anuncia o abandono e se candidata ao Senado. Sem sucesso


Digam lá se não valeu a pena

Foto de Nuno Correia


Quando se iniciaram as obras do eixo central, entre o Marquês de Pombal e a rotunda de Entrecampos, assistiu-se a uma avassaladora onda de protestos.  Medina foi acusado de  estar a transformar a vida dos lisboetas num Inferno por razões meramente eleitoralistas. Ninguém acreditava que os prazos fossem cumpridos ( o final das obras estava previsto para Março)  e a direita avisava que as obras se iam prolongar até ao Verão.
A histeria da direita acabou por provocar um adiamento das obras da Segunda Circular, essenciais para tornar aquela via mais transitável.
Ontem ( com mais de dois meses de antecedência) as obras do Eixo Central estavam concluídas. A praça do Saldanha está com o belíssimo aspecto que se vê na foto, as avenidas da República e Fontes Pereira de Melo estão mais arejadas e quando as árvores crescerem e as esplanadas se encherem de gente, ainda vão ficar mais apetecíveis. 
As obras devolveram aquela zona da cidade aos cidadãos e faço votos que o mesmo aconteça noutras zonas. As cidades devem ser cada vez mais para as pessoas e não para os automóveis.
Ficaria bem à direita ( nomeadamente a Assunção Cristas, que tanto criticou as obras e tanto dinheiro gastou em cartazes de protesto) reconhecer a qualidade da intervenção efectuada e admitir que o Eixo Central está agora muito melhor do que antes. 
Pessoalmente, espero que as obras da Segunda Circular arranquem o mais depressa possível. E, já agora, que a polícia cumpra o seu dever de ser intransigente com os automobilistas que estacionam em segunda e terceira fila, em cima de passeios e noutros locais onde prejudicam o trânsito e os peões.
Lisboa é linda, mas pode ser muito mais apetecível, se os automobilistas forem mais educados e, sobretudo, mais civilizados.

Os Extraordinários




Roubei o título ao novo programa da RTP 1 das noites de domingo, mas não é sobre isso que vou escrever.
Os Extraordinários a que me refiro são o casalinho da foto de quem muito ouviremos falar nos próximos tempos. E não será por boas razões... (Já foi entregue  no Congresso um pedido para saída dos EUA da ONU).
Anda toda a gente muito preocupada com  Trump, mas mesmo aqui à porta há uma senhora capaz de trazer mais instabilidade à Europa do que o americano. Chama-se Theresa May e ameaça transformar a GB num paraíso fiscal se a UE não aceitar as condições que ela impõe para o Brexit. 
Como se isso não bastasse, parece estar fascinada com Donald Trump, o  homem que além de adorar muros, já decidiu apoucar 55 milhões de cidadãos americanos,falantes da língua espanhola, ao eliminar a página em espanhol da Casa Branca.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Dia do Postal Ilustrado (37)



Este postal foi-me enviado em 1972  por uma prima que vive em Porto Alegre e estava de visita a  S João Del Rei (MG) . Já visitei a minha prima várias vezes, mas nunca fui a S. João del Rei, cidade onde nasceu Tancredo Neves.  
Muito provavelmente, a cidade já nada terá a ver com o que está retratado neste postal. Se algum(a) leitor(a) brasileiro/a me puder dar uma ajuda, agradeço.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Chazinhos da Paróquia *




Começo com uma pergunta: Já sabia que Lisboa é capital ibero americana da cultura desde dia 7 de Janeiro?
Então saiba e que até final do ano haverá muitas coisas para ver. Exposições, espectáculos de dança, teatro, conferências , etc.  No total serão 150 eventos  ap longo do ano e passarão por Lisboa cerca de 400 artistas  convidados latino-americanos. Não  faltarão momentos para animar a nossa vida, com aquele toque latino-americano sempre caloroso.  
Sugiro, pois, que planeie o que pretende ver durante o ano, para não (se) perder.Destaque especial para a exposição Testemunhos da Escravatura
que decorre em vários espaços de Lisboa e para o concerto Canções para Revoluções no 25 de Abril. Um concerto ao ar livre, onde serão interpretadas canções de intervenção de Zeca Afonso, Mercedes Soza, Violeta Parra e Chico Buarque   Mas há muito mais.De quando em vez eu  virei aqui lembrar-vos, mas  o melhor é estar atento ao programa, para garantir que não perde o que mais lhe agradar.
Para esta manhã recomendo-lhe um passeio por esta Lisboa. Pode estar frio, mas  caminhar por aqui aquece a alma.
Não lhe vou sugerir onde almoçar ou jantar ( a variedade é tanta que nem me atrevo) mas deixo-lhe outras sugestões para alimentar o espírito. À tarde deixo-lhe duas sugestões: se aceitou a proposta de passeio, aproveite e vá ao CCB assistir ao primeiro filme do ciclo Belém Cinema. Em exibição está Lawrence da Arábia. Boa oportunidade  para recordar um grande filme, com um grande elenco ( Peter O' Toole,Anthony Quinn, Omar Sharif e Alec Guiness).
Em alternativa sugiro-lhe uma visita ao Museu do Chiado para ver a exposição de Amadeo Souza Cardoso. 
Há quanto tempo não vai ao teatro?   Já que está no Chiado, aproveite para jantar nas imediações e depois  ir  ao S. Luiz ver  " A Noite de Iguana". Garanto-lhe que esta peça de Tennesse Williams é imperdível. Oportunidade também para ver Nuno Lopes, numa interpretação sensacional.
Depois do teatro, que tal acabar a noite a ouvir jazz no Hot Club?
A noite de sábado prolongou-se pela madrugada e levantou-se tarde no domingo? Não se preocupe. Junte o pequeno almoço com o almoço  num brunch. Em casa, ou num dos muitos lugares que os servem em Lisboa, para todos os gostos e preços.
À tarde  fique por casa a ler "O Evangelho Segundo Lázaro" de Richard Zimmler e ao final da tarde, ou princípio da noite vá ao cinema. Como acontece sempre nesta época do ano, há por aí muitos e bons filmes em exibição. Para este fim de semana  sugir. Manchester by the sea.  Quase aposto que vai gostar. Mas, como sempre, o mais importante é que tenha um excelente fim de semana. Descontraído e, se possível, divertido.

* Decidi dar um nome a esta rubrica com sugestões de fim de semana. À falta de melhor ideia, recuperei o nome de uma rubrica que escrevi durante dois anos no semanário "Tribuna de Macau": Chazinhos da Paróquia.
Por agora está frio, tome-se bem quentinho. Lá mais para o Verão, o chá gelado também é uma óptima escolha. E, para que não lhe falte nada, também hei-de trazer aqui algumas sugestões de Casas de Chá.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (45)


Esta noite  trago um grande sucesso do italiano Nico Fidenco, porque tenho a sensação de que a partir de hoje a Casa Branca ainda se vai parecer mais com a Casa de Irene do que no tempo de Bill Clinton.

Boa noite e bom fim de semana.
Amanhã (sábado), bem cedinho , publicarei as minhas sugestões.

Chico Gordinho



Era previsível que, repostos salários e pensões, BE e PCP iriam aumentar o nível de exigências. Absolutamente normal. Dispensava-se era a intervenção do Chico de Amarante a pedir eleições antecipadas, com argumentos de filosofia de café. Para destruir a geringonça, basta uma aliança BE/ PCP, que reedite o tiro no pé de 2011. Já estive mais confiante, mas ainda tenho esperança que esse erro não se repita e Assis continue a ser, simplesmente, o Chico Gordinho de Amarante.  Irrelevante.
Só não consigo  perceber porque é que o Chico Gordinho  continua no PS. Para fazer uma aliança com Passos Coelho? Vade retro!


Chico Gordinho



Gingando pela rua
Ao som do Lou Reed
Sempre na sua
Sempre cheio de speed
Segue o seu caminho
Com merda na algibeira
O Chico Gordinho
O freak de Felgueiras

Chico Gordinho
Uuuuuuh uuuuuuh (x4)

Aos sss pela rua acima
Depois de mais um shoot nas retretes
Curtindo uma trip de heroína
Sapato bicudo e soquetes

A noite vem já e mal atina
Ele é o maior da trupe de Bruxelas
Patchuli borbulhas e brilhantina
Cólica escorbuto e olheiras com remelas

Chico gordinho
Uuuuuuh uuuuuuh (x4)

Sempre a domar a cena
Fareja a judite em cada esquina
A vida só tem um problema
O ácido com muita estricnina

Da  Bruxelas baixa
Da baixa de Bruxelas
Conhece todos os felizardos
Que comem da ( mesma) gamela

Chico Gordinho
Uuuuuh uuuuu(x4)

O governo de Trump visto à lupa

O da segurança interna era o responsável por Guantanamo. Garante que todos os que passaram por lá são culpados.
O ministro da defesa é um tipo que tem como alcunha Mad Dog. Não é ironia. Foi despedido por insistir diariamente em invadir o Irão.
O VP é um fanático evangelista. E é tido como o são.
Há um attorney general – PGR equivalente a ministro da justiça, a quem foi recusado um cargo como juiz federal por ser racista.
Há o sec do ambiente, figura máxima do lobby anti-EPA (a agência que fiscaliza o ambiente) que propôs fechá-la.
Há o neurocirurgião que recusou ser ministro da saúde por não ter competências administrativas e aceitou ser o ministro do urbanismo.
Há a bilionária encarregue das pequenas e médias empresas, mulher do Vince McMahon da WWE (Wrestling) e maior doadora da campanha.
Para combater Wall Street, o SEC do Tesouro, um dos responsáveis máximos da Goldman Sachs em 2008, CEO de um banco especializado em lucrar com o subprime.
O SEC - equivalente a ministro dos negócios estrangeiros – trabalhava na EXXon e era responsável pelas relações /subornos na Rússia.
O cérebro político é o Steve Bannon, primeiro entre iguais, racista, xenófobo, misógino,homofóbico. E estas são qualidades para ele, o nazi.
E depois há o Trump. Que continua produtor executivo do The Apprentice, porque “gosta de trabalhar nos tempos livres”.


( Recebido por e-mail)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (44)


Todos se devem lembrar que amanhã é o dia em que Donald Trump se torna inquilino da Casa Branca.
Pareceu-me por isso bastante oportuno trazer para a noite da véspera esta canção de Barry  Mc Guire
Podia recordar "Sins of a  Family ", mas este "Eve of Destruction"parece-me ainda mais apropriado ao dia e às ameaças que o mundo enfrenta em 2017.
Esperemos que , tal como em 1965, esta canção seja apenas  um alerta e não se transforme em hino.
Tenham uma boa noite. Sem pesadelos.

Conversas com o Papalagui (73)

- Olá tuga! Estás a tremer? 
- Estou com frio!
- Estás com frio? Mas isso não existe! O frio  e o calor são psicológicos
- Não digas disparates, Pa. Se o frio fosse psicológico os meteorologistas eram licenciados em Psicologia

E estamos nisto...


Estamos nisto: o governo conseguiu fixar o défice de 2016 em 2,3%. É uma boa notícia para toda a gente, menos para a direita que acusa Costa de só ter conseguido atingir esse valor porque utilizou o plano B.
A comunicação social afecta aos pafiosos faz coro com Passos e Cristas, nas críticas a Costa. Não haverá por aí ninguém que lembre a Ana Sá Lopes e companheiros da alegria que o governo de Pedro e Paulo não conseguiu baixar o défice, apesar de todos os anos recorrer a orçamentos retificativos e ter utilizado tantos planos que esgotou todas as letras do alfabeto?

Desculpa, Pedro. Desculpa!



Andei eu a gozar contigo durante meses, por causa do Diabo, e afinal ele anda mesmo por aí. Pelo menos aqui no Estoril, estou farto de ouvir as pessoas dizerem " está um frio dos Diabos!".

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (43)


Roberta Flack não precisa de apresentações, mas trazer aqui "The First Time Ever I saw your face" (1972), em vez da mais conhecida "Killing me softly" (1974), ou " The closer I get to you" (1979)talvez mereça uma explicação.
Ambas receberam o Grammy para "Disco do Ano",  mas   escolhi  " The first time...", cantado originalmente por Peggy Seeger  (1957) por se tratar de um tema belíssimo que provavelmente se teria perdido na voracidade do tempo, se Roberta Flack não o tivesse recuperado. E seria lamentável não o poder recordar agora, não vos parece?
Pelo menos a mim, parece, pois esta canção leva-me a Península Valdez e a uma discoteca em Georgetown. Isto está tudo ligado...

As vantagens da privatização dos transportes

PSD e CDS tentaram vender à pressa os transportes públicos de Lisboa e Porto, alegando que a entrega ao sector privado traria vantagens aos consumidores, porque o transporte seria mais barato.
Eu não sei se Sérgio Monteiro acreditava mesmo naquilo que dizia, ou estava apenas a olhar para eventuais vantagens pessoais da privatização dos transportes. Também não sei se aquele grupo de deputados que suportava o anterior governo tinha consciência do impacto das privatizações na vida dos cidadãos. A bem da verdade, nem sequer sei se dariam alguma importância a isso.
Sei, outrossim, que os operadores  privados de transportes, na Área Metropolitana de Lisboa  cometeram pelo menos 201 infracções ao despacho  do governo que  fixa em 1,5% o aumento máximo dos títulos de transporte em 2017. Ou seja: em 34% dos títulos de transporte, as operadoras fizeram aumentos superiores ao estipulado no despacho normativo.
Realmente, a privatização dos transportes só traz vantagens.

Hoje há palhaços



Será impressão minha, mas parecia-me mais lógico que a comunicação social  estivesse hoje a destacar  o défice de  2,3% e o impacto positivo  que terá  na Europa, do que a dar importância a um cabotino que, por mera estratégia de poder pessoal, se marimba nos interesses do país e vota contra uma medida que defendeu enquanto era pm mas agora rejeita porque " é a favor da descida da TSU, mas não para aumentar o salário mínimo". 
Mas isto sou eu, tuga bacocamente orgulhoso, por constatar que o governo do meu país demonstrou à Europa que as desconfianças com a geringonça e o modelo de governança adoptado pelo PS eram infundadas. E por ter demonstrado aos iluminados economistas liberais, que havia alternativa à austeridade por eles imposta ( cegamente seguida pelo governo Passos / Portas) que  deixou milhares de famílias na miséria e expulsou milhares de jovens do país.
E também sou eu, jornalista reformado, que não se adaptou a este jornalismo pós moderno, onde a verdade  e a intriga são construídas por palhaços com carteira de jornalista.

Drones solidários



Há dias, o Miguel Esteves Cardoso escreveu uma crónica sobre a praga dos drones. Também eu aqui me insurgi contra os drones e a nova legislação imprecisa e permissiva.
Hoje, porém, venho aqui manifestar a minha satisfação por existirem drones. Vou tentar  explicar em  breves palavras.
Há algumas décadas  Podentinhos, aldeia próxima de Penela, tinha 600 habitantes. A falta de condições para uma vida digna obrigou muitos  habitantes a deixar a aldeia em busca de uma vida melhor. Outros morreram. Outros ainda foram viver com familiares, ou colocados em lares.
 Em 2015, a  aldeia de Podentinhos tinha apenas um habitante Com 79 anos e escassos recursos, o sr. Joaquim recebe apoio domiciliário  ( higiene pessoal, limpeza da casa, lavagem da roupa e assistência médica)da câmara de  Penela e da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. 
Todos os dias uma carrinha lhe vai levar o almoço, mas o estado das estradas ( nomeadamente em dias de chuva) dificulta ou mesmo impossibilita a tarefa e, obviamente, quem mais sofre as consequências é o sr. Joaquim.
Ora, graças a um entendimento entre a Santa Casa e a Câmara de Penela e  o apoio técnico de uma start up do Porto, em Dezembro o almoço do  sr Joaquim começou  a ser entregue por um drone. A  ideia é boa. Poupa-se tempo e dinheiro. Mas, felizmente, só irá  ocorrer pontualmente, quando as condições não permitam alternativa. A Câmara de Penela e a Santa Casa de Coimbra (ainda) mantêm a lucidez e percebem que tão importante para o sr Joaquim, como receber a refeição diária, é manter contacto com as pessoas e receber o afecto de quem presta apoio domiciliário.
Entretanto, a startup que materializa o projecto, já imagina os seus drones a fazerem novas rotas para entregar refeições ao domicílio. E é aqui que a ideia começa a perder encanto. Ver os idosos cada vez mais isolados e carentes, não é nada bonito.
E, em termos práticos, se a prática se tornar habitual, colocam-se ainda e estes problemas